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Saúde

Covid-19 na Bahia: sem leitos, pessoas estão morrendo nas ambulâncias, diz médico

04 de Março de 2021 | 21h 33
Covid-19 na Bahia: sem leitos, pessoas estão morrendo nas ambulâncias, diz médico
Foto: Reprodução/Redes Sociais

O médico Pedro Julião atua no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) da Bahia. Vem dele o alerta: “Não duvide que, hoje, não temos vagas para as pessoas nos hospitais, e muitas delas estão falecendo dentro das ambulâncias e na porta das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento)”.

A declaração do profissional de saúde deu visibilidade, nesta quinta-feira (4), ao drama dos pacientes acometidos pela Covid-19 que necessitam de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na estado.

De acordo com o Uol, com a situação beirando o colapso, uma vez que muitos hospitais públicos e privados já estão operando com a capacidade máxima de lotação, pacientes que buscam atendimento em Salvador precisam esperar entre 36 e 48 horas por uma vaga. Antes da crise sanitária desencadeada pela pandemia, o tempo de espera era, em média, de até oito horas. “As vagas surgem quando o paciente recebe alta ou morre”, informou o prefeito da capital baiana, Bruno Reis (DEM).

Segundo o site, até o início da tarde de hoje, 337 pessoas aguardavam regulação para um leito de UTI, em todo o estado, que contabiliza uma taxa de ocupação de 84%, de acordo com dados da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab). Na capital, que também absorve a demanda crescente de doentes residentes no interior, 117 pacientes estão à espera de uma vaga. Este é o mais alto índice desde o começo da pandemia.

Em uma coletiva de imprensa virtual, o prefeito de Salvador disse que o volume de pacientes só aumenta e que a rede de saúde está atuando no limite. “Temos um novo recorde (117). Ontem, eram 107. Anteontem, eram 96. Os números não cedem. Por mais que estejamos com medidas mais restritivas, os números continuam crescendo em nossa cidade. Se os números não cederem, precisaremos adotar medidas ainda mais restritivas. Estamos com limite de respiradores, equipes e locais disponíveis na cidade”, observou.

O médico Pedro Julião, no vídeo divulgado nas redes sociais, também enfatizou a gravidade da situação. Ele chegou a descrever a agonia de quem precisa ser transferido de outros municípios para Salvador. “Estamos desde as 15h com um paciente dentro da ambulância com desconforto respiratório, fazendo uso de oxigênio suplementar e máscara não reinalante. Salvador não tem vagas para a gente levar os pacientes. O que eu estou querendo dizer com isso? Por favor, entendam: a situação é gravíssima. Nós chegamos ao limite da ocupação dos leitos, Nós chegamos no limite da ocupação dos leitos”, alertou.

O profissional de saúde fez um apelo à população, para que acate as medidas restritivas que vigoram no estado. Apenas isso, segundo ele, pode reduzir o contágio e frear a disseminação das variantes mais agressivas do coronavírus. “Sabemos que, hoje, a necessidade do isolamento social é muito importante. Eu entendo que os comerciantes, as pessoas que precisam do trabalho informal, precisam levar comida pra casa, mas a gente tem que pensar que a vida humana é muito mais importante do que isso”, argumentou, realçando ainda que “a situação é real e precária”.

O QUE DIZ A SECRETARIA DE SAÚDE – Ainda conforme o Uol, a Sesab afirmou que, mesmo com a ampliação de leitos, a fila não para de crescer. Por isso, a gestora em exercício, Tereza Paim, também pediu à sociedade baiana que compreenda a situação. “Hoje, amanhecemos com 337 pessoas de novo aguardando leitos Covid. A gente tem que contabilizar, ir para hospital, sensibilizar a todos, fazendo gestão da alta responsável, da possibilidade de realocar pacientes que estão retirando oxigênio, já em leitos clínicos (...).  A gente clama para a população”, disse.

Ela admitiu a proximidade do colapso. “Estamos no limite dos leitos. A gente segue abrindo leitos, mas todos têm que entender que precisamos de profissionais para esses leitos, precisamos de equipamentos”, lembrou, resaltando a escassez de profissionais e insumos médicos.

Ainda conforme a reportagem, Tereza Paim informou que as cidades com maior alta de taxa de ocupação de leitos estão nas regiões Sul (81%) e Sudoeste (87%) da Bahia e que não há como a mobilização de leitos ocorrer na mesma velocidade do contágio. “Leito desocupado é paciente na ambulância a caminho do leito, senão não teríamos essa fila. Hoje, à espera de leitos clínicos são 224 pessoas. (...) O espalhamento está muito alto e as pessoas estão se contaminando e, progressivamente, contaminando outras pessoas”, explicou.

Desde o início da pandemia, o estado contabiliza 400.802 casos da doença e 12.212 pessoas já perderam a batalha pela vida, em território baiano.



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