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Saúde

Variante de Manaus pode ser mais resistente à CoronaVac e em quem já teve Covid-19, diz estudo

09 de Julho de 2021 | 12h 42
Variante de Manaus pode ser mais resistente à CoronaVac e em quem já teve Covid-19, diz estudo
Foto: Nelson Almeida/AFP

A variante do novo coronavírus identificada como P.1 é mais resistente à produção de anticorpos neutralizantes, isto é, aqueles capazes de se ligar ao vírus e impedir que ele infecte outras células, em pessoas que tiveram Covid-19 e também nas que foram vacinadas com o imunizante CoronaVac, elaborado pela farmacêutica chinesa Sinovac Biothec e produzido no Brasil pelo Instituto Butantan. É o que diz um estudo desenvolvido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Detectada, pela primeira vez, em Manaus, em janeiro de 2021, a cepa também conhecida como Gama vem sendo apontada, por especialistas, como uma das mais contagiosas e potencialmente perigosas. Por isso, a pesquisa, que foi publicada na revista The Lancet Microbe e apresentada no Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas (ECCMID), funciona como uma espécie de alerta.

De acordo com José Luiz Proença-Módena, pesquisador do Laboratório de Vírus Emergentes da Unicamp e principal autor do estudo, é preciso dar continuidade à manutenção das medidas de proteção individuais e coletivas, como uso de máscaras e o distanciamento social, enquanto boa parte da população não for imunizada.

A escolha da CoronaVac como objeto da pesquisa se deu em função do fato de ser o antígeno mais utilizado na imunização dos brasileiros. No entanto, de acordo com o jornal O Globo, o cientista esclarece que o resultado obtido não quer dizer que a vacina não seja um método eficaz de controle das formas graves da doença provocada pelo vírus.

Ele salienta que o estudo não avalia a eficácia do fármaco. E destacou que a resposta imunológica de uma pessoa vacinada com a CoronaVac é muito maior que só a medida por anticorpos. "Esse não é um estudo que avalia eficácia", lembra.

Proença-Módena explica, ainda, que o trabalho é "um estudo in vitro, exploratório, que mimetiza, em laboratório, uma parte da resposta imunológica". Também que foca em uma importante parte do arsenal imunológico, a fabricação de anticorpos neutralizantes.

Conforme o Correio Braziliense, para verificar a resposta da cepa P.1 à vacina e à infecção prévia pelo vírus Sars-CoV-2, a equipe da universidade utilizou amostras de sangue de 53 pessoas imunizadas com a CoronaVac, 18 delas com dose única; 20 com as duas doses aplicadas pelo Programa Nacional de Imunização; e 15 com as duas doses administradas enquanto participantes de estudo clínico. Os cientistas também testaram amostras de 21 pessoas que tiveram Covid-19 no início da pandemia.

Os resultados são claros: ao expor as amostras à variante P.1, os pesquisadores observaram que, tanto no caso das pessoas que receberam uma dose quanto no das que não haviam sido vacinadas, mas que já haviam contraído a doença, não houve produção de anticorpos neutralizantes.

Também foi constatado que a variante de Manaus ainda era sensível aos anticorpos no plasma daqueles que receberam duas doses. Entretanto, conforme o pesquisador, a produção foi menor, especialmente quando comparada à resposta da variante B, linhagem da qual fazem parte as cepas do Reino Unido (B.1.1.7) e da África do Sul (B.1.351), mais predominantes no país antes do surgimento da P.1.

Diante dos dados, Módena reforça que a transmissão é uma realidade que precisa de atenção, mesmo depois de completado o esquema vacinal. "Isso significa que a vacina não é eficaz? Não. Mas significa que uma pessoa vacinada ou que já teve Covid pode se infectar e transmitir o vírus para outras pessoas", observa.

O especialista ressalta, ainda, que ambientes com grande quantidade de pessoas desprotegidas são propícios não apenas à transmissão do vírus, mas também ao surgimento de novas mutações. "O alerta é claro: em um momento em que só temos uma parte da população vacinada, temos de continuar a adotar as medidas de proteção. Não usar máscara e aglomerar gera um ambiente ótimo para selecionar novas variantes", adverte.

EFETIVIDADE DA CORONAVAC - Segundo o Correio Braziliense, no mesmo congresso, pesquisadores da Turquia atestaram a efetividade da CoronaVac em um grupo de 10.029 adultos. A pesquisa de fase 2, publicada na revista The Lancet, mostrou que a vacina é 83% eficaz na proteção contra as infecções sintomáticas, após duas doses, prevenindo em 100% as hospitalizações.

O ensaio clínico duplo-cego, randomizado e controlado por placebo, envolveu 10.029 adultos de 18 a 59 anos atendidos em 24 centros na Turquia e divididos em grupos para receber duas doses (6.559), com 14 dias de intervalo, ou placebo (3.470). A média de idade foi de 45 anos, 57,8% eram do sexo masculino, 36% eram profissionais de saúde e 15,6% eram obesos.

Em menos de 14 dias após a segunda dose, ocorreram 41 casos de Covid-19 sintomáticos: nove no grupo da vacina e 32 no grupo que recebeu placebo. Não houve casos fatais. Foram registradas seis hospitalizações no grupo do placebo e nenhuma no da vacina.

Conforme o site, os ensaios imunológicos foram realizados em um subconjunto do grupo de estudo. A análise está em andamento. Todavia, os resultados iniciais mostram que 89,7% dos receptores da CoronaVac desenvolveram anticorpos contra a proteína spike do Sars-CoV-2. Os pesquisadores da Universidade de Hacettene, situada na capital Ancara, destacam que é preciso repetir os testes com as novas variantes do vírus.



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