As últimas horas da data máxima para desincompatibilizações e
mudança de partido, visando às eleições de outubro, foram bastante agitadas, em
Feira de Santana, com algumas surpresas interessantes no tabuleiro político. O
ex-prefeito Colbert Filho, egresso do MDB, é uma das novidades.
Aproximadamente um mês após assumir o Democracia Cristã (DC),
migrou, agora, para o PSDB. Ele disse à imprensa que essa movimentação teria
sido acordada com o prefeito de Salvador, Bruno Reis, e com ACM Neto, estrelas
do União Brasil no Estado. Colberzinho, nomeado no gabinete de Bruno desde o
ano passado, parece fortemente vinculado a essas duas lideranças.
Imediatamente depois de ter a sua ficha de filiação abonada
pelo deputado federal Adolfo Neto, agora seu companheiro de legenda, o
ex-prefeito anunciou o desejo de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.
Deve ter mudado de ideia. Acertadamente, diga-se, pois parece mais prudente
decidir por um voo mais modesto.
Recentemente, a esta coluna, havia dito que, caso o aliado
Pablo Roberto desistisse de candidatar-se a deputado federal, ele próprio
entraria nessa briga. No entanto, logo após o vice-prefeito ter anunciado que
não irá concorrer, Colbert movimentou-se, deixando o DC para tornar-se tucano
e, diferentemente do previsto, apresentando-se pré-candidato a deputado
estadual.
O cenário deve estar deixando preocupado o vereador Jurandy
Carvalho, também do PSDB, até então pré-candidato a deputado estadual, ungido
por Pablo. O vice-prefeito tem uma razoável dívida de gratidão com Colbert, que
certamente espera reciprocidade agora, nesta sua tentativa de retornar ao Poder
Legislativo. Portanto, Colbert surge com mais força, no mesmo grupo do qual faz
parte o atuante e jovem político filho do distrito João Durval.
Na cadeira de chefe do Executivo feirense, o então prefeito
trabalhou duro, com a máquina governamental, pela expressiva votação que Pablo
obteve na cidade, a maior da história de um político feirense para a
Assembleia, 42,6 mil votos. Evidentemente, uma divisão de votos não atenderia
as expectativas de nenhum dos dois postulantes, que poderiam morrer abraçados
em sua luta para chegar à praia.
Importante observar, o vice-prefeito e ex-pré-candidato a
deputado federal disse logo após a surpreendente desistência de chegar a
Brasília que a primeira das condições para qualquer político contar com seu
apoio em 2026 é estar filiado ao seu partido, o PSDB. Foi com esse argumento
que ele descartou, de pronto, ajudar a campanha do Zé Chico, do União Brasil.
Ronaldista como ele, o empresário vive, há mais de uma década, o sonho de
alcançar a Câmara dos Deputados.
Colbert, uma raposa velha e felpuda da política na Bahia, estrategicamente, tratou de habilitar-se, pouco importando que tenha passado o menor tempo de filiação a um partido, em sua trajetória. Se muito, chegou a dois meses no Democracia Cristã. Nessa altura, deve estar aguardando pela manifestação pública daquele a quem muito generosamente estendeu a mão, em 2022.