Ex-prefeito de Manaus, por dois mandatos (1989-1992 e 2013-2020), Arthur Virgílio Neto (PSDB) criticou, nesta quinta-feira (14), o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC). Ele culpabilizou o chefe do Executivo estadual pela falta de oxigênio nos hospitais amazonenses. “Eu não estou vendo que falte oxigênio em nenhum outro lugar, mas está faltando em Manaus, está faltando no Amazonas”, disse, em um vídeo publicado no Twitter, sobre a situação do estado em relação ao resto do país.
Arthur Virgílio chamou a situação caótica vivenciada, hoje, em diversas unidades de saúde da capital do Amazonas de assassinato. “Eu queria dizer diretamente ao governador do estado que o nome disso é assassinato”, disparou.
FRAUDES – Conforme o Uol, o ex-gestor público ainda fez referência a denúncias de fraudes no setor de saúde, durante a primeira onda de contágio da pandemia de Covid-19, em 2020. “Como é assassinato se comprar respirador falso, respirador que não serve para curar ninguém, ainda mais em loja de vinho e com preços superfaturados”, apontou.
A menção de Arthur Virgílio diz respeito à compra de 29 ventiladores pulmonares para tratar infectados com o novo coronavírus, feita, pelo governo do Amazonas, em uma loja de vinhos. A transação, realizada em abril do ano passado, veio a público através de uma reportagem do Uol.
Na época, o governo amazonense pagou R$ 2,9 milhões, valor quatro vezes acima do preço de mercado dos aparelhos, considerados “inadequados” pelo Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam). Conforme o site, em outubro, Rodrigo Tobias, ex-secretário estadual de Saúde, disse, em depoimento prestado à Polícia Federal, que Wilson Lima era quem comandava a operação de compra dos respiradores.
CAOS – Hoje, o pesquisador Jessen Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Amazônia, disse que recebeu inúmeros relatos de profissionais de saúde denunciando a falta de oxigênio em diversas unidades hospitalares de Manaus. “Acabou o oxigênio e os hospitais viraram câmaras de asfixia”, disse o pesquisador à coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
A capital do Amazonas vivenciou um dia de horror, nesta quinta-feira. O colapso provocado pela falta do insumo médico fez com que diversos profissionais de saúde gravassem vídeos pedindo doações de cilindros de oxigênio e ajuda para ventilar, manualmente, os pacientes. Muitos morreram por asfixia. Agora à noite, o Jornal Nacional também exibiu depoimentos de médicos das unidades de saúde afetadas pelo problema, relatando tristeza e impotência frente à impossibilidade de salvar vidas.
Diante da crise, o governo do Amazonas anunciou que passará a transferir pacientes com Covid-19 para outros estados. O primeiro a receber os transferidos será Goiás. Duas unidades de saúde goianas acolherão os pacientes: o Hospital Estadual Dr. Valdemiro Cruz e o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi.
Além disso, Wilson Lima também anunciou, em coletiva de imprensa, que será decretado um toque de recolher, em todo o estado, a partir das 19 horas até às 6 horas, por dez dias. A medida visa conter a disseminação do vírus, no estado. O fechamento das atividades vale, inclusive, para farmácias. No entanto, como são consideradas essenciais, deverão funcionar em regime de delivery. A circulação de pessoas que trabalham em áreas estratégicas, como segurança, saúde e imprensa, está permitida.