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Saúde

Diretor do Hospital de Campanha diz que leitos estão lotados e que medicamentos começam a faltar, em FSA

18 de Março de 2021 | 12h 14
Diretor do Hospital de Campanha diz que leitos estão lotados e que medicamentos começam a faltar, em FSA
Foto: Reprodução

O diretor do Hospital de Campanha de Feira de Santana, Francisco Mota, voltou a manifestar grande preocupação com o rápido aumento do número de casos de Covid-19 no município. Em entrevista ao Acorda Cidade, o médico ressaltou que o cenário é de superlotação de leitos hospitalares e apontou o desrespeito da população às medidas sanitárias e restritivas como principal fator.

Segundo o médico, a situação no Hospital de Campanha não é diferente. Há cerca de três semanas, a unidade registra lotação máxima, tanto nos leitos clínicos quanto nos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Francisco Mota enfatizou que, diariamente, recebe vários pedidos de vagas para transferência de pacientes, mas que não o que fazer, além de negar.

Ao Acorda Cidade, o gestor disse que, somente nesta quarta-feira (17), precisou recusar nove pedidos de leitos de UTI. Apesar disso, observou que o quadro ainda não é de colapso, mas alertou que o risco é iminente. “Em Feira de Santana, a gente ainda não tem colapso. A rede privada está super pressionada, com pouquíssimas vagas. O Hospital de Campanha tem recebido, também, pedidos da rede privada. Mas as UPAs e policlínicas ainda têm dado conta. Quero lembrar que ainda tem ventilador e, se necessário, o paciente com Covid pode ficar intubado nesses locais, aguardando uma vaga”, esclareceu.

Com o crescimento do número de infectados, a situação pode se agravar rapidamente. Isto porque, segundo o médico, a mobilidade hospitalar é lenta, já que doença demanda internações de longo prazo. “O Hospital de Campanha está com uma mobilidade pequena. Temos 44 leitos na enfermaria e a ocupação é de 35. Sempre tem algum doente que complica na enfermaria e tem necessidade de UTI. Naturalmente, vai ser prioridade para quem já está dentro do hospital. Nesse momento, eu posso dizer que estou com, pelo menos, uma vaga na UTI. Tenho doente na enfermaria com indicação de vaga de UTI e não tem vaga agora”, relatou.

Francisco Mota declarou, ainda, que a situação é tão grave que, infelizmente, quando surge uma vaga na UTI, o hospital adota o protocolo usado em todo o mundo: escolher o paciente com mais possibilidades de sobrevivência.

AMPLIAÇÃO DE LEITOS – Recentemente, o prefeito Colbert Martins Filho anunciou a ampliação de vagas no Hospital de Campanha. Seriam instalados cinco novos leitos de UTI. No entanto, de acordo com Francisco Mota, isto ainda não ocorreu. Ele explicou que o atraso se deve a algumas dificuldades, como a demora na entrega de equipamentos hospitalares, a exemplo de ventiladores e bombas de infusão. Também destacou que o hospital, assim como outras unidades de saúde do país, enfrenta problemas com a compra de insumos, como medicamentos específicos para a intubação de pacientes.

“Aumenta o número de pacientes intubados, aumenta a gravidade dos casos. O consumo de medicamentos aumenta. Sedativos para fazer com que o paciente tenha o relaxamento muscular, para que se consiga passar a cânula para intubar o doente. Medicamento, como o clexane, um anticoagulante usado não apenas em doentes de Covid, mas doentes de Covid consomem muito, está em falta no Brasil inteiro. A indústria farmacêutica já disse que o país está começando a ficar desabastecido. Vamos ter uma reunião para discutir essas mudanças de uso de medicação. A situação é realmente de guerra, do Brasil inteiro”, advertiu.

O diretor do Hospital de Campanha chamou a atenção, ainda, para a mudança de perfil da doença, que, hoje, resulta em agravamento do quadro clínico também em pacientes de menor faixa etária, diferentemente do observado no início da pandemia. Ele disse que, atualmente, a média de idade dos pacientes internados na UTI é 50 anos. E salientou que pessoas com 30, 24 e até 22 anos já chegaram à unidade hospitalar em estado grave.

Ainda segundo o Acorda Cidade, Francisco Mota acredita que o aumento dos casos, mesmo com medidas como Toque de Recolher e Lockdown em vigência, também se deve a um afrouxamento na fiscalização. E resaltou que isso precisa corrigido, a fim de que a doença seja controlada.



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