O Hospital Municipal que a Prefeitura de Feira de Santana vai construir deverá funcionar, no atendimento a emergências médicas, com sistema de regulação, semelhante ao adotado pelo Governo do Estado em suas unidades de alta complexidade. "Mas a regulação não é tratada como grande vilã de quem precisa ser transferido de uma UPA, policlínica ou pequeno hospital?", perguntou um vereador outro dia, na Câmara. É, sim. Mas deverá ser este, justamente, o modelo seguido pelo governo feirense, em seu futuro equipamento.
"Queremos ser parte da solução", diz à Tribuna Feirense o reconhecidamente dedicado e competente secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, que até aqui faz excelente trabalho. "Não vamos ficar apontando o dedo", afirma, avesso à politização do tema. O médico acredita que a nova unidade terá papel crucial na redução do drama das famílias que aguardam vaga na regulação estadual: "o paciente de Feira não tem dor de cabeça para problemas simples de saúde. Quando necessita ser internado para um procedimento mais complexo, surge a questão".
A gestão do Hospital Municipal não deverá ser própria, mas terceirizada, como acontece hoje em dia com quase todas as grandes unidades de saúde na Bahia. Do total de leitos, provavelmente 20 serão de retaguarda, com a finalidade de receber, via regulação, pacientes que se encontram na fila de espera em locais provisórios e sem os recursos exigidos para o seu tratamento.
Não está definido, por enquanto, se o Governo da Bahia vai utilizar o Hospital Municipal para encaminhar doentes de qualquer parte, como acontece por exemplo no Hospital Geral Clériston Andrade, que integra a Regulação. Ou se o uso será exclusivamente de pacientes que se encontrem em unidades de saúde da Prefeitura . "O Estado poderá vir a financiar (os leitos) e cadastrá-los em seu sistema", informa o secretário. É uma possibilidade real, essa pactuação, até porque o governador Jerônimo Rodrigues já declarou a intenção de participar e de colaborar para o pleno funcionamento da unidade.
A perspectiva é de 40 leitos cirúrgicos, outros 40 clínicos e 20 dedicados à saúde mental (falaremos em outro momento sobre esta área específica e de sua importância), além de 10 unidades de terapia intensiva (UTIs). O equipamento, orçado em mais de R$ 250 milhões, encontra-se em processo de licitação para efetivação de uma Parceria Público-Privada (PPP) visando a realização da obra, compra de aparelhagem e serviços de manutenção.
A entrega de propostas das empresas ou instituições interessadas acontecerá em 11 de maio na Bolsa de Valores de São Paulo. A sessão pública do leilão (definição do vencedor), propriamente dito, está prevista para o dia 15. Tudo o que diz respeito à operacionalização do hospital, contratação de mão de obra humana, será alvo de um outro procedimento licitatório, mais adiante. A unidade deve entrar em funcionamento em 2028, segundo estimativa da Prefeitura.