Iniciamos hoje, neste portal, uma nova forma de cobertura jornalística da Câmara Municipal de Feira de Santana. "Repercussões da Câmara" será uma coluna dedicada a fatos registrados no Poder Legislativo, sejam pronunciamentos ou discussão de projetos, os quais, do ponto de vista jornalístico, justificam uma divulgação sob apuração mais detalhada, mediante consulta a outras fontes. O objetivo final da Tribuna Feirense, como é do nosso estilo, é contribuir para o debate, sempre buscando sensibilizar as autoridades por soluções dos diversos problemas.
De retorno à imprensa, com mais de três décadas de experiência acompanhando de perto a Casa da Cidadania, quero dar continuidade a este trabalho. O tema de abertura é o antigo módulo da Polícia Militar localizado na Rua Landulfo Alves, em frente ao Centro Integrado de Educação Assis Chateaubriand, no bairro Sobradinho. O assassinato de um estudante, de 15 anos de idade, daquela unidade de ensino, cometido por outro aluno ainda mais jovem, 14 anos, motivou, esta semana, discussões sobre o velho posto da PM.
Na Câmara Municipal, o vereador Ron do Povo, que realiza o seu mandato tendo como base aquela região da cidade - Gabriela, George Américo e circunvizinhança - reclamou providências ao comando da PM quanto a recuperação do equipamento, que se encontra abandonado há vários anos. Ele lembrou que o espaço voltou a funcionar em 2019 (precisamente, em 21 de março), após mobilização de moradores e comerciantes da região. A finalidade: funcionar como um posto avançado e ponto de apoio para viaturas que realizam rondas nos bairros Sobradinho, Jardim Cruzeiro e Baraúnas.
Desativado, "compromete a segurança no bairro e aumenta a sensação de vulnerabilidade entre os moradores", disse o vereador em pronunciamento na Casa da Cidadania. De fato, quem passa em frente ao Assis Chateaubriand se depara com uma estrutura em estado lastimável, com um velho colchão em seu interior. Em se tratando de um espaço que pertence ao Estado, que já sediou um posto de Polícia Militar, é algo vergonhoso, principalmente para os gestores da instituição de segurança pública.
Solicitei ao meu companheiro radialista Aldo Matos, apresentador do programa "Nas Ruas e na Polícia", um dos melhores setoristas da imprensa baiana na área de segurança pública da Bahia, que buscasse uma posição do comando da PM sobre o que será daquelas paredes imundas, onde um dia funcionou acolhedor espaço de trabalho da corporação e muito contribuiu para a paz na região.
O famoso repórter me enviou uma entrevista que fez com o coronel Michel Alexandre Muller, comandante do Policiamento Regional Leste, sobre o assunto. O oficial informou que esteve no Assis, como chamamos simplesmente aquele colégio, no dia seguinte ao crime. O objetivo seria "restabelecer a normalidade da situação", mediante alguns cuidados, inclusive contando com a participação da instituição educacional, pois "é preciso seguir as atividades".
Relativo ao módulo, relembrou que há vários equipamentos dessa natureza na cidade, criados "na época da Conder (SIC), década de 80" para servir de posto policial. "Alguns tiveram destinação diversa da original", admite. Este que fica em frente ao Assis, assinalou, "conversei com major Reis (Antônio Oliveira dos Reis, comandante da 67a Companhia Independente) sobre uma pequena requalificação (a ser feita no local) para que sirva de local de apoio, ocupar de alguma forma, base de nossa rádio-patrulha".
Sua intenção é que o lugar esteja coberto por PMs em determinados horários, notadamente momento de entrada e saída de alunos. Atenção para o alerta que faz o coronel: "Estruturas que não estejam ocupadas (pela PM) podem, sim ser utilizadas por ações não recomendadas, não descartamos possibilidade de viciados".
Pelas demais, não podemos afirmar. Mas o antigo módulo do Assis não apenas pode, mas está, caro coronel, sendo utilizado para este fim, como atestam pequenos comerciantes estabelecidos nos arredores. O problema é maior no turno da tarde. São principalmente alunos, mesmo, que se apropriam do espaço para o uso de drogas.
O dirigente militar está sendo transparente, sincero. Mas, senhores, é muito grave. Não se pode admitir que um antigo posto da Polícia, em situação de abandono, passe a ser usado por drogados, com todos os incômodos e riscos que eles trazem a uma comunidade. E quando isto ocorre em frente a uma escola que atende a centenas de adolescentes, a coisa se torna ainda mais assustadora.
O atentado à bala que matou um estudante poderia acontecer em qualquer local. Mas, certamente, caso o posto da PM no Sobradinho estivesse ativo, o adolescente infrator talvez não se sentisse encorajado a atirar, naquele momento. Que o coronel Muller adote, realmente, as medidas urgentes e necessárias visando corrigir este quadro, inaceitável, perigoso e que depõe contra o Governo do Estado.