Com a Covid-19 avançando e, consequentemente, elevando o risco de colapso no sistema de saúde, o governador Rui Costa tem demonstrado grande preocupação em relação aos atuais números da doença no estado. Tendo em vista que apenas as vacinas contra o novo coronavírus serão capazes de deter o contágio, isto se aplicadas massivamente, o gestor baiano está apreensivo em relação ao programa de distribuição de imunizantes apresentado, ontem (17), pelo Ministério da Saúde. “Esperamos que, desta vez, o cronograma aconteça”, disse o governador, em entrevista à GloboNews, no início da tarde desta quinta-feira (18).
Rui Costa questionou a quantidade e os contratos para a aquisição de vacinas detalhados pelo ministro Eduardo Pazuello, que prometeu distribuir 230,7 milhões de doses até o mês de julho. “Muitas das doses ali no cronograma estão com números acima do que os próprios laboratórios anunciaram que vão entregar”, enfatizou.
De acordo com o G1, o governador da Bahia salientou que as reuniões com o ministro têm sido produtivas. No entanto, revelou preocupação com as decisões tomadas após os encontros. “O problema não está na reunião, o problema está no pós-reunião. Muitas vezes, tudo o que é acertado não é executado. Já aconteceu caso de, no dia seguinte, o presidente da República cancelar tudo o que tinha sido pactuado, por consenso, na reunião, ou desfazer tudo que tinha sido combinado na reunião”, contou.
Rui Costa disse ainda que ter mais doses de vacinas seria uma realidade possível, se as negociações tivessem começado antes. “No mês de janeiro, nós reiteramos, quando decidimos entrar com ação no STF para conseguir liberação da Anvisa, que o laboratório russo afirmou que. no máximo em 60 dias, a contar de janeiro, estaríamos aqui com 10 milhões de doses. Ou seja, em 60 dias, a contar de janeiro, agora, no início de março, já estaríamos com 10 milhões adicionais. E, ontem, na tabela do ministro, ele mostrou esses 10 milhões possíveis do laboratório russo só para maio. Nós fizemos o contato com o laboratório, e eles responderam que são 60 dias, contando a partir do fechamento do contrato. Se o contrato tivesse sido fechado em janeiro, agora, no final de fevereiro, início de março, estariam sendo entregues 10 milhões”, afirmou.
TOQUE DE RECOLHER – Enquanto as doses de imunizantes ainda são ínfimas frente a uma população de mais de 211 milhões de habitantes, o jeito é ir adotando medidas restritivas, a fim de tentar frear a contaminação e evitar a superlotação dos hospitais. Foi o que, mais uma vez, Rui Costa fez, esta semana. O gestor decretou novo Toque de Recolher nos 343 municípios do estado, que vive o segundo pior momento da pandemia, conforme ele mesmo alertou. O decreto passa a vigorar nestasexta-feira (19) e terá duração de sete dias, sempre das 22 horas às 5 horas.
“Há quase um ano, o pior momento havia sido o mês de julho, quando chegamos a 80 óbitos por dia, e chegamos a ter 30 mil casos ativos na Bahia. Nós estamos numa curva muito ascendente, muito crescente. Ontem, estávamos com 15 mil casos ativos e chegamos a 60 óbitos por dia. Isso ligou o sinal de alerta”, explicou o governador.
De acordo com Rui Costa, o decreto, que visa conter aglomerações associadas ao consumo de bebidas alcoólicas, como em festas do tipo paredão, pode ser ampliado. Tudo vai depender de como os números se comportarão durante a vigência da medida. Se não houver recuo, o horário poderá ser ainda mais estendido.
DETERMINAÇÕES DO DECRETO:
ESTÃO PERMITIDOS: