Eu já possuía alguma experiência na vida pública, quando me
tornei secretário de Comunicação Social do Município de Feira de Santana,
em janeiro de 2013. Antes de assumir este cargo a convite do prefeito Zé
Ronaldo, em seu terceiro mandato, já era redator, do quadro efetivo, na
Assessoria de Comunicação da Câmara. Me licenciei do Legislativo algumas vezes,
para chefiar a Divisão de Jornalismo da Secretaria de Comunicação no governo
João Durval, em 1993 e para ser nomeado assessor de imprensa do deputado Sérgio
Carneiro na Assembleia Legislativa.
Ainda na Câmara de Vereadores, convidado pelo saudoso presidente
da Casa da Cidadania, o inesquecível vereador Antônio Francisco Neto (Ribeiro),
comandei a Ascom, em 2012. Mas, inegavelmente, a minha grande universidade na
comunicação pública aconteceu na Prefeitura, durante os sete anos e meio em que
ocupei a cadeira de secretário. É uma honra muito grande ter sido o segundo
jornalista a passar mais tempo no cargo, após Anchieta Nery, com nove anos e
dois meses - seis anos e oito meses sob Zé Ronaldo e mais dois anos e sete
meses com o prefeito José Raimundo de Azevedo.
Zé Ronaldo me chamou para a função pela minha trajetória no
jornalismo desta cidade. Estagiário do Colégio Estadual no Feira
Hoje, tornei-me editor-chefe daquele importante jornal. Estagiei também
na Rádio Sociedade News e alcancei mais tarde o cargo de chefe do departamento
de jornalismo da emissora. Também chefiei o jornalismo das rádios Subaé e Povo,
a reportagem do programa Acorda Cidade, do jornalista Dilton Coutinho, e a
produção do programa Antena Pioneira, da "lenda" Dilson
Barbosa. Fui editor no BA-TV 1a Edição, da TV Subaé. Repórter da sucursal da
Tribuna da Bahia (nos bons tempos do impresso). Editor-chefe do jornal Diário
da Feira. Fundador e editor-chefe do jornal Tribuna Feirense.
Vamos ao motivo deste texto de hoje. Recentemente, Ronaldo
foi tema de uma revista, elaborada pelos jornalistas Augusto Ferreira,
Ordachson Gonçalves e Eliel Paiva. A publicação conta um pouco da história
deste fenômeno da política regional, com cinco mandatos de prefeito na maior
cidade do interior da Bahia. Quem leu o conteúdo, soube de sua luta, desde a
infância e adolescência em Paripiranga e Cícero Dantas, até as importantes
vitórias em Feira de Santana.
Eu estava bem próximo de Ronaldo, como seu secretário de
Comunicação, quando ele enfrentou a maior crise de toda sua vida, em 2018. O
Ministério Público realizou na Secretaria de Saúde uma investigação de
possíveis fraudes em favorecimento de uma cooperativa prestadora de serviços
para unidades do órgão municipal. O prefeito e a secretária foram acusados de
improbidade administrativa.
Além de Ronaldo e Denise, o então procurador geral Cleudson
Almeida e o servidor Antônio Rosa se tornaram réus. Devem ter enfrentado
problemas emocionais muito sérios, sob pressão intensa, mediante as suspeitas
levantadas contra eles referentes a contratos da saúde no período de 2014 a
2017. Todos estão inocentados, em decisão desta semana, por unanimidade, do TRF
1 (Tribunal Regional Federal em Brasília), que analisava recurso do Ministério
Público Federal. Segundo a decisão da Terceira Turma, o Caso Pityocampa
está encerrado por falta de comprovação de dolo ou dano ao erário.
Quem conhece e convive, ou conviveu, próximo de Ronaldo, pode
dar testemunhos de sua idoneidade e eu gostaria de contar aqui duas histórias
inéditas que acompanhei e reforçam a confiança na honestidade deste político -
afinal, diferentemente do que muitos pregam, todo político tem seus defeitos,
mas não é regra que todo político seja ladrão.
Em 31 de dezembro de 2012, véspera da posse do prefeito,
Ronaldo reuniu o seu secretariado no auditório da Pousada Acalanto, sobre as
premissas de sua administração. No final, deixou uma mensagem que nenhum de
nós, secretários, esquece até hoje: "saibam os senhores, não admito maus
feitos em minha gestão. Seja quem for, se manchar a reputação do Governo, não
esperarei que a imprensa pressione pela exoneração e adoção das medidas
cabíveis. Eu o farei de imediato".
Certa feita, despachando com o prefeito, em seu gabinete,
verifiquei que ele folheava um processo da Secretaria de Desenvolvimento
Social. Se tratava da compra de canetas, para os diversos organismos da pasta.
Em dado momento, pegou o telefone e ligou para o secretário, extraordinário
homem público Ildes Ferreira, de saudosa memória. O convidou a comparecer à
Prefeitura, pois desejava tirar uma dúvida.
Acompanhei a conversa, porque não fui solicitado a sair da sala.
Ronaldo questionou o secretário a razão do valor unitário de cada caneta. Ele
achou caro. Ildes, sorriso nos lábios, não se incomodou, muito pelo contrário,
com a curiosidade do chefe do Executivo. Solicitou a documentação, deu uma
olhada, para relembrar dos detalhes. E, então, absolutamente convicto, olhou
nos olhos azuis do alcaide, e, falando do seu jeito meio gago, em tom formal,
esclareceu:
"Prefeito, o senhor vai entender. O preço desta caneta é
um pouco maior que o de compras anteriores por uma razão muito simples e justa.
Verifiquei que os CRAS, CREAS e outras das nossas repartições estavam
solicitando canetas novas com muita frequência. Elas davam defeito com poucos
dias de uso. Eu desconfiei que havia algo errado. Apurei que estávamos comprando
de uma marca inferior. Então, determinei que vamos adquirir desta vez da marca
Bic, que é superior e dura muito mais. Vamos economizar dinheiro público".
De fato, algumas marcas de canetas esferográficas são uma droga.
O prefeito ergueu a cabeça, olhou fixo para o zeloso
secretário, o parabenizou pela medida e orientou que Ildes apresentasse essa
solução aos colegas de outras pastas, para que também fizessem o ajuste. Aquele
encontro me ensinou muito. Um homem com a quantidade de demandas que Ronaldo tem,
responsável pela gestão de uma cidade metrópole, preocupado com uma compra de
canetas, que ele em princípio estranhou o preço. E um secretário criterioso,
atento, igualmente cuidadoso com os recursos públicos.
Parabéns ao prefeito feirense, pela vitória nos tribunais!