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Valdomiro Silva

Traição insinuada por Pablo, após desistência de candidatura, teria origem em Salvador

VALDOMIRO SILVA - 08 de Abril de 2026 | 15h 47
Traição insinuada por Pablo, após desistência de candidatura, teria origem em Salvador
Divulgação

Que política é "como nuvem", não resta dúvida, repetia sempre o advogado, bancário, dirigente de agremiação social e também do Bahia de Feira, vereador, prefeito e deputado federal José Falcão da Silva. Pelo visto, a nuvem mudou muito abruptamente de lugar, deixando de chover na horta de Pablo Roberto, jovem ex-vereador que se tornou nome de peso na política regional, eleito deputado estadual em 2022 e vice-prefeito em 2024. É o principal nome do PSDB local. Se tornou tão complicada a  sonhada conquista de uma vaga na Câmara dos Deputados que ele desistiu da candidatura. 

Nos meios políticos, busca-se identificar os reais motivos do recuo de uma decisão que parecia consolidada. Pablo chegou a admitir a disputa, dentro do mesmo grupo liderado pelo prefeito Zé Ronaldo, entre ele e o empresário Zé Chico. A este coluna, afirmou, em 26 de março, contar com  "elementos técnicos e estudos" que  dariam sustentação à sua candidatura. Uma semana depois, em 2 de abril, anunciou permanência na Secretaria Municipal de Educação, em vez do esperado afastamento do cargo, para concorrer.

PSDB COM BAIXA EXPECTATIVA PARA FEDERAL

Ouvi a opinião de três fontes acerca do que poderia  ter motivado a desistência - a segunda, nas duas últimas pré-campanhas, protagonizadas pelo promissor político feirense, mais bem votado da história da cidade para a Assembleia Legislativa. De acordo com um experiente quadro do ninho tucano, o PSDB é um partido com  perspectiva de eleição, em outubro próximo, de um apenas um deputado federal, como registrado em 2022, ou, no máximo, garantirá duas cadeiras na futura Câmara.

Esta fonte entende que Pablo, até pouco tempo, seria o número dois, na ordem hierárquica prevista para as urnas, posto que o deputado federal Adolfo Viana, único da legenda eleito no pleito anterior, é fortíssimo para seu terceiro mandato. O ex-deputado estadual feirense sonhava, assim mesmo, em disputar o pleito na condição de segunda força. Suas chances, defendem alguns analistas, seriam reais, de alcançar o objetivo. 

CARLOS MUNIZ FILHO SURGE COMO SEGUNDA FORÇA

Uma outra fonte consultada pela coluna apresentou um complemento a este cenário  que pode fechar o diagnóstico. Pablo teria perdido a disputa interna para  Carlos Muniz Filho. O pai dele é o vereador soteropolitano Carlos Muniz, muito forte junto ao prefeito de Salvador, Bruno Reis, e ao mentor deste, ACM Neto - ambos do União Brasil, porém, com grande influência e poder de decisão no PSDB baiano.

Além dos favoritos Adolfo Viana e Muniz Filho, o partido ganhou recentemente mais um nome de peso, Flávio Matos, ex-presidente da Câmara Municipal de Camaçari e candidato a prefeito nas eleições de 2024 quando ainda estava no União Brasil. Derrotado, ele se filiou agora em abril ao PSDB visando a disputa de uma vaga na Câmara Federal. Mesmo que Pablo também se candidatasse, a legenda não teria expectativa de eleger três federais, salvo por um milagre.

DIVISÃO DE VOTOS COM ZÉ CHICO

Além de ter perdido o status de número 2 dos tucanos nesta briga, o vice-prefeito de Feira de Santana ainda teria que lidar, em sua cidade, com a divisão de votos entre ele e Zé Chico, pois assim provavelmente orientaria Zé Ronaldo. O empresário fará a terceira tentativa de chegar a Brasília - portanto, experiente na batalha e, agora, mais forte do que nas tentativas anteriores - o que enfraqueceria ainda mais as possibilidades de Pablo. 

No evento de apresentação dos bons resultados obtidos pela rede municipal de educação, sob o seu comando, o secretário ouviu do prefeito um pedido para  que continuasse no cargo, diante da evolução registrada em 2025 - ou o chefe do Executivo já sabia da inviabilidade e apenas entregou-lhe um bom argumento? A terceira fonte ouvida sinalizou para a possibilidade de um compromisso político futuro interessante, que teria se estabelecido  com Pablo, por sua desistência.

Com ou sem acordo, o fato é que, 48 horas depois de bater em retirada, o vice-prefeito insinuou em suas redes sociais que teria sofrido traição, mensagem que afasta a hipótese dele ter saído de cena por uma decisão consensual e confortável. A indireta parece ter Salvador como endereço. Vamos ver, como fica, a partir de agora, a excelente relação que o ex-deputado estadual mantém com Adolfo Viana, ACM Neto, Bruno Reis e companhia.



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