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Valdomiro Silva

Com provável apoio de Pablo, ACM Neto e Bruno Reis, Colbert deve disputar vaga na Assembleia

VALDOMIRO SILVA - 27 de Março de 2026 | 11h 33
Com provável apoio de Pablo, ACM Neto e Bruno Reis, Colbert deve disputar vaga na Assembleia

O ex-prefeito de Feira de Santana, Colbert Martins Filho, e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, no passado, foram ferrenhos adversários políticos. Há bem mais tempo na vida pública, Colberzinho, como os mais próximos o chamam, em Feira de Santana, por décadas esteve do outro lado, na esquerda, junto com o pai, saudoso ex-prefeito e ex-deputado estadual Colbert Martins da Silva. Combatiam, justamente, o carlismo, denominação do grupo comandado pelo avô de ACM Neto, Antonio Carlos Peixoto de Maglhães, o "ACM original".  

O filho do ex-prefeito lutou contra Ronaldo, diretamente, em duas eleições, 2000 e 2004, sem conseguir vencê-lo. Enfrentou o candidato ronaldista Tarcísio Pimenta, em 2008, mas também não fora bem sucedido. Em uma decisão que surpreendeu os meios políticos, Colbert Filho deu uma guinada de 360 graus em sua trajetória a partir da aliança, em Feira de Santana, com o prefeito José Ronaldo, representante do carlismo nesta cidade, na eleição municipal de 2012. À época, a notícia causou grande impacto. Afinal, era a união de dois adversários locais históricos. 

Curiosamente, é a partir desta aproximação que Colbert Filho realiza o sonho de administrar Feira de Santana. Primeiro, indica para vice-prefeito o ex-deputado estadual Luciano Ribeiro, que fora vice de seu pai, Colbert Martins da Silva, no segundo dos dois mandatos deste no Paço Municipal. A chapa consagrou-se vencedora daquele pleito. Ronaldo pavimenta a reeleição, em 2016, desta feita tendo compondo chapa ao lado do próprio Colberzinho, candidato a vice. Os dois logram êxito mais uma vez nas urnas.

Surge, então, a grande oportunidade de Colbert Filho. Ronaldo, convencido pelo seu colega prefeito da capital, ACM Neto - que deveria ter sido o candidato da oposição ao Governo da Bahia, mas desistiu - renuncia ao mandato para ser ele o nome a disputar contra o favorito à reeleição, o petista Rui Costa, no pleito de 2018. Colbert assume em abril daquele ano para administrar Feira de Santana pelo período de dois anos e oito meses. 

Em 2020, sem mandato nas mãos, José Ronaldo apoia a reeleição de Colbert Filho. A refrega foi emocionante, com o adversário de sempre, o deputado federal Zé Neto, bastante fortalecido. Diferentemente das outras três vitórias de Ronaldo frente ao PT feirense, aquela disputa não acabou em primeiro turno. O petista teve mais votos no turno inicial e despontava favorito para a reta decisiva. Ronaldo arregaçou as mangas e garantiu a permanência de Colbert por mais quatro anos no Governo.

Eles  não se entendem muito bem, naquela nova gestão. Mas estão juntos novamente, em 2024, pela volta de Ronaldo à Prefeitura. Mais que isto, pela permanência do grupo no poder, contra um Zé Neto ainda mais afiado que em 2022. Colbert, sob forte desgaste diante de um governo bastante conflituoso com a Câmara, estrategicamente não aparece na campanha, mas nos bastidores movimenta a máquina municipal e sua contribuição, inegavelmente, é importante para nova vitória do aliado. Afinal, ele poderia ter tomado outro rumo e isto, certamente, dificultaria a eleição de Ronaldo em primeiro turno.

Colbert costuma comentar, em algumas conversas, que ele e ACM Neto teriam sido responsáveis pela desistência de Pablo Roberto à candidatura de prefeito. A adesão do então deputado estadual a Ronaldo, de quem se tornou vice, fora capital, para a vitória do grupo em primeiro turno. Mesmo assim, ao final, Colbert deixa o cargo sob rusgas visíveis com o aliado. Parece estar decretado o fim desta união. O ex-prefeito, pré-candidato para as eleições de outubro, dificilmente vai contar com algum apoio do atual. Mas em política, é claro, tudo pode acontecer.

E por falar nas eleições legislativas de 2026, segue uma informação: Colbert Filho não será candidato a deputado federal, como muito se especulou depois da saída dele do Governo. Me disse que, com a confirmação de Pablo para a disputa, não seria viável a concorrência entre os dois para chegar a Brasília. Engana-se quem pensa que ele apenas assistirá de camarote ao pleito. Destacado deputado federal e um dos melhores deputados estaduais da história da Assembleia Legislativa, Colbert pretende retornar  a esta Casa, justamente em uma dobradinha com o amigo Pablo e, claro, sob as bênçãos de seu novo amigo e líder, ACM Neto, que deve lhe amealhar alguns votos pelo Estado.  

Recentemente, o ex-prefeito, que teria sido indicado por ACM em nomeação para assessor no gabinete do prefeito de Salvador, Bruno Reis - este também deverá lhe dar algum apoio a deputado estadual - fez um movimento importante, pensando em retornar a um cargo eletivo. Assumiu o DC (Democracia Cristã). Deixa o PMDB, legenda que teve o pai dele como um dos fundadores na Bahia, mas um porto nada seguro para suas pretensões, nos dias de hoje. Ao contrário do que alguns podem imaginar, o excelente parlamentar Colbert Filho não está morto politicamente. Ele tem chances de voltar a ser protagonista na política regional, a partir de primeiro de janeiro de 2027. 




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