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Saúde

Covax corta previsão de vacinas para América Latina; decisão pode afetar o Brasil

24 de Junho de 2021 | 09h 19
Covax corta previsão de vacinas para América Latina; decisão pode afetar o Brasil
Foto: Ragul Krishnan/Unicef

A Covax Facility, aliança internacional criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para acelerar o desenvolvimento e a fabricação de imunizantes contra a Covid-19, garantindo acesso igualitário aos países mais pobres, cortou, radicalmente, a previsão de entrega de vacinas para os países da América Latina. De acordo com Jamil Chade, colunista do portal de notícias Uol, a medida pode afetar o Brasil.

O país mais assolado, no bloco, pela pandemia (é o segundo, no continente), cujo número de mortos já ultrapassa a casa dos 507 mil, esperava receber 10 milhões de doses do consórcio até o final do primeiro semestre. Até o momento, as entregas somaram 60% dessa previsão para o país.

Segundo Chade, em janeiro de 2021, a entidade publicou a estimativa de que 95 milhões de doses estariam nos países da região até o final de junho. Agora, a administração da Covax prevê, apenas, o envio de 25 milhões de doses.

Para julho, a previsão original indicava um total acumulado de 125 milhões de doses de vacinas contra o novo coronavírus para a região. Na nova previsão, o quantitativo de doses caiu para uma fração do montante previsto inicialmente: 30 milhões. E a escassez vai continuar, diz o articulista.

Em setembro, o consórcio entre governos e farmacêuticas previa distribuir 185 milhões de doses para a América Latina. Atualmente, a projeção da Covax indica um total acumulado de 60 milhões de unidades para a região.

Ao final de 2021, a entidade estima que terá entregado 180 milhões de doses ao bloco. Conforme Jamil Chade, esta quantidade indica um corte de 100 milhões de doses, em relação ao que se imaginava no começo do ano.

Ele destaca que o volume ganhará ritmo somente em 2022, quando a região chegará a março com 235 milhões de doses. No entanto, não terá atingindo as metas estipuladas nem para o final de 2021.

Em fevereiro, o governo e a OMS indicaram que o Brasil receberia 10 milhões de doses até junho. Em um comunicado emitido no dia 15 deste mês, o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que também coordena o projeto, confirmou que pouco mais de 5,9 milhões de doses já tinham sido fornecidas ao país e que outras 4 milhões viriam "nas próximas semanas". No entanto, segundo o articulista, não há qualquer referência sobre datas, no documento.

Escassez global - Os dados da Covax Facility mostram, entretanto, que a escassez de imunizantes não se limita à América Latina. Conforme Chade, a OMS já vinha alertando que o acúmulo de doses nos países ricos implicaria no "fracasso moral" da distribuição de vacinas.

Na escala global, o corte de doses é brutal. Para agosto, a previsão inicial era de que o mecanismo tivesse distribuído 1 bilhão de doses aos países mais pobres. No entanto, pelo novo calendário, apenas 340 milhões de unidades serão entregues.

A disparidade entre o plano original e a nova previsão deve diminuir até o final de 2021. Mesmo assim, as metas originais não serão alcançadas, diz o articulista. A OMS planejava distribuir 2,2 bilhões de doses para o mundo em desenvolvimento até o mês de dezembro. A nova previsão, porém, indica um total de 1,8 bilhão. Deste quantitativo, os 92 países mais pobres terão 1,5 bilhão de doses. E o Brasil não faz parte da lista.



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