O Brasil alcançou, nesta quinta-feira (29), a assustadora marca
de 400 mil mortos pela Covid-19. Em 24 horas, mais 3.001 novos óbitos foram
registrados, elevando a tragédia nacional ao patamar de 401.186 vidas perdidas
desde o início da pandemia do novo coronavírus no país, em março de 2020.
De acordo com a Agência Brasil, na última quarta-feira (28),
o balanço diário marcava 398.185 vítimas. A este quantitativo ainda não se
somaram as 3.663 mortes em investigação pelas equipes de saúde. Isto porque há
mortes ainda sem diagnóstico, que só são contabilizadas dias após o falecimento
dos pacientes.
O número de pessoas que já contraíram o vírus, no território
brasileiro, também é alarmante. Desde o começo da pandemia, o país atingiu a
marca de 14.590.678 de infectados. Segundo a Agência Brasil, nas últimas 48
horas, as autoridades sanitárias confirmaram 69.389 novos casos positivos de Covid-19.
Na quarta-feira, o painel do Ministério da Saúde marcava
14.521.289 casos acumulados. As informações constam na atualização diária da
pasta, divulgada na noite de ontem. O balanço é elaborado a partir dos dados
sobre casos e mortes levantados pelas autoridades de saúde locais.
O Brasil é o segundo país do mundo no ranking de óbitos pela doença, ficando atrás apenas dos Estados
Unidos, que acumula 574.947 vidas perdidas. Em número de infectados, o Brasil
ocupa a terceira posição, perdendo também para os EUA, que registra 32.272.447
de casos, e para a Índia, que acumula 18.376.524 de contaminados e vivencia,
atualmente, um caos sanitário, com hospitais abarrotados, leitos compartilhados
por até dois doentes, cremações coletivas em locais públicos e óbitos sem
socorro médico.
Conforme a Agência Brasil, o número de pessoas recuperadas,
no Brasil, totalizou 13.152.118. Já a quantidade de pacientes com casos ativos,
em acompanhamento por equipes de saúde, está em 1.037.374.
RANKING ESTADUAL - São Paulo lidera o ranking de estados com mais óbitos por
Covid-19. Até o momento, 95.532 paulistas perderam a batalha contra o novo
coronavírus e suas diversas variantes. Logo atrás está o Rio de Janeiro, com 43.965
mortos. Os dois estados líderes em óbitos são seguidos por Minas Gerais, 33.041
baixas; Rio Grande do Sul, com 24.753 mortes; e Paraná, que já registra 22.229
vidas perdidas. Conforme a Agência Brasil, as unidades federativas com menor
número de mortes pelo vírus são Roraima (1.503), Acre (1.525), Amapá (1.536),
Tocantins (2.529) e Alagoas (4.200).
IMUNIZADOS - Até o início da noite desta
quinta-feira, 57,9 milhões de doses de vacinas haviam sido distribuídos. Deste
total, 41,4 milhões foram aplicados, sendo 28,5 milhões da primeira dose e
12,9 milhões da segunda dose.
REPERCUSSÃO - Dentro e fora do país, a notícia dos 400
mil mortos foi recebida com grande pesar, mas também com críticas à atuação do
Governo Federal na gestão da crise sanitária. Reunidos em assembleia, Eurodeputados
de diversos países que integram a União Europeia apontaram negligência por
parte do presidente Jair Bolsonaro.
Internamente, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde
(Conass) divulgou uma nota lamentando a elevada quantidade de óbitos e imputando
responsabilidades à administração central do país. "O número reflete a dor de
famílias que perderam pais, avós, filhos e irmãos de forma rápida, violenta e,
muitas vezes, solitária. Reflete também erros de condução e a ausência de
coordenação centralizada no nível federal", afirma o documento.
Conforme o comunicado, os secretários estaduais de Saúde
insistem na necessidade de ampliar a vacinação contra a Covid-19 e de uma ampla
campanha de comunicação para destacar a importância das medidas de prevenção,
garantindo adesão à imunização.
O Conselho Nacional de Saúde (CNS), diz a Agência Brasil,
também emitiu nota solidarizando-se com as famílias dos mortos e criticando as
ações do governo Bolsonaro. "A ausência de coordenação nacional, o
desfinanciamento deliberado do Sistema Único de Saúde (SUS) e a negação com
motivação ideológica para compra das vacinas contra a Covid-19, no momento em
que precisávamos ter adquirido, são alguns dos inúmeros motivos que
tornam a atual gestão como a grande responsável pela barbárie que vivemos", aponta
o texto.