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Valdomiro Silva

Feira avança no Índice de Progresso Social, que avalia qualidade de vida em cidades brasileiras

VALDOMIRO SILVA - 21 de Maio de 2026 | 17h 21
Feira avança no Índice de Progresso Social, que avalia qualidade de vida em cidades brasileiras
Foto: ACM - Arquivo

Saiu esta semana o Índice de Progresso Social (IPS Brasil 2026), projeto realizado por uma rede colaborativa de instituições nacionais, como o Imazon e  Amazônia 2030, e internacionais, a exemplo do Social Progress Imperative e Fundación Avina.  É um estudo bastante prestigiado, no país, com divulgação dos dados em todos os veículos de comunicação, desde os menores aos gigantes da mídia nacional. O objetivo é oferecer aos gestores governamentais indicadores que avaliam a qualidade de vida e o desenvolvimento socioambiental dos 5.570 municípios brasileiros, em três grandes dimensões.

A dimensão "Necessidades Humanas Básicas" avalia se a população tem acesso aos requisitos mais essenciais para a sobrevivência: Nutrição e Cuidados Médicos Básicos (mortalidade infantil, desnutrição e mortes evitáveis); Água e Saneamento (acesso à água encanada e esgoto); Moradia (acesso à eletricidade, qualidade das paredes/telhado e densidade de moradores por domicílio) e Segurança Pessoal (homicídios, violência contra a mulher e mortes no trânsito).

Em "Fundamentos do Bem-estar", a avaliação é se os cidadãos têm acesso a meios para melhorar suas vidas: Informação e Comunicação (cobertura de internet, telefonia móvel e acesso à TV); Educação Básica (taxas de conclusão de ensino fundamental, médio e qualidade, como o IDEB); Saúde e Bem-estar (expectativa de vida e mortes por doenças crônicas) e Qualidade do Meio Ambiente (emissões de gases de efeito estufa e descarte de resíduos).

A terceira dimensão é "Oportunidades", uma análise sobre  liberdade, respeito e possibilidade de crescimento para todos: Direitos Individuais (liberdade de expressão, direitos políticos e acesso à justiça);  Educação Superior (matrículas em universidades e taxa de ensino superior); Inclusão Social (desigualdade de gênero e racial, e acolhimento a minorias) e Cultura e Lazer (áreas verdes, museus, cinemas e prática esportiva).

Há diversas formas de analisar a classificação de uma cidade. Sobre Feira de Santana, a principal informação é que a cidade apresenta um crescimento, em 2026 (que reflete o apurado no exercício 2025), com nota 60,70. Em 2025, consequentemente, representando os dados do ano anterior, a nota havia sido 59,70. E em 2024 (exercício 2023), 59,02 pontos. Portanto, verifica-se, o município vem em uma crescente, neste diagnóstico tão aguardado anualmente.
 
Sua pontuação este ano é, inclusive, e mais uma vez, superior à média da Bahia, 58,72 pontos. Também maior que duas das 27 capitais: Macapá (AP),  59,65 pontos, e Porto Velho (RO), 58,59. Parece interessante, também, que a cidade mais populosa da Bahia figura no top 10 das cidades do interior do Nordeste com mais de 80 mil habitantes, rânking liderado por Campina Grande (68,76 pontos).

Estamos exatamente na 10ª posição, atrás ainda de Patos (PB), 65,05; Sobral (CE), 64,53; Crato (CE), 63,99; Petrolina (PE), 63,93; Caruaru (PE), 63,87; Juazeiro do Norte (CE), 63,18; Vitória da Conquista (BA), 61,52 e Imperatriz (MA), 61,16 Portanto, acima de praças como Camaçari, Juazeiro, Ilhéus, Lauro de Freitas, Itabuna, Jequié, Teixeira de Freitas, Barreiras, todas localizadas na Bahia; ou ainda de Jaboatão dos Guararapes (PE), Mossoró (RN), Garanhuns (PE)Caxias (MA), Arapiraca (AL), entre outras.

Por outro lado, no cenário nacional, Feira de Santana ocupa uma posição que não lhe dá destaque algum, muito pelo contrário, apenas o 2.714º  lugar. Em outro comparativo, estamos na relação das 10 piores cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes.  

A melhor nota de Feira de Santana, na avaliação das três principais dimensões, foi obtida em "Necessidades Básicas Humanas", 70,05. Os destaques ficam por conta do desempenho em programas de atenção primária e baixos índices de desnutrição severa; atendimento de água tratada; boa infraestrutura de energia e coleta de lixo, com pouca presença de habitações precárias severas. Neste capítulo do estudo, é negativa a sua rede de coleta e tratamento de esgoto, com gargalos nas periferias, e a segurança pessoal, com taxas elevadas de homicídios e violência urbana.

No outro campo, a dimensão com menor nota da cidade, "Oportunidades", com apenas 49,67, se registra por várias razões: burocracia no acesso à justiça; alto índice de informalidade no mercado de trabalho e gravidez na adolescência; disparidades socioeconômicas marcantes e violência direcionada a minorias. Os poucos pontos fortes nesse recorte é o acesso à educação superior e boa atuação de órgãos de defesa civil. 

Em "Fundamentos do Bem-Estar Social", nota intermediária, 2,38, a cidade garante vagas na educação básica, mas a distorção idade-série e a evasão no ensino médio pesam negativamente. Tem boa conectividades móvel e ampla cobertura de internet banda larga; o sistema de média e alta complexidade (hospitais) atrai pacientes de toda a região, gerando longas filas e sobrecarga no atendimento; enfrenta desafios na arborização urbana, poluição sonora e destino final de resíduos industriais.
 
  


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