O deputado Luís
Miranda (DEM-DF) afirmou, em entrevista ao portal de notícias CNN
Brasil, que Jair Bolsonaro sabia que "tinha crime" na compra do imunizante
Covaxin, produzido pela farmacêutica indiana Bharat Biotech. O parlamentar
garantiu que levou, pessoalmente, ao presidente, "provas
contundentes" de irregularidades nas negociações para a compra do antígeno
contra a Covid-19. "O presidente sabia que tinha crime naquilo", assegurou.
Conforme a CNN, Miranda informou que seu irmão, Luis Ricardo
Fernandes Miranda, por ser servidor do Ministério da Saúde, tomou conhecimento
dos problemas. E que, após se reunir com o presidente, o mesmo ficou "convencido"
da fraude, tendo se comprometido a acionar "imediatamente" a Polícia Federal
(PF). "Entreguei a Bolsonaro. O caso não é só de pressão. É gravíssimo: tem
desvio de conduta, invoice irregular, pedido de pagamento antecipado que o
contrato não previa, quantidades diferentes", relatou.
O deputado enfatizou, ainda, que decidiu ir a Jair Bolsonaro
porque o irmão vinha sofrendo retaliação por não concordar em anuir com as
tratativas, tendo sido exonerado de um cargo de confiança. Segundo o deputado, o
irmão só retomou o posto depois que ele procurou, diretamente, o então ministro
Eduardo Pazuello. "Quando eu vi que o caso era grave e vi que poderiam ter
pessoas envolvidas do alto escalão, fui direto no presidente. Fiz a pedido do
meu irmão, que não confiava em ninguém e estava com medo", frisou.
O encontro com o presidente teria ocorrido no dia 20 de março,
de acordo com Miranda. O parlamentar contou à CNN que levou a Bolsonaro
uma série de documentos, para que não houvesse dúvidas sobre a acusação. "Relatos?
Ele não ia acreditar em mim, não. Os amigos dele que estão lá dentro, ué. Levei
provas contundentes. Ele se convenceu e ficou de chamar o DG (diretor-geral da
Polícia Federal)", afirmou.
Conforme Luís Miranda, o grupo econômico encarregado das
negociações para trazer a Covaxin ao Brasil já se envolveu em outros problemas
e que sua pauta é de combate à corrupção. "Qual a minha plataforma? Minha plataforma
é segurança pública e combate à corrupção. Tem vários parlamentares que têm
essa plataforma. Plataforma política, de vida, de tudo. Quem é o cara que tem a
mesma plataforma que a gente e está no executivo? O Bolsonaro", destacou.
Segundo a CNN, o depoimento dos irmãos Miranda já está
previsto na CPI da Pandemia. Senadores que compõem a comissão afirmaram, ao
portal de notícias, que já foram avisados da disposição de Miranda de
relatar as irregularidades e os avisos feitos diretamente ao presidente.
O Palácio do Planalto e o Ministério da Saúde ainda não se
manifestaram. Por meio de nota, a Precisa
Medicamentos alegou a que as tratativas com a pasta da Saúde
seguiram os caminhos formais e que foram realizadas de forma transparente.
Sobre o valor da vacina, a empresa disse à CNN que foi o mesmo cobrado dos
governos de outros 13 países.