Este fim de semana, 10,9 milhões de doses de vacinas contra a
Covid-19 estão sendo disponibilizadas no Brasil. De acordo com a Agência
Brasil, nesta sexta-feira (30), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entregou 6,5
milhões de doses do imunizante da AstraZeneca, elaborado em parceria com a Universidade
de Oxford. Outras 420 mil doses da vacina CoronaVac foram entregues pelo Instituto
Butantan, que está produzindo o antígeno no país, em parceria com a farmacêutica
chinesa Sinovac.
Para este sábado (1º), está prevista a chegada de mais 220
mil doses da vacina da AstraZeneca, importadas por intermédio do consórcio
Covax Facility, aliança internacional entre governos e farmacêuticas, criada
para acelerar o desenvolvimento e a fabricação de imunizantes contra a
Covid-19, garantindo, aos países mais pobres, acesso igualitário à vacinação.
Coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o
programa Covax também entregará, neste domingo (2), outra remessa do imunizante
britânico ao Brasil. O lote com mais de 3,8 milhões de doses será desembarcado
em São Paulo. Com isso, completam-se os 4 milhões de doses previstos para maio,
anunciados pelo Ministério da Saúde.
Conforme a Agência Brasil, o balanço foi apresentado, ontem,
pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante pronunciamento realizado em
Brasília e transmitido pelos canais da pasta. O evento não foi aberto a
questionamentos por parte dos jornalistas.
O ministro enfatizou que, desde a última quarta-feira (28), 17,1
milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 adquiridas pelo governo estão
sendo entregues. Somente no dia 28, foram disponibilizados 5,2 milhões de doses, sendo 5,1
milhões da AstraZeneca/Oxford e 104,8 mil da CoronaVac.
Na quinta-feira (29), 1 milhão de doses do imunizante da
Pfizer chegaram ao país. Elas serão distribuídas a partir da próxima segunda-feira
(3). O Ministério da Saúde informou que essa dinâmica foi definida a pedido de
estados e municípios. Isto porque a vacina da Pfizer demanda estrutura de
armazenamento com temperaturas extremamente baixas.
Por recomendação do fabricante, as doses precisam ser
guardadas em temperatura variável entre 90 e 60 graus Celsius negativos. No
Brasil, no entanto, as doses do fármaco estão estocadas e serão distribuídas em
temperaturas que variam entre 25 e 15 graus Celsius negativos. Nestas condições
de conservação, a vacina se mantém estável por 14 dias.
Em função disso, a orientação do Ministério da Saúde é que sejam
direcionadas, sobretudo, às capitais. Após entrar na Rede de Frio dos estados, onde
as temperaturas de armazenamento variam entre 2 e 8 graus Celsius positivos, os
órgãos de saúde terão um prazo de cinco dias para aplicar as doses.
A agilização da entrega de vacinas, diz a Agência Brasil,
ocorre em meio a dificuldades para obtenção de insumos e à redução do ritmo da
imunização contra a Covid-19. Uma pesquisa divulgada, ontem, pela Confederação
Nacional dos Municípios (CNM) indica que 673 cidades ficaram sem aplicar
vacinas esta semana.
FIOCRUZ - A presidente da Fiocruz, Nísia
Trindade, disse que o instituto atingiu a capacidade de produção de 1 milhão de
doses por dia e que já tem Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) suficiente para
cumprir a primeira parte do acordo feito com o Ministério da Saúde, que prevê a
entrega de 100,4 milhões de doses.
Conforme a Agência Brasil, a gestora enfatizou que foi
finalizada a estrutura para produção do imunizante. Contudo, ainda deverá passar
por processos de análise e certificação pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa).
INTUBAÇÃO - No pronunciamento de ontem, o
ministro da Saúde informou que a pasta vem desenvolvendo protocolos para os
procedimentos, em caso de necessidade de intubação de pacientes. O professor Carlos
Carvalho, da Universidade de São Paulo (USP), que coordena o trabalho, explicou
que as normas devem abarcar as condutas adequadas no processo de intubação,
incluindo o uso racional do oxigênio. "A intubação deve garantir segurança para
paciente e equipe. Haverá um protocolo chamado de sequência rápida de intubação
e um protocolo com medicamentos de analgesia, sedação e relaxantes musculares",
pontuou.
Outro protocolo deve definir o uso de tecnologias para
realizar procedimentos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), por meio do
sistema telessaúde. "Haverá uma parte inicial de treinamento e capacitação da
equipe e de hospitais que estão atendendo na ponta. A partir daí, começaremos a
fazer visitas e discussões diárias para apoiar a assistência que esses
profissionais estão prestando à população", disse o docente.