Após algumas semanas tendendo à estabilidade, as internações
por Covid-19 voltaram a crescer, nos últimos três dias, no estado de São Paulo.
Os dados foram levantados pela plataforma Infotracker, da Universidade de São
Paulo, a pedido do portal de notícias Uol. Os matemáticos do grupo, diz o site,
utilizaram os números disponibilizados pelo governo paulista.
O estudo revelou que, desde a última segunda-feira (3), a
curva de internações vem registrando aumento todos os dias. A maior alta ocorreu
na terça-feira (4), quando 128 pessoas deram entrada em leitos intensivos. "Embora
este não seja um aumento sustentado - o que dependeria de vários dias de
elevação para confirmação -, já se tem a inversão de tendência da curva de
internados, que decresceu ao longo de abril e agora, após a reabertura com a
fase de transição do Plano São Paulo, voltou a ascender", afirmou o matemático Wallace
Casaca.
O pesquisador da USP, que acompanha os dados desde o início da
pandemia, explicou que esse cenário costuma ser o esboço de um agravamento da crise
sanitária. Segundo o Uol, o governo de São Paulo informou que, no estado, a
taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) está em 78,3%.
Na região metropolitana da cidade de São Paulo, o percentual sobe para 76,4%. Nos
meses de março e abril, a ocupação passou de 90%. No total, 10.235 pessoas
estão internadas, atualmente, recebendo tratamento intensivo. No dia 1º de
abril, mais de 13 mil pacientes ocupavam os leitos das UTIs paulistas.
FLEXIBILIZAÇÕES - Apesar de o momento ser crítico no
estado, com a média diária de novos casos voltando a subir, após, somente, uma
semana de queda, o governador João Doria (PSDB), conforme o Uol, não descarta a
ideia de flexibilizar ainda mais os serviços não essenciais, nesta sexta-feira
(7).
Em uma coletiva de imprensa realizada, ontem (5), no Palácio
dos Bandeirantes, o gestor afirmou que tinha "boas notícias" quanto aos
indicadores da pandemia. No entanto, os números da Secretaria de Saúde do
Estado de São Paulo apontaram que o número diário de novos casos subiu para
12.887, na última semana. Isto significa uma alta de 2,5%, em relação à semana passada.
De acordo com Doria, o estado poderia entrar em uma fase
menos restritiva. "Eu devo dizer, baseado nas informações do Centro de
Contingência, que estamos otimistas com relação à evolução do processo.
Evolução positiva do Plano SP, migrando, talvez, para uma fase menos
restritiva, mas só teremos a confirmação definitiva de fato na sexta-feira",
disse.
Segundo o Uol, na semana passada, o estado comemorou, pela
primeira vez em dois meses, a queda em todos os indicadores. O aumento do
número de infectados pelo novo coronavírus, porém, foi registrado pouco mais de
duas semanas depois da implementação da fase de transição do Plano São Paulo.
Para o Centro de Contingência do Coronavírus há uma
explicação. O órgão alega que os dados podem conter represamento, isto é, quando
há demora na contabilização, indicando mais estagnação que retrocesso.
A chamada fase de transição foi anunciada no dia 16 de abril,
após de mais de um mês nas fases vermelha e emergencial, às quais o governo e o
Centro de Contingência creditam as quedas apresentadas até a última semana. Na
etapa atual, as regras são menos rigorosas do que as anteriores, assemelhando-se
muito à fase laranja do Plano São Paulo.
Ouvido pelo Uol, o Centro de Contingência, que tem por função
aconselhar o governo quanto às decisões do plano, afirmou não ver com bons
olhos a possibilidade de ampliação das flexibilizações.
O órgão entende que, diante de uma alta como a de agora, é necessário
analisar mais profundamente os números. "Posso dizer que o fato de haver um
aumento ainda requer um exame mais profundo. porque existe o atraso das
notificações de caso", argumentou, nesta quarta-feira, o médico Paulo Menezes,
coordenador do comitê.
Ele afirmou que, nesse momento, "a situação é de estabilidade"
e que esta semana é crucial para saber se a decisão será ratificada. João
Gabbardo, coordenador-executivo do órgão, também afirmou que os dados precisam
ser avaliados com cautela. E adiantou que não indicam a necessidade de fazer
qualquer retrocesso no plano.
Para Gabbardo, a situação ainda é bastante crítica. "Os
indicadores dessa semana, simplesmente, mostram que houve uma redução na queda
que estávamos apresentando. Eles indicam, para que a população entenda, que
estamos ainda no enfrentamento de uma situação muito grave", advertiu.
Ainda conforme o Uol, especialistas disseram, em entrevista à
Folha de S.Paulo, que a alta de casos acendeu uma luz amarela, de alerta. São
Paulo é o estado brasileiro que mais perdeu vidas para a Covid-19. Atualmente, o
estado contabiliza mais de 98,7 mil
óbitos.