O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou, nesta quarta-feira (27), que, dentro de 60 dias, o Brasil pode ter uma megaepidemia de Covid-19, causada pela nova variante do coronavírus, detectada em Manaus.
Em entrevista ao programa Manhattan Connection, da TV Cultura, o ex-gestor da pasta, que é médico, disse que a transferência de pacientes para outros estados – resultante do colapso sanitário provocado pela falta de oxigênio hospitalar no Amazonas, que matou diversos pacientes por asfixia, no último dia 14 – pode aumentar a disseminação da nova cepa.
Ele advertiu que os protocolos de biossegurança não vêm sendo cumpridos. “O Brasil está, não só aberto normalmente, como está retirando paciente de Manaus e mandando para Goiás, mandando para a Bahia, mandando para outros lugares, sem fazer os bloqueios de biossegurança. Provavelmente, a gente vai plantar essa cepa em todos os territórios da federação e, daqui a 60 dias, a gente pode ter uma megaepidemia”, explicou.
Mandetta salientou que o país vive, atualmente, “quatro grandes crises sanitárias” e que a nova mutação do vírus se anuncia como o quinto colapso. Ele criticou o fato de o Brasil seguir completamente aberto e, consequentemente, vulnerável. No seu entendimento, o país nada contra a corrente, enquanto o mundo nos fecha as portas, tentando evitar que a nova linhagem, tida por especialistas como mais perigosa, se dissemine.
VACINAS – Em relação às vacinas já disponíveis no mundo, Luiz Henrique Mandetta disse que, para uso individual, o imunizante desenvolvido pelas farmacêuticas Pfizer e BioNTech, que ainda não está disponível no Brasil, seria a melhor opção, já que tem 95% de eficácia.
No entanto, o ex-ministro esclareceu que, para a imunização coletiva, no Brasil, a Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sonovac, em parceria com o Butantan, e a vacina criada pela Universidade de Oxford, em parceria com farmacêutica britânica AstraZeneca, são boas opções, até por questões de logística.
Mandetta observou que um país como o Brasil, de dimensão continental, não tem como transportar um fármaco que exige temperatura abaixo de 70 graus Celsius negativos – caso do imunizante da Pfizer – a todos os seus rincões. Sendo assim, ele considera que tanto a CoronaVac quanto a vacina da Astrazeneca, que podem ser armazenadas entre 2 e 8 graus Celsius positivos, são as que melhor se aplicam à realidade do país. “Aquela que tiver disponível, eu vou tomar”, garantiu.