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Saúde

Brasil está prestes a recuperar certificado de eliminação do sarampo

10 de Dezembro de 2023 | 12h 37
Brasil está prestes a recuperar certificado de eliminação do sarampo
Foto: OMS/ONU

O Brasil deve recuperar, nos próximos meses, seu certificado de eliminação do sarampo. A afirmação foi feita, neste sábado (9), pelo diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, durante seminário sobre vacinação, realizado na Academia Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro.

Segundo o gestor, há um ano, não se registra casos da doença em território nacional. “O Brasil já se encontra, há um ano, sem nenhum caso novo diagnosticado, o que nos permite, também, ter uma esperança muito grande de que, nos próximos meses. a comissão de verificação possa certificar novamente o país”, observou.

De acordo com a Agência Brasil, o país recebeu certificado de eliminação do sarampo, concedido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2016. No entanto, acabou perdendo o título, em 2019, devido a um surto da doença.

Jarbas Barbosa ressaltou que as Américas foram o primeiro continente a receber um certificado regional de eliminação da doença, mas surtos ocorridos tanto no Brasil quanto na Venezuela, que também perdeu o documento em 2019, fizeram com que a certificação regional fosse suspensa, em 2018.

Uma comissão da Opas verificou, recentemente, que a Venezuela interrompeu a transmissão da virose. Agora, falta apenas o Brasil para que o continente possa, novamente, ser considerada região livre do sarampo.

Cobertura vacinal A circulação do vírus do sarampo pode ser evitada com a imunização em massa da população. Conforme a Agência Brasil, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, que também participou do seminário, disse que, desde 2016, o Brasil enfrenta o fenômeno da hesitação vacinal. Isto por causa de campanhas de desinformação, que fizeram e seguem fazendo com que a população deixe de buscar a imunização. A consequência é a queda da cobertura vacinal.

No entanto, conforme a gestora, dados preliminares levantados pelo Ministério da Saúde mostram que a cobertura vacinal voltou, este ano, a aumentar no país. “Temos clareza de que muito trabalho há que ser feito”, disse.

Nísia Trindade lembrou que o Governo Federal vem atuando contra a desinformação. “Nós instituímos uma plataforma, Saúde com Ciência, como estratégia de governo, interministerial, para esclarecer à população e também identificar práticas criminosas de desinformação, de disseminação de notícias falsas”, destacou.

Ainda conforme a Agência Brasil, Jarbas Barbosa advertiu que os governos dos diversos países precisam monitorar, todos os dias, e desmistificar boatos que surgem contra as vacinas nas redes sociais. "As desinformações estão, praticamente, todos os dias nas redes sociais. Então, uma campanha de esclarecimento anual não tem muito papel. O que temos procurado é estimular os países a ter um monitoramento diário de redes sociais, de não deixar nenhum boato, rumor ou desinformação sem resposta apropriada, porque isso é como uma bola de neve, que vai crescendo. E, sem dúvida nenhuma, que vai fazer com que as pessoas percam a confiança na vacina", avaliou.

Para o diretor da Opas, além de combater as notícias falsas, é necessário adotar outras medidas, visando ampliar o alcance da vacinação. Como exemplos, ele citou a sensibilização os profissionais de saúde, o monitoramento das coberturas vacinais e a ampliação da oferta em alguns lugares.

Barbosa também apontou a dificuldade de vacinar crianças em áreas violentas das grandes cidades. E destacou ser necessário ampliar o horário de atendimento dos postos de vacinação, de modo que fique mais fácil para os trabalhadores levar os filhos para serem imunizados. Assim é possível evitar áreas de pouca imunização. "Precisamos identificar bairro por bairro, e não trabalhar com a média de cobertura de uma cidade. A média de cobertura de uma cidade como o Rio de Janeiro não nos conta nada. A média pode ser adequada, mas temos, em várias áreas, uma cobertura muito baixa. Então, precisamos ter novos sistemas  para analisar os dados, identificar as barreiras e adotar estratégias para superá-las", frisou.



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