O Ministério da Saúde informou, nesta quinta-feira
(8), que não recomenda a combinação de vacinas contra a Covid-19 para nenhum
público. De acordo com o portal de notícias Metrópoles, a orientação a estados
e municípios é não utilizar imunizantes produzidos por farmacêuticas diferentes
para completar o esquema vacinal.
A informação foi repassada à imprensa durante coletiva realizada
na sede do órgão. Na ocasião, o ministro Marcelo Queiroga anunciou a retomada
da vacinação de grávidas e puérperas sem comorbidades. E ressaltou que a mescla
de fármacos de laboratórios distintos não é considerada segura.
Segundo o gestor, "estudos de intercambialidade estão sendo
realizados, mas ainda não são suficientes para tomar essa decisão como uma
estratégia de saúde pública". Ele afirmou, ainda, que o Programa Nacional de
Imunização (PNI), apoiado pela câmara técnica, adotará a medida quando houver
mais estudos.
A administração de doses produzidas por farmacêuticas diferentes,
diz o Metrópoles, chegou a ocorrer, em pacientes grávidas, no Rio de Janeiro e
no Ceará. A norma foi adotada em maio, após o Ministério da Saúde suspender a
vacinação de gestantes e puérperas com o antígeno elaborado pela companhia britânica
AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford.
A proibição do uso do fármaco, neste público-alvo, foi
determinada após uma mulher de 35 anos morrer depois de receber a primeira dose
da vacina inglesa. Na época, a pasta também suspendeu a imunização de grávidas
e puérperas sem comorbidades. O grupo, considerado prioritário pelo PNI, foi
proibido de receber qualquer vacina contra o novo coronavírus. Apenas gestantes
com doenças pré-existentes foram autorizadas a participar da campanha de
imunização.
Segundo o Metrópoles, Marcelo Queiroga criticou, de forma incisiva,
o "mix de vacinas" e salientou que a medida gera riscos à vida dos pacientes.
"O primeiro objetivo é garantir a segurança em relação a qualquer estratégia de
segurança. Essa estratégia vai garantir a segurança das pessoas? Se não for
seguro, nós não faremos", ponderou.
Retomada
da imunização - Ontem
(7), O Ministério da Saúde voltou a recomendar a imunização de gestantes
sem comorbidades. No entanto, as mulheres nesta condição só podem ser
imunizadas com dois dos quatro imunizantes disponíveis no país: o CoronaVac,
criado pelo laboratório chinês Sinovac Biotech
e produzido no Brasil pelo Instituto Butantan; e o antígeno elaborado pela farmacêutica
norte-america Pfizer em parceria com a holding alemã BioNTech.
O secretário de Atenção Primária à Saúde do órgão, Raphael
Câmara Parente, explicou que vacinas produzidas com a técnica de adenovírus não
replicante, como a AstraZeneca e a Janssen, podem causar reações adversas
em grávidas. "O vírus vivo atenuado pode provocar infecção. É muito importante
a imprensa e a sociedade entenderem que, com grávidas, é preciso ter cuidado
extremo, cautela máxima, excesso de zelo e avaliação de risco e benefício",
argumentou.
Conforme Câmara Parente, a porcentagem de letalidade por
Covid-19 no Brasil em gestantes infectadas pelo coronavírus é de 10%. Ele disse
que o índice é considerado alto e , por isso, a pasta decidiu seguir com a
imunização desse público.
Na avaliação do ministro Marcelo Queiroga, o benefício da
vacinação supera os eventuais riscos. "Após a análise dos dados de todas que
foram vacinadas e do debate amplo dos cientistas e dos pesquisadores, e também
dos próprios dados, houve o entendimento de se voltar as vacinas das gestantes
sem comorbidades. Entendemos que não há porque suspender a vacinação", alegou.
Ainda segundo o Metrópoles, para as gestantes que chegaram a receber a primeira dose da vacina AstraZeneca, a recomendação do Ministério da Saúde é de que o reforço seja aplicado após o fim do puerpério, isto é, 45 dias após o parto. A imunização deve ser feita com o fármaco do mesmo laboratório.