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Saúde

Mucormicose no Brasil: Hospital das Clínicas de SP investiga caso de fungo negro em paciente com Covid-19

03 de Junho de 2021 | 14h 23
Mucormicose no Brasil: Hospital das Clínicas de SP investiga caso de fungo negro em paciente com Covid-19
Foto: Reprodução/BBC News Brasil

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) detectou e está investigando um caso de mucormicose. Também conhecida como fungo negro, a infecção acometeu um paciente de cerca de 30 anos, com histórico de Covid-19.

Apesar de grave (letal em 50% dos casos), a doença causada por diversos tipos de fungos da ordem Mucorales não é transmissível de pessoa a pessoa. Ao portal iG Saúde, o clínico-geral Lucas Bifano, que atuou na linha de frente do combate à Covid-19, disse que o contágio costuma ocorrer via inalação dos esporos liberados pelo micro-organismo. Em uma minoria dos casos, entra no corpo humano através de alguma laceração na pele.

Rara, de difícil diagnóstico, a doença produz lesões necróticas no nariz e no palato. Em geral, esses sintomas são seguidos de secreção purulenta nasal, febre e sinais inflamatórios na região dos olhos, a exemplo de dor, inchaço e vermelhidão. O médico explicou, ainda, que também pode haver evolução para sintomas do Sistema Nervoso Central (SNC) e pulmonares. Neste caso, é comum a ocorrência de tosse com secreção, febre alta e falta de ar.

Recentemente, a índia registrou um surto de mucormicose associado, também, a pacientes internados por complicações causadas pelo novo coronavírus. De acordo com a Agência Brasil, no país asiático, que vivencia uma epidemia brutal de Covid-19, milhares de pessoas foram infectadas pelo fungo negro.

O agente infeccioso costuma ser encontrado em ambientes quentes e úmidos. E, conforme o secretário estadual de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afeta, principalmente, pacientes com o mecanismo de defesa do organismo comprometido por problemas de saúde ou imunossuprimidos por uso de medicamentos que reduzem a capacidade do corpo de combater germes e outros antígenos. "É uma doença muito grave e que acomete, em especial, pacientes com baixa imunidade. Infelizmente, o fato de se usar corticoides em altas doses acaba provocando ocorrência em um ou outro paciente", esclareceu, nesta quarta-feira (2).

SITUAÇÃO NO BRASIL - O gestor enfatizou que o fungo negro é incomum no Brasil. No entanto, somente em 2021, o país já registrou 29 casos da doença. Na última terça-feira (1º), a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) confirmou uma ocorrência em Manaus. O paciente era um homem de 56 anos, com histórico de diabetes tipo 2. Ele foi internado no dia 12 de abril, evoluindo a óbito quatro dias depois, no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio.

Segundo a Agência Brasil, o homem havia recebido a primeira dose da CoronaVac, imunizante contra a Covid-19, no dia 1º de abril. Dias depois, apresentou sintomas gripais. O teste de RT-PCR não detectou a presença do novo coronavírus em seu organismo. A sintomatologia apontava um prurido no olho direito, que evoluiu para uma infecção local. Após a confirmação do caso, um alerta foi emitido para os médicos que atendem pacientes com Covid-19 e diabetes no estado do Amazonas.

TRÊS CASOS EM UMA SEMANA - Outra ocorrência suspeita de mucormicose foi identificada no Mato Grosso do Sul. Diabético, o paciente também é hipertenso e testou positivo para Covid-19. A Secretaria de Saúde do estado notificou que o homem, de 71 anos, apresenta infecção no olho esquerdo. Este é o terceiro caso suspeito, desde a semana passada. Também foi registrada uma possível contaminação pelo fungo negro em Santa Catarina, em um paciente acometido pelo vírus SARS-CoV-2.

O médico Marcus Guerra, diretor-presidente da FMT-HVD, salientou que, apesar de o fungo poder se aproveitar da Covid-19 para se desenvolver, é baixa a possibilidade de um surto da doença no Brasil, como ocorre na Índia.

Para evitar contrair a doença, a recomendação é higienizar bem os alimentos e usar sempre luvas e máscaras na hora de limpar ambientes úmidos. De acordo com o especialista, o sucesso do tratamento contra o fungo negro depende da condição de saúde prévia do paciente e da administração correta de medicamentos intravenosos. Em geral, também é preciso realizar cirurgia para retirar a parte afetada pelo microrganismo.



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