Em anos passados as movimentações eleitorais só ganhavam o noticiário depois do Carnaval. Aqui na Bahia – e no Brasil, em grande medida – o início do ano foi bastante antecipado. Pode-se até afirmar que 2026 começou ainda em 2025, tamanha a precipitação da discussão sobre a chapa majoritária governista. Como todos já sabem, o senador Ângelo Coronel (PSD) foi rifado e os petistas marcharão com a chamada chapa puro-sangue: Jerônimo Rodrigues, Jaques Wagner e Rui Costa.
Descartado, Coronel já se articula com a oposição pata tentar manter o mandato. Aliados do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), já o consideram candidato sacramentado ao Senado na chapa do ex-prefeito. João Roma (PL), ex-ministro de Jair Bolsonaro, completa a composição, segundo os palpites dos analistas que pululam por aí.
Agora as especulações se voltam para quem serão os candidatos a vice-governador no governo e na oposição. O prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (União), é o nome mais mencionado pela imprensa. Uns o enxergam na chapa de ACM Neto, condição que, dizem, ele deveria ter ocupado há quatro anos; outros garantem que ele será vice de Jerônimo Rodrigues, numa surpreendente guinada em direção ao petismo.
Com o nome na crista da onda eleitoral, o prefeito da Feira de Santana se pronuncia sempre de maneira contida, evitando emitir sinalizações precipitadas. Oportunamente, empurra há meses um posicionamento definitivo para mais à frente, sustentando seu nome no noticiário. Posa para fotos, participa de reuniões e frequenta solenidades com todo mundo, impulsionando as frenéticas especulações.
Ao lado de Ângelo Coronel, José Ronaldo figura como o grande protagonista deste período pré-eleitoral. Graças à sua importância política, é claro, mas graças também ao jogo que vem sustentando com muita competência. Note-se – ao contrário de Coronel – que seu protagonismo é muito positivo, firmando-o como uma das maiores lideranças políticas do interior no momento.
Mas, especulações à parte, o fato é que as duas principais perguntas colocadas só poderão ser respondidas – e só o serão – pelo próprio José Ronaldo de Carvalho, no momento em que ele julgar oportuno. Sairá da prefeitura da Feira de Santana para candidatar-se em 2026? Caso o faça, vai se alinhar aos seus aliados tradicionais ou irá aventurar-se numa coligação com o petismo?
Pelas ruas e na própria imprensa muita gente cogita, discute hipóteses, até hipóteses das hipóteses, em detalhes infinitesimais. Talvez isso gere muito engajamento nas mídias sociais, mas tudo não passa de mera especulação, “livre pensar”, como se diria. No fundo, o valor objetivo dessas especulações é nenhum.
Mesmo assim, provavelmente até abril as especulações seguirão à toda, mas as respostas – como se disse – caberão unicamente ao prefeito José Ronaldo de Carvalho.