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Saúde

Pico de mortes diárias por Covid-19 pode chegar a 5 mil já no mês de abril, diz estudo

26 de Março de 2021 | 10h 45
Pico de mortes diárias por Covid-19 pode chegar a 5 mil já no mês de abril, diz estudo
Foto: Carlos Madeiro/UOL

Um estudo desenvolvido pela Universidade Federal Fluminense (UFF) estima que o Brasil ainda não vivenciou o pico  de mortes por Covid-19. O prognóstico, para um país que já registra mais de 3 mil óbitos diários, não é nada bom. Nos próximos meses, esse quantitativo pode subir assustadoramente. Segundo a instituição, a projeção indica que 5 mil pessoas pode perder a vida, por complicações decorrentes da doença, a cada 24 horas, entre abril e o começo de maio.

De acordo com o Uol, a pesquisa entende que a Covid-19 segue uma sazonalidade. E que só a vacinação pode evitar que o Brasil atinja essa triste marca. “Aqui, o pico de óbitos será, provavelmente, em abril ou início de maio, com um valor estimado entre 3 mil a 5 mil óbitos diários. O valor real do pico dependerá da velocidade da vacinação, nos próximos meses, e das medidas de distanciamento adotadas”, adverte o professor do Departamento de Estatística, Márcio Watanabe, desenvolvedor o estudo.

Questionado sobre Plano Nacional de Imunização (PNI), o docente diz que há problemas tanto no planejamento quanto na aplicação prática do mesmo. O problema, segundo Watanabe, é que o Ministério da Saúde não dá prioridade às pessoas que têm entre 50 e 60 anos.

O pesquisador explica que indivíduos nessa faixa etária são responsáveis por uma expressiva parcela das internações e mortes. No entanto, no PNI, não aparecem como grupo de risco. “Enquanto o país não vacinar esse grupo de pessoas, e também os idosos e aqueles com comorbidades, ainda teremos um grande número de óbitos”, observa.

Conforme o Uol, Watanabe também alerta para uma possível falha nos planos de combate ao novo coronavírus empreendidos pelos governadores. Ele ressalta que, enquanto a vacinação em massa não ocorrer, apenas as medidas restritivas e de distanciamento social podem conter a disseminação da doença. “É essencial reduzir aglomerações, como ônibus lotados, que têm sido ignorados pelo poder público, ao longo da pandemia”, destaca.

Apresentando uma perspectiva sobre o futuro, o estudo da UFF aponta que é preciso entender a sazonalidade da doença. Só assim será possível fazer um planejamento público de combate eficaz. No entanto, Wattanabe acredita que a Covid-19 deve ficar endêmica na sociedade. “Poderemos conviver com a Covid-19 da mesma forma que convivemos com outras doenças respiratórias, como a pneumonia, quando vacinarmos a grande maioria da população. Mas, mesmo com a vacina, a doença será endêmica, ou seja, sempre haverá casos. Assim, um ponto fundamental para o futuro é a ciência encontrar algum tratamento que seja significativamente eficaz para pacientes hospitalizados com coronavírus”, concluiu.



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