São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto
Alegre, Salvador, Fortaleza, Recife, Brasília, Manaus, Florianópolis, Goiânia,
Vitória, Natal. Poderiam ser citadas centenas de outras cidades, mas fiquemos
nessas capitais, todas sob organização de estacionamento rotativo, a popular
Zona Azul. O serviço, criado pelas prefeituras municipais, mas gerido por
empresas especializadas contratadas por licitação, é considerado fundamental
para democratizar o espaço público destinado à parada de veículos em áreas comerciais
de grande movimento.
Os técnicos garantem que a Zona Azul reduz o tempo dos
motoristas na busca por vaga. Um melhor ordenamento e tranquilidade ao tráfego
dos grandes centros, fomenta as diversas atividades econômicas, sobretudo o
comércio, com o aumento da circulação de pessoas. Ganha também a mobilidade
urbana. O objetivo do estacionamento rotativo é evitar que automóveis e
motocicletas permaneçam parados, muitas vezes um dia inteiro, no mesmo lugar,
tirando o direito de que outros possam utilizar aquela vaga. Motoristas rodam
por menos tempo e conseguem aproximar-se mais do seu destino.
Propicia ainda a redução de fila dupla e de
congestionamentos. O impacto ambiental é mais um benefício da Zona Azul, uma
vez que reduz a emissão de poluentes. Idosos e pessoas deficientes ocupam
melhor as vagas que lhe são reservadas. Feira de Santana, quase 630 mil
habitantes, maior que várias capitais, por mais absurdo que pareça, não conta
com este serviço há três décadas. A primeira e única experiência foi mal sucedida.
De lá pra cá, foram várias as tentativas, nas administrações
que se sucederam, sem êxito. Quem mais buscou, até porque ele está em seu
quinto mandato, foi o prefeito Zé Ronaldo. Gestor reconhecido por ser rigoroso
no cumprimento dos seus propósitos, sucumbiu, até aqui, à reação de empresas e
organizações sociais que disputaram os diversos procedimentos licitatórios,
realizados desde então, mas não finalizados. Todos tiveram a Justiça como
destino e jamais se chegou a um veredito que viabilizasse o processo.
Em 2024, o então prefeito Colbert Martins Filho chegou a
garantir a implantação da Zona Azul, mas a licitação que ele promoveu seguiu o
mesmo caminho de todas as anteriores, desta vez com agravante de
inconsistências detectadas no edital, pelo Tribunal de Contas dos Municípios.
Encerrou o governo e sua palavra não pôde ser cumprida. “Não entendo porque,
até hoje, Feira de Santana ainda não conseguiu implementar a Zona Azul de forma
definitiva, enquanto outras cidades da Bahia, como Vitória da Conquista,
Alagoinhas e Salvador, já operam o sistema normalmente”, afirmou o presidente
da Associação Comercial de Feira de Santana, Genildo Melo, em entrevista, meses
atrás, ao portal Acorda Cidade. Ele está confiante de que "a atual gestão
municipal, liderada por José Ronaldo de Carvalho, deve tratar o tema com
prioridade".
Na Câmara, o presidente Marcos Lima disse que o comércio de
Feira tem sofrido perda de clientes, em razão da ausência de Zona Azul. Ele
anunciou que Ronaldo criou uma comissão especial "para ver todas essas
inconsistências e poder mais uma vez lançar (relançar o anterior) o edital para
que possa implantar.” Os problemas técnicos detectados pelo TCM, ele diz, foram
todos sanados: "o processo será concluído ainda este ano".
Conversei com o prefeito Ronaldo nesta quinta, sobre o
assunto. Ele confirmou a existência de uma comissão de profissionais atuando na
preparação de um novo processo visando a implantação da Zona Azul. Demonstrou
bastante confiança em, finalmente, solucionar este problema. É promessa de
campanha, se não me falha a memória. O estacionamento rotativo, creio, passa a
ser questão de honra para o experiente e capaz chefe do Executivo, sabendo ele
que, muito provavelmente, esta será a sua última chance de concretizar o
projeto.