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Saúde

Fila de espera por leito hospitalar cresce no Amazonas, mesmo com transferências e novas vagas

27 de Janeiro de 2021 | 11h 47
Fila de espera por leito hospitalar cresce no Amazonas, mesmo com transferências e novas vagas
Foto: Carlos Madeiro/UOL

A rede de saúde pública do Amazonas continua pressionada ao extremo, mesmo com a transferência de pacientes com Covid-19 para outros estados. Nem mesmo a ampliação do número de leitos hospitalares tem dado conta da demanda, que vem crescendo quase diariamente.

De acordo com o portal de notícias Uol, na noite de ontem (26), 566 pacientes estavam à espera de uma vaga, sendo que 89 deles necessitavam de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O colapso no estado começou no último dia 6, quando, pela primeira vez, o estado informou, no relatório diário, que já não havia mais leitos disponíveis. A fila de espera começou a se formar e vem se avolumando rapidamente.

EXPLOSÃO DE CASOS – Boletins Epidemiológicos divulgados pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) do Amazonas mostram que a espera por uma vaga começou com 21 pacientes. Mas o número de casos explodiu, repentinamente, de modo que, no dia 8, a quantidade de pacientes que aguardavam um leito subiu para 404.

Ao Uol, uma técnica de enfermagem do Hospital o 28 de Agosto, maior pronto-socorro de Manaus, disse que “o fluxo de pessoas que chegaram, ao mesmo tempo, nesses primeiros dias do ano, foi inacreditável” e que “nada parecido tinha ocorrido na primeira onda”.

Por causa da lotação, a unidade fechou a triagem para novos pacientes no dia 15, um dia após a crise se agravar ainda mais, devido à falta de oxigênio hospitalar na rede de saúde da capital amazonense. Diversos pacientes morreram asfixiados e sem possibilidade de socorro.

Conforme a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), a fila de espera considera apenas pacientes internados, que estão recebendo assistência médica em unidades de Serviço de Pronto Atendimento (SPAs), nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e nas salas rosas e vermelhas dos prontos-socorros, enquanto aguardam remoção para leitos clínicos e de UTI. Mas a restrição no atendimento, em função da falta de vagas, força muitos pacientes a improvisarem tratamento em casa. Muitos morrem sem conseguir ingressar em uma unidade de saúde.

AMPLIAÇÃO DE LEITOS – Segundo o Uol, desde que o Amazonas passou a registrar um aumento significativo de casos da doença, em novembro, o Governo do Estado ampliou em 155% o número de leitos exclusivos para Covid-19. A oferta, na rede pública, passou de 457 para 1.166 leitos. Além disso, até a madrugada de hoje, 302 pacientes internados foram transferidos para outros estados. Essas medidas, no entanto, não têm sido suficientes para abarcar o número de pacientes que necessitam de assistência hospitalar.

Os dados emitidos pelas autoridades sanitárias do estado confirmam que o número de hospitalizações cresceu de forma exponencial, em janeiro. Em dezembro, a média diária era de 40 pessoas internadas com Covid-19 ou suspeita. Em janeiro, essa média chegou a 175, alcançando o ápice em números absolutos no dia 14, quando 254 internações foram registradas.

Comparando com o primeiro pico da pandemia, em maio de 2020, a demanda quase dobrou. A média de internações, neste período, ficou em 150. Durante o referido mês, essa média foi ultrapassada apenas no dia 5, quando 168 pacientes foram hospitalizados.

ESFORÇO CONJUNTO – À reportagem do Uol, SES-AM disse que, para tentar resolver o problema, as esferas governamentais estadual e federal estão atuando em conjunto, em diversas frentes, para ampliar o atendimento de pacientes com Covid-19.

O órgão informou que a previsão é abrir quase 400 leitos em unidades da rede e que, para isso, vem trabalhando para equacionar a ampliação da oferta de oxigênio e de recursos humanos. “Somente nesta semana 80 leitos serão disponibilizados para atendimento, na enfermaria de campanha do Hospital Delphina Aziz e no Hospital Nilton Lins, este último requisitado administrativamente pelo governo estadual”, observou.

O governo local, diz o site, também ressaltou que o estado “trabalha medidas mais rígidas para reduzir a contaminação do vírus e diminuir a pressão sobre a rede de saúde pública e privada do Amazonas”. A principal delas entrou em vigor no dia 25 de janeiro: a ampliação do período de restrição de circulação de pessoas, que passou a 24 horas, durante sete dias.



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