A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou os ataques
terroristas no Afeganistão, nesta quinta-feira (26), e pediu punição judicial para
os responsáveis pelo que chamou de "carnificina" programada.
De acordo com o jornalista Jamil Chade, correspondente do portal de notícias Uol na Europa, autoridades
da capital Cabul anunciaram, oficialmente, nesta sexta-feira (27), que o número
de mortos ultrapassa a marca de 108 pessoas. Relatos extraoficiais recebidos pela entidade dão conta, no
entanto, que o quantitativo de vítimas supera a casa dos 110.
O Ministério da Saúde do Afeganistão confirmou, hoje, a existência
de, pelo menos, 95 vítimas. O número inclui 72 civis e 13 militares norte-americanos.
Segundo Chade, um oficial de saúde e um oficial do Talibã também disseram que 28
membros da facção
fundamentalista que rendeu Cabul no último dia 15 estão entre os mortos. Não
se sabe ao certo, mas o total de feridos graves é bastante elevado.
A autoria do atentado que resultou em duas explosões nas
proximidades do aeroporto da capital afegã - único território ainda não
controlado pelo Talibã, uma vez que permanece sob a administração das tropas
estadunidenses - foi reivindicado pelo Estado Islâmico, organização terrorista
de caráter jihadista islamita, criada após a invasão do Iraque, pelos Estados
Unidos, em 2003.
Conforme o próprio grupo, o objetivo era atingir as tropas norte-americanas
e seus aliados afegãos. O articulista Jamil Chade reportou que, hoje pela
manhã, o porta-voz da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville,
classificou a ofensiva como assombrosa. "O ataque terrorista de ontem no
aeroporto de Cabul foi uma ação horrenda da ISIL-Khorasan", disse.
Para os EUA, o atentado representou a pior perda de homens em
um único dia, no Afeganistão, em mais de uma década. "O ataque foi claramente
calculado para matar e mutilar o maior número possível de pessoas: civis -
crianças, mulheres, pais, mães -, assim como talibãs e forças estrangeiras que
protegem o aeroporto", destacou Colville.
Na opinião do representante da ONU, o alcance destrutivo da
ação foi intencional. "O ataque foi especificamente projetado para causar a
carnificina, e causou a carnificina. Foi um ataque hediondo contra civis
desesperados, e esperamos que os responsáveis sejam pegos e levados à justiça o
mais rápido possível", almejou.
Ainda conforme o articulista do Uol, a ONU já reconheceu que o
Talibã "controla grande parte" do Afeganistão. E, para a entidade, a situação é
extremamente preocupante. Isto porque, sem acesso ao país, há um risco iminente
de desabastecimento, principalmente de remédios. "Só temos suprimentos para
mais alguns dias", admitiu a divisão humanitária do órgão internacional.