Pacientes diagnosticados com a Covid-19 internados no Hospital de Campanha de Feira de Santana, que apresentam sintomas moderados, estão participando de um estudo sobre o medicamento Dissulfiram. Originalmente, o fármaco foi desenvolvido para o tratamento do alcoolismo, mas a pesquisa está avaliando a eficácia e segurança em casos de infecção pelo novo coronavírus.
De acordo com o médico Valdir Cerqueira, coordenador clínico da unidade hospitalar, o remédio inibe a produção de enzimas que fazem parte do metabolismo do álcool, levando ao acúmulo da substância no organismo e, consequentemente, provocando sintomas que geram repulsa ao consumo da bebida.
No entanto, ele disse que os pesquisadores descobriram que o Dissulfiram também atua impedindo o acúmulo de substâncias inflamatórias no sangue, chamadas citocinas, durante um quadro infeccioso como a Covid-19. “É um medicamento já conhecido desde 1950, e que tem um histórico de ser muito bem tolerado, exceto quando o paciente faz uso com bebida alcoólica”, destacou.
Segundo Cerqueira, muitos pacientes já completaram a participação no estudo. O médico destacou que, clinicamente, eles tiveram boa evolução. “Nenhum efeito colateral importante foi observado, até agora. Mas somente ao final do estudo poderemos comparar os resultados. Provavelmente, será continuado na fase III, para confirmar se há eficácia”, informou.
O medicamento está em avaliação no Brasil e nos Estados Unidos. Em Feira, a pesquisa clínica é coordenada pelo Instituto de Ensino e Terapia de Inovação Clínica AMO (ETICA) e está na fase II.
Coforme o médico, a metodologia do estudo é duplo-cego, quando nem o paciente nem o examinador sabem quem está tomando medicamento ou placebo (substância que não apresenta efeito). Ele disse que, nesta etapa, serão necessários 200 pacientes e, até o momento, cerca de 30 foram recrutados. A participação é voluntária.
AUTOMEDICAÇÃO – Valdir Cerqueira advertiu, entretanto, que a automedicação pode trazer graves danos à saúde, já que remédios possuem contraindicações e efeitos adversos, devendo ser prescritos apenas por médicos, após avaliação de cada caso. Por este motivo, deixou claro que o uso por conta própria não é aconselhável.
No caso do Dissulfiram, também porque o fármaco ainda não possui eficácia comprovada contra a Covid-19. O estudo ainda está em fase inicial. “Já vimos que outros medicamentos que pareciam eficazes contra a Covid-19 não conseguiram mostrar benefício quando passaram pelas pesquisas clínicas. Assim, é importante aguardarmos os resultados finais deste estudo, e não se automedicar”, enfatizou.