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Política

Deputado diz que levou a Bolsonaro "provas" de ilicitude na compra da Covaxin

23 de Junho de 2021 | 13h 47
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Deputado diz que levou a Bolsonaro
Foto: Isac Nóbrega/PR

O deputado Luís Miranda (DEM-DF) afirmou, em entrevista ao portal de notícias CNN Brasil, que Jair Bolsonaro sabia que "tinha crime" na compra do imunizante Covaxin, produzido pela farmacêutica indiana Bharat Biotech. O parlamentar garantiu que levou, pessoalmente, ao presidente, "provas contundentes" de irregularidades nas negociações para a compra do antígeno contra a Covid-19. "O presidente sabia que tinha crime naquilo", assegurou.

Conforme a CNN, Miranda informou que seu irmão, Luis Ricardo Fernandes Miranda, por ser servidor do Ministério da Saúde, tomou conhecimento dos problemas. E que, após se reunir com o presidente, o mesmo ficou "convencido" da fraude, tendo se comprometido a acionar "imediatamente" a Polícia Federal (PF). "Entreguei a Bolsonaro. O caso não é só de pressão. É gravíssimo: tem desvio de conduta, invoice irregular, pedido de pagamento antecipado que o contrato não previa, quantidades diferentes", relatou.

O deputado enfatizou, ainda, que decidiu ir a Jair Bolsonaro porque o irmão vinha sofrendo retaliação por não concordar em anuir com as tratativas, tendo sido exonerado de um cargo de confiança. Segundo o deputado, o irmão só retomou o posto depois que ele procurou, diretamente, o então ministro Eduardo Pazuello. "Quando eu vi que o caso era grave e vi que poderiam ter pessoas envolvidas do alto escalão, fui direto no presidente. Fiz a pedido do meu irmão, que não confiava em ninguém e estava com medo", frisou.

O encontro com o presidente teria ocorrido no dia 20 de março, de acordo com Miranda. O parlamentar contou à CNN que levou a Bolsonaro uma série de documentos, para que não houvesse dúvidas sobre a acusação. "Relatos? Ele não ia acreditar em mim, não. Os amigos dele que estão lá dentro, ué. Levei provas contundentes. Ele se convenceu e ficou de chamar o DG (diretor-geral da Polícia Federal)", afirmou.

Conforme Luís Miranda, o grupo econômico encarregado das negociações para trazer a Covaxin ao Brasil já se envolveu em outros problemas e que sua pauta é de combate à corrupção. "Qual a minha plataforma? Minha plataforma é segurança pública e combate à corrupção. Tem vários parlamentares que têm essa plataforma. Plataforma política, de vida, de tudo. Quem é o cara que tem a mesma plataforma que a gente e está no executivo? O Bolsonaro", destacou.

Segundo a CNN, o depoimento dos irmãos Miranda já está previsto na CPI da Pandemia. Senadores que compõem a comissão afirmaram, ao portal de notícias, que já foram avisados da disposição de Miranda de relatar as irregularidades e os avisos feitos diretamente ao presidente.

O Palácio do Planalto e o Ministério da Saúde ainda não se manifestaram. Por meio de nota, a Precisa Medicamentos alegou a que as tratativas com a pasta da Saúde seguiram os caminhos formais e que foram realizadas de forma transparente. Sobre o valor da vacina, a empresa disse à CNN que foi o mesmo cobrado dos governos de outros 13 países.



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