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Valdomiro Silva

Tribuna Feirense: 27 anos depois, a saga continua!

VALDOMIRO SILVA - 10 de Abril de 2026 | 17h 22
Tribuna Feirense: 27 anos depois, a saga continua!
Foto: Tribuna Feirense (Arquivo)

A primeira edição circulou no sábado, dia 10, mas a sexta-feira é que foi terrível, naquele mês de abril de 1999, quando inauguramos – este colunista, o jornalista João Batista Cruz e os publicitários Denivaldo Santos e Gildarte Ramos – o jornal semanário Tribuna Feirense. O fotógrafo Washington Nery completava a redação. Este excelente profissional, aliás, merece ter o seu nome nos créditos dos fundadores deste veículo, por sua participação absolutamente imprescindível neste épico começo de jornada.

A partir daquele dia, durante mais de uma década, eu não dormiria mais às sextas, como todos os mortais. As noites eram tensas, dedicadas ao fechamento do jornal (no período de semanário ou durante os anos em que circulou diariamente) e as madrugadas, de espera pelo telefonema da Gráfica da Costa, informando que a impressão estava pronta.

Saía de casa a 1, 2, 3 horas da madrugada, para o itinerário de todo começo de sábado. O sono era forte, mas maior era a vontade de ver o resultado de uma semana de trabalho – o que, às vezes, também terminava em frustração, quando passava os olhos rapidamente nas páginas e descobria falhas graves, de redação ou impressão.

Havia pressa, muita pressa. Afinal, às 5 horas em ponto, chegariam os entregadores, uma meia dúzia de adolescentes, e também adultos, que ganhariam seu trocado para levar a edição até os assinantes e às bancas. Eu, minha primeira mulher, Márcia, nossas filhas, Valma (hoje, destacada jornalista baiana) e Valéria (boa publicitária, nos dias atuais), cuidávamos, na garagem da pequena residência na Rua Simões Filho, no Ponto Central, de organizar aquele calhamaço com agressivo cheiro de tinta, o que chamamos de encadernar o jornal, até a chegada dos rapazes.

Durante a semana, eu e Batista nos revezávamos no único computador disponível no escritório que alugamos na Rua Carlos Gomes, enquanto Denivaldo e Gildarte utilizavam o fax para contatos comerciais. O espaço era bem pequeno. Cabia, apenas, duas mesas. Uma para o único computador e o fax, outra para a secretária Patrícia, que organizava nossos poucos anúncios e assinaturas. Gildarte, de pé, porque não havia assento suficiente, entregava alguma autorização de assinatura, conversava algo e seguia. Batista escrevia sua matéria e seguia para o bar junto com Denivaldo. Eu assumia o lugar para editar o texto e, também, escrever minha reportagem do dia. Tempos dificílimos.

Por mais esforço que estivessem fazendo os competentes Denivaldo e Gildarte, não conseguiram vender o suficiente para pagar o aluguel do espaço. A conta de energia começava a ficar comprometida. Começamos a criar uma dívida. Mal arrecadávamos o dinheiro da impressão. Remuneração, zero, ninguém recebia um centavo sequer, ao final do mês. Observei que não seria inteligente manter aquela situação. Entregamos a sala.

Levei estes parcos móveis para a sala da minha casa. Márcia passou a ser secretária, afinal, não havia como pagar a jovem Patrícia. Gildarte e Denivaldo foram cuidar da vida. Também dispensei Batista, mas este sétimo irmão que Deus me deu continuou a fazer as suas excelentes reportagens, mesmo sem perspectiva financeira. Assim como Washington, manteve-se firme nas fotos, igualmente, sem nada receber.

Eu havia acabado de deixar o cargo de editor-chefe do "Diário da Feira", criação do bravo jornalista Wilson Mário, que sucumbiu à aridez comercial do jornalismo impresso, àquela época, depois de muito lutar. O meu sonho de entregar um bom produto jornalístico a Feira de Santana e, também, de me tornar um empreendedor da comunicação, não me deixou desistir, naquele momento.

Fui eu mesmo pra rua, vender. Foram vários os apoios que recebi. Batia à porta e, dificilmente, ouvia um não. De assinantes e de empresários locais que apreciavam o meu trabalho desde o jornal "Feira Hoje", do qual, orgulhosamente, também fui editor-chefe por cinco anos, até a extinção do veículo, pelo empresário e político Pedro Irujo.

 
Devo destacar, aqui, três dessas personalidades que ajudaram a Tribuna Feirense a continuar: Professor Antônio Lópes, visionário cidadão desta terra, no comando da Fundação de Apoio ao Menor (FAMFS) e a dupla de investidores do mercado imobiliário Gilson Alves e Oswaldo Ottan, ambos dirigentes da "Nova Feira".

Na medida em que surgiram apoios comerciais, eu e Batista fomos nos motivando mais na produção de grandes reportagens, nas mais diversas áreas, o que atraía o interesse dos leitores, fazendo crescer o número de assinantes. A Charge do Borega era aguardada com grande expectativa.

A Tribuna Feirense, com seu slogan "A Gente Só Sabe Dizer a Verdade" – mais tarde, substituído por "Compromisso Com a Verdade" – ganhou fôlego. Ousamos alugar não mais uma, apenas, como no início, mas três espaçosas salas no Edifício da Drogafarma.

Márcia se tornou gerente administrativo-financeira e precisou até de assistente, sua irmã Emanuelle. Gildo Silva, meu irmão, também se juntou ao pequeno grupo, um monstro no trabalho. Denivaldo seguia em outro projeto e eu é que tocava, praticamente sozinho, o comercial. Nesta nova fase, não apenas era possível pagar os custos, mas também uma modesta remuneração à equipe. Todos possuíam computador para o trabalho.

Produzimos cadernos especiais memoráveis que entraram para a história do jornalismo regional, como o documentário sobre o impacto da Ditadura Militar em Feira de Santana, suas pressões, torturas e prisões, contadas por vários personagens. A Tribuna Feirense semanal fez enorme sucesso e seguia firme.

É neste momento promissor que chega ao nosso time o médico e cronista César Oliveira, no início de 2001. Apaixonado por comunicação e entusiasmado com o projeto editorial diferenciado, a absoluta liberdade de que desfrutávamos em nosso noticiário e opinião, ele adquire 40% das ações e se torna meu sócio. Foi dele o impulso para que o jornal se tornasse diário, uma ideia que, em princípio, não contou com o meu apoio.

Eu havia, há pouco tempo, passado por duas grandes decepções com veículos impressos diários, o Feira Hoje e o Diário da Feira, que fecharam as portas, em meio a grandes dificuldades comerciais. O nosso semanário conseguia sobreviver com relativa tranquilidade. Mas ele acabou me convencendo – e investindo –, para que a proposta se concretizasse. Uma história que vou contar nos próximos dias.

A Tribuna Feirense continua viva, agora na Internet, graças à obstinação de César. Deixei o projeto em 2011, para me dedicar à carreira de servidor público, mas o médico e jornalista desafiou as dificuldades e, bravamente, mantém o veículo na Internet, com a mesma qualidade e comprometimento de seus primórdios. É um dos primeiros sites jornalísticos de Feira de Santana. Entre impresso e digital, são 27 anos de jornalismo nesta cidade, completos, exatamente, hoje. E, depois de um intervalo, eis que aqui me encontro de novo. Agora, como um simples colaborador. Que esta data se repita, por muitos e muitos anos!



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