O Ministério da Saúde confirmou, nesta sexta-feira (29) que efetivará a compra do lote com mais 54 milhões de doses extras da CoronaVac, imunizante desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan.
De acordo com o portal de notícias Terra, o órgão emitiu uma nota, na noite desta sexta-feira (29), informando que irá firmar o contrato de compra das doses na semana que vem. A pasta também ressaltou que está solicitando a antecipação do registro definitivo da vacina junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a fim de estender a vacinação a toda a população brasileira.
Até o momento, a CoronaVac tem apenas permissão para uso emergencial, que restringe a aplicação a grupos específicos, considerados prioritários. O novo lote se somará aos 46 milhões de unidades do imunizante adquiridos, inicialmente, pelo Governo Federal.
POLÊMICA – O Butantan e o Governo de São Paulo vinham pressionando o Ministério da Saúde a formalizar o pedido do lote adicional. A polêmica começou na última quarta-feira (27), após o diretor do centro de pesquisa, Dimas Covas, aventar a possibilidade de exportar as doses a países da América Latina, caso o governo não confirmasse a compra.
Ontem (28), o governador João Doria afirmou vacinar os brasileiros era uma questão de prioridade e urgência e que, se Governo Federal não manifestasse interesse em adquirir o lote até a próxima semana, determinaria que o Butantan vendesse as doses extras a estados e municípios brasileiros.
Inicialmente, o Ministério da Saúde não demonstrou pressa em realizar a compra. Justificou que, pelo contrato, teria até maio para decidir. A repercussão foi negativa. Além da pressão de governadores e prefeitos, o órgão foi bastante criticado, por especialistas, entidades e políticos, em função da morosidade em tomar uma decisão.
De acordo com o Terra, o governador Wellington Dias (PT), do Piauí, chegou a enviar, nesta quinta-feira (28), uma carta oficial ao presidente Jair Bolsonaro, solicitando a compra do lote adicional. O documento foi assinado em nome do Fórum Nacional de Governadores e pedia que, na impossibilidade de aquisição pelo Governo Federal, fosse “viabilizada a opção de compra por parte dos Estados brasileiros, conforme anteriormente aventado”.
Também ontem, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) cobrou, por meio de um ofício, uma decisão do Governo Federal. O documento, assinado por Carlos Lula, secretário de Saúde do Maranhão e presidente da entidade, afirmava que o “cenário de recrudescimento dos casos da Covid-19” exigia a vacinação, “no menor tempo possível”, de “toda a população residente do país”.
MAIOR MÉDIA DE ÓBITOS – Somente hoje, quando o Brasil registrou 1.099 mortes por Covid-19, no período de 24 horas – maior média móvel de óbitos desde julho do ano passado –, alcançando um total de 222.775 mortos, o Ministério da Saúde resolveu se posicionar favorável à compra das doses extras.