Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • (75) 9707-1234
  • Feira de Santana, ter�a, 07 de julho de 2026

Saúde

Em 1 semana, Brasil tem mais mortes por Covid-19 do que 63 países juntos, durante toda a pandemia

24 de Dezembro de 2020 | 13h 45
Em 1 semana, Brasil tem mais mortes por Covid-19 do que 63 países juntos, durante toda a pandemia
Foto: Alex Pazuello/SEMCOM

O Brasil tem 212 milhões de habitantes e 189 mil mortes por Covid-19. Os dados tornam o país o segundo do ranking em número de óbitos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que tem 328 milhões de habitantes e contabiliza 326.217 vidas perdidas para a doença causada pelo novo coronavírus. E não é só essa estatística que assusta. Em uma semana, o Brasil registrou mais mortes do que outros 63 países juntos (cuja soma chega a 634 milhões de habitantes), no período equivalente à pandemia inteira.

De acordo com a BBC News Brasil, o Ministério da Saúde divulgou que, entre 14 e 20 de dezembro, 5.233 brasileiros morreram em decorrência da doença. Foi o número mais alto desde setembro. O número é superior à soma de mortes registradas, desde janeiro, em 63 países, dentre eles Cuba, Botswana, Gabão, Nova Zelândia, Cingapura, Estônia Tailândia, Islândia, Uruguai, Taiwan e Vietnã, sendo este último o mais populoso de todos, com 97 milhões de habitantes. No entanto, o país registrou apenas 35 mortes por Covid-19, em 2020.

A estatística semanal também assusta se comparada ao número de óbitos no Japão. Conforme o site, nesse pequeno intervalo, no Brasil, morreu o dobro de pessoas do que naquele país, durante toda a pandemia. O país asiático tem 126 milhões de habitantes e registrou 2.877 mortes por Covid-19 desde o início do ano.

Em uma semana, o Brasil também contabilizou 333 mil novos casos da doença, um recorde desde o início da pandemia. A BBC lembra que a cifra é superior à soma de casos notificados, desde janeiro, em 76 países. É importante ressaltar que os dados são subestimados, uma vez que o país não realizou e segue sem realizar testes em massa.

Assim como os Estados Unidos, o Brasil não adotou medidas severas de distanciamento social. O país optou por não decretar bloqueio quase total, como forma de evitar a circulação massiva de pessoas e, consequentemente do vírus, como fizeram diversos países da Europa.

O terceiro país em número de óbitos é a Índia, onde 146.756 pessoas não resistiram às complicações provocadas pela Covid-19. No entanto, é preciso ressaltar que o país tem 1,35 bilhão de habitantes. Por isso, se a comparação levar em conta o tamanho da população, o Brasil tem a 19º maior taxa de mortalidade, com 89,9 óbitos para cada 100 mil habitantes. Os EUA têm 98,65 e a Índia, 10,83.

INTERNAÇÕES – AFundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que, em 2020, mais de 1 milhão de pessoas foram internadas com casos confirmados ou suspeitos de Covid-19. A título de comparação, o número mais alto dos últimos anos foi registrado na pandemia da gripe H1N1, em 2009. Este vírus levou 202 mil pessoas à hospitalização por infecção respiratória grave.

No Brasil, atualmente, cerca de 31 mil pessoas ocupam leitos de hospitais públicos e privados, por causa do novo coronavírus. E a situação vem se agravando em diversas regiões do país. No Sul, o número diário de infecções já superou o primeiro pico da doença, no primeiro semestre. Ao todo, 18 Estados e o Distrito Federal têm alguma região com aumento considerável de casos.

NATAL E RÉVEILLON – O avanço da Covid-19 não dá sinais de desaceleração, no Brasil. E, segundo a BBC News, dois fatores podem piorar ainda mais a situação: a “sincronia” entre a pandemia no interior e nos grandes centros urbanos do país; e as festas de fim de ano. No último dia 8, a Fiocruz alertou para o risco de o sistema de saúde entrar em colapso, se a alta de casos se agravar, após o fim do ano.

A reportagem explica que isso se deve ao estágio da pandemia no país. Antes, nos grandes centros e nas cidades menores, as epidemias tinham intensidades diferentes e inversas, o que permitia o atendimento da população por meio da redistribuição de pacientes. O problema é que, agora, a realidade é outra. E o fator que pode agravar ainda mais a situação é o período de festas de fim de ano.

Embora não haja recomendações oficiais específicas para este momento festivo, os infectologistas brasileiros se preparam para a possibilidade de o país registrar novos aumentos de casos e mortes, após o Natal e o Réveillon. “Se fôssemos reproduzir os encontros natalinos da forma que tradicionalmente ocorrem, neste momento epidemiológico (de alta dos casos), o que espero é um repique brutal no número de casos, devido à contaminação que vai ocorrer neste momento”, disse Jaques Sztajnbok, supervisor da UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, sugerindo que as pessoas evitem participar de confraternizações.

Diversos países têm emitido alertas contra aglomerações e deslocamentos, nos períodos festivos. A mensagem dos médicos é clara, diz a BBC: qualquer encontro, por mais cuidado que se tenha, representa risco de transmitir e contrair coronavírus, principalmente para os idosos. Especialistas dizem que, embora não seja possível eliminar totalmente a possibilidade de contágio, algumas medidas podem ajudar a diminuir as chances de contrair e disseminar o coronavírus, tornando os encontros, caso ocorram, menos inseguros. São elas: minimizar a quantidade de pessoas (e de residências envolvidas); muita ventilação; reduzir a duração; usar máscara e manter distanciamento sempre que possível; higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel.



Saúde LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

Charge do Borega

As mais lidas hoje