Embora considerada elevada, R$ 5,40 no cartão Via Feira, sendo mais cara que em sete capitais do Nordeste (menor apenas que a de Salvador e empate com Fortaleza), a tarifa de ônibus em Feira de Santana não é considerada pelos usuários do serviço como o maior de todos os problemas por eles enfrentados. É o que demonstra uma enquete realizada pelo portal "Acorda Cidade", que registrou a participação de 860 passageiros, entre os dias 15 e 18 deste mês. O veículo perguntou "qual é o maior problema do transporte público" local.
As duas respostas mais citadas foram “estrutura precária”, com 28%, e “Poucos ônibus”, 25%. "Valor da passagem" ficou em terceiro lugar, 19%. Outros destaques foram "atraso", com 15% e "superlotação", 13%. Somados os votos, 81% dos passageiros não consideram o valor da tarifa como a coisa mais grave no sistema de transporte público de Feira. Um dado que deve ser muito bem analisado pelas empresas de ônibus e pela Secretaria Municipal de Mobilidade, dirigida pelo experiente Rodolfo Suzart Júnior, com vista à adoção de medidas.
Levantamento da TRIBUNA FEIRENSE revela que a passagem de ônibus urbano em Feira não é apenas maior que sete das nove capitais nordestinas (Recife, São Luiz, Natal, João Pessoa, Aracaju, Terezina e Maceió), conforme valores da tabela abaixo. Também é a mais alta dentre várias das grandes cidades do interior desta região, Jaboatão dos Guararapes, Caruaru e Petrolina (Pernambuco), Campina Grande (Paraiba), Vitória da Conquista e Juazeiro (Bahia), Sobral (Ceará) e Imperatriz (Maranhão).
Não se deve imaginar, em razão das respostas dos usuários, na enquete do "Acorda Cidade", com usuários elegendo outras prioridades, antes do valor da passagem em vigor, que esta é uma queixa de menor importância. O problema tem relevância, é claro, mas está em um terceiro plano quando o passageiro se vê na decisão de escolher qual a mais grave das várias deficiências. Conscientemente, ele defende a sua segurança, na utilização do serviço. Por isto, coloca a precariedade dos veículos como sua primeira preocupação.
Grosso modo, os números da enquete do excelente portal feirense, maior do interior da Bahia, revelam que, embora paguem caro (veja o comparativo em tabela a seguir), os usuários do transporte de ônibus em Feira de Santana até aceitam, ou se conformam, com a tarifa elevada. Mas reivindicam mais qualidade.
A "estrutura precária" está relacionada às condições físicas dos ônibus, a quebradeira em pleno cumprimento de linhas, poltronas desconfortáveis, veículos velhos e sujos. "Poucos ônibus" remete a uma outra deficiência crônica, a frota menor do que o tamanho da cidade exige. "Atraso", também autoexplicativo, e absurdo ainda maior, representa o atropelo dos horários, que faz com que tantas pessoas sejam prejudicadas na chegada ou retorno ao trabalho e às aulas.