Um aporte de aproximadamente R$ 5 milhões, junto ao empresariado de Feira de Santana, deverá ser buscado, pela Santa Casa de Misericórdia, para complementar os recursos necessários à realização da primeira etapa do Hospital Baiano de Oncologia, nesta cidade. A obra está orçada inicialmente em R$ 91 milhões. A estimativa de valor para o apoio das denominadas classes produtoras no município é do secretário de Saúde, Rodrigo Mattos, ex-provedor da Santa Casa, em cuja gestão o projeto foi articulado. Ele falou à Tribuna diretamente de São Paulo, onde se encontra tratando de ações vinculadas a uma outra construção, a do futuro Hospital Municipal.
Em 27 de novembro de 2025, quando ocorreu o ato de assinatura do convênio da secular instituição com o Governo da Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues, entusiasta da proposta, comprometeu o Estado de participar com R$ 34 milhões. "Viabiliza a primeira etapa do projeto", anunciou em nota a Secretaria Estadual de Comunicação. Para esta fase, que deverá contar com 90 leitos (sendo 20 de UTI), seis salas cirúrgicas e um centro de bioimagem, outros R$ 26 milhões são provenientes de emendas parlamentares da bancada baiana na Câmara Federal. Mais R$ 10 milhões, de emenda individual do deputado federal Zé Neto.
Nas contas apresentadas pela Secom estadual, os restantes R$ 21 milhões viriam da doação de empresários e da Prefeitura. Mas o secretário Rodrigo Mattos entende que é preciso reduzir o custo total do investimento e diz que o Governo Municipal, através da liberação de emendas impositivas ao Orçamento local, já se comprometeu com R$ 6 milhões. Em evento na semana passada, o presidente do Legislativo Marcos Lima, junto com o prefeito José Ronaldo, fez a entrega de cheque simbólico neste valor. O chefe do Poder Executivo prometeu liberar o dinheiro de forma gradativa, de acordo com o andamento das futuras obras.
A expectativa de Rodrigo Mattos, de captar doação de aproximadamente R$ 5 milhões junto ao empresariado feirense para completar o recurso visando as obras desta primeira etapa do HBO, é uma campanha pode envolver "talvez umas 20 (empresas), cada uma contribuindo com um valor". Contatos estão sendo feitos também com instituições de classes, a exemplo da CDL, que teria demonstrado interesse em participar. Mas ainda não há nada definido.
"Precisamos criar alternativas para essas doações. Podemos dar o nome da empresa ou entidade que participe desses custos em setores ou leitos hospitalares, em reconhecimento", propõe. A verdade é que veremos, dentro em breve, quais são os empresários feirenses realmente sensíveis a uma causa desta relevância. Magnatas dos negócios, nesta cidade, do comércio, indústria e serviços não tem tradição de apoiar empreendimentos públicos que possam melhorar a qualidade de vida da população pobre. Mas sempre há uma esperança e esta é uma oportunidade de que, ao menos alguns deles, provem que são capazes.
Não há projeção sobre quando as obras do Hospital Baiano de Oncologia, em área da Santa Casa, ao lado do Hospital Dom Pedro de Alcântara, vão ser iniciadas. Mas a previsão é de que estejam concluídas em dois anos. A Unacon, que já funciona, deverá manter as atividades, conforme o secretário, após a futura unidade entrar em operação.