O homem e seu habitat é o tema da nova exposição do
artista plástico argentino Jorge Galeano, cujo vernissage acontece, nesta
quinta-feira (9), a partir das 20h, na loja Emoldurar. O espaço está localizado
na Rua Nova York, 199, bairro Santa Mônica, em Feira de Santana, cidade que, há
35 anos, o pintor escolheu para fincar raízes e retratar a exuberância de suas
paisagens interiores.
Nas imediações do bairro Pampalona, Galeano criou uma espécie
de microcosmo. Sua casa-jardim é fonte inesgotável de inspiração. Ao mesmo
tempo, um espelho do que ele gostaria que fosse o mundo e um refúgio contra a
aridez que o cerca. É a partir desse pequeno oásis, espaço demarcado pela
simplicidade e pela leveza, que ele lança no mundo suas ideias cromáticas.
O intuito se confunde com o papel da arte. Nas suas próprias
palavras, pintar é uma forma de "tentar melhorar a existência". Sua arte,
portanto, deriva do desejo de abrir os olhos humanos à urgente necessidade de se
preservar a natureza e de se promover uma coabitação harmônica entre todos os seres
vivos.
Por meio de suas telas, Galeano denuncia, incansavelmente, a
sistemática destruição da fauna e da flora. "A natureza sempre foi minha
inspiração. Sofro com a devastação dela e com a ocupação desordenada dos
centros urbanos", lamenta.
Por isso, a paisagem ora se mostra colorida e abundante, ora
aparece encolhida em pequenos nichos tropicais acossados pela errônea ideia de
progresso que assombra a nossa sociedade.
Como um mecanismo que busca a reversão desse cenário
predatório, o artista, ao longo de toda a sua carreira, trabalha temas ligados
ao seu próprio cotidiano e estilo de vida, sempre permeados pela preservação
ambiental, pela sustentabilidade e pela mobilidade urbana.
Nas 13 telas que compõem a nova exposição, o desígnio não é diferente,
muito embora a originalidade seja uma das características mais marcantes do
trabalho de Galeano, em quaisquer de suas fases. Formado pela Escola de Belas
Artes de Buenos Aires, ele é reconhecido internacionalmente como artista
multifacetado, que trabalha os mais diversos suportes, técnicas e materiais com
singular domínio.
PANDEMIA - Todas as obras que integram a nova
mostra, realizadas em vários formatos e pintadas em acrílico, foram concebidas
durante a pandemia de Covid-19, crise sanitária que isolou e distanciou
fisicamente a humanidade.
Galeano, no entanto, transformou a solidão viral em cores e imagens
vibrantes e envolventes, habitadas por personagens instigantes, seres míticos, pássaros
e outros animais cotidianos que enfeitam a vivência humana, todos brotados de
suas interações cognitivas, da inevitável fusão de suas raízes culturais de
influência andina com o vasto imaginário sertanejo ao qual se permitiu integrar.
Galeano diz que não se deixou intimidar por esses tempos tão
difíceis. Sabe que as forças que conduzem o mundo nunca facilitaram a sobrevivência
do artista. Por isso mesmo, declara que a arte sempre encontra uma maneira de
escapar dos alçapões erguidos, há muito, pelo mercantilismo. "Talvez essa seja
a clave da criação. Quanto mais difícil, maior a originalidade", pondera.
Artista inquieto, versátil e plural, Jorge Galeano acumula, em
seu currículo, um expressivo número de premiações, exposições individuais e
coletivas, bienais, obras públicas, cursos, oficinas e publicações. Sua nova
exposição fica em cartaz por curto período de tempo. Será encerrada no próximo
sábado (11). Todas as telas estarão à venda e poderão ser apreciadas, pelo
público, em horário comercial.