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Valdomiro Silva

Dirigentes de órgãos governamentais faltam com respeito e responsabilidade, ao fugir dos debates públicos

VALDOMIRO SILVA - 13 de Abril de 2026 | 18h 32
Dirigentes de órgãos governamentais faltam com respeito e responsabilidade, ao fugir dos debates públicos
Audiência pública realizada nesta segunda, 13 de abril, na Câmara, sem a presença de representantes do Governo do Estado (Foto: Ascom/Câmara Municipal de FSA)

Autoridades das mais diversas áreas das esferas governamentais, em Feira de Santana, criaram, já de há muito tempo,  o péssimo hábito de não comparecerem a debate público realizado na Câmara, Assembleia Legislativa ou em qualquer espaço, que tenha sido proposto por quem faz oposição a governador ou prefeito do momento. Se o evento tem a iniciativa de parlamentar da base da gestão municipal, para tratar de algum problema de origem em organismo estadual, representantes dessas repartições simplesmente ignoram. Quando, por exemplo, a audiência pública ou sessão especial é solicitada por alguém vinculado ao Estado, e se refere à responsabilidade do Município, nenhum dirigente da Prefeitura comparece.

O quadro tem se tornado bastante comum, muito pouco observado pela imprensa. Mas é fato grave, que precisa ser criticado nos meios de comunicação e repudiado pela sociedade. De início, é importante esclarecer, quando a Câmara ou a Assembleia aprova um requerimento solicitando discussão da eficácia de determinado serviço público, não se trata de evento promovido pelo vereador ou deputado autor da proposição. Passa a ser um acontecimento do respectivo órgão legislativo.

O dirigente de órgão estadual ou municipal que, embora convidado, faz vistas grossas a encontro para tratar de assunto de interesse público está faltando com a responsabilidade. Afinal de contas, é um desrespeito que comete não ao vereador ou deputado adversário do seu governador ou prefeito, mas  contra o cidadão, contribuinte, que lhe paga o salário. Se a ausência do preposto da secretaria, autarquia, etc, etc, nessas circunstâncias, tem a orientação de seu superior - o que é provável estar ocorrendo – a situação se torna ainda mais lamentável.

A justificativa que estamos acostumados a ouvir, nos bastidores, para tal atitude, é que quem está à frente da organização do debate prepara um ambiente desfavorável à gestão ou aos titulares dos órgãos vinculados ao tema. Mas essa é uma desculpa esfarrapada, que quem tem respeito ao público não deveria considerar. Afinal, o servidor público que se amedronta diante das pressões em torno de sua responsabilidade demonstra não estar preparado para exercer o cargo. 

Politicamente, é um tiro que sai pela culatra. Dependendo da relevância da discussão, a imprensa fará a devida repercussão, registrará as críticas e perguntas que ficaram sem respostas e informará à sociedade a negligência da Prefeitura ou do Estado. Secretário, governador ou prefeito jamais deveria permitir, e muito menos autorizar, este descaso.

Nesta segunda-feira, a Câmara realizou uma audiência pública sobre o Sistema Estadual de Regulação. Organizado pelo Governo da Bahia, consiste na transferência de pacientes que aguardam em UPAs, policlínicas ou pequenos hospitais municipais, por atendimento especializado em hospitais de alta complexidade. O vereador Lulinha, presidente da Comissão de Saúde, Assistência Social e Desporto do Legislativo e integrante da base do prefeito José Ronaldo, foi o idealizador do encontro. 

Não compareceu nenhum representante da Regulação, da Secretaria de Saúde do Estado ou do Hospital Geral Clériston Andrade. Sem a presença de pelo menos um desses organismos, o debate, evidentemente, não pôde atingir plenamente os objetivos. Todos foram convidados.

Por sua vez, a Prefeitura não enviou ninguém a uma audiência pública na Assembleia Legislativa da Bahia, dia 14 de outubro de 2025, convocada pelo deputado estadual Robinson Almeida, de oposição ao Governo Municipal, a propósito do descumprimento da Lei Federal  11.738/2008, que garante aos professores um terço da jornada de trabalho para atividades extraclasse, como planejamento de aulas e formação continuada. O Estado também promoveu um "diálogo" sobre a Micareta feirense em 5 de abril de 2024, mais uma vez sob ausência de representantes da Prefeitura.

É urgente, ao governador Jerônimo Rodrigues e ao prefeito José Ronaldo, reformular este conceito e recomendar os seus ocupantes de cargos de confiança que, em vez de fugir, se esconder em seus escritórios, enfrentem o debate, façam a defesa da instituição que representam e, mais que isto, prestem contas à população. Não é favor. É dever.



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