O prefeito José Ronaldo anunciou, nesta sexta-feira (22), uma
verdadeira bomba, como a gente, jornalista das antigas, chamava uma notícia
impactante. A desapropriação da área onde funcionou, por décadas, o histórico
Hotel Caroá é um feito importantíssimo, da Gestão Municipal. Mais de uma dezena
de secretarias que não têm sede própria vão ser instaladas no local, que se
transformará em um Centro Administrativo.
Apenas de área construída, são mais de 4 mil metros
quadrados, fora o estacionamento. A desapropriação deverá custar aos cofres
públicos algo em torno de R$ 25 milhões, de acordo com estimativa de uma fonte
ouvida pela coluna - o prefeito informou que a Caixa Econômica Federal fará a
avaliação oficial. O Governo não fará empréstimo para efetuar o pagamento. O
recurso já está em conta, separado, para honrar o compromisso.
Não deverá haver também qualquer dificuldade no entendimento
entre a gestão e o proprietário do imóvel, visto que a negociação está
devidamente acordada. A estimativa é que tudo esteja oficializado em um prazo
de, aproximadamente, 60 dias.
Sacramentada a desapropriação, técnicos da Prefeitura,
através da Secretaria de Planejamento, farão a avaliação das condições
estruturais da edificação. Considerando a proximidade do imóvel com um bem
tombado, no caso, o prédio do Paço Municipal Maria Quitéria, não deverá haver
construção vertical no local. A tendência é manter o perfil atual,
horizontalizado.
A prioridade do Governo é levar para o futuro Centro
Administrativo secretarias que não tenham sede própria. No entanto, pastas que
tenham grande movimentação de público, como a de Serviços Públicos, devem ser
transferidas para o local. O objetivo é levar mais movimento para o comércio.
Por outro lado, secretarias hoje situadas no tombado prédio
da Prefeitura podem migrar para o novo espaço público. Provavelmente, apenas o
Gabinete do Prefeito continuará no palácio oficial, para um melhor
aproveitamento e preservação daquelas centenárias instalações. Em um dos seus
textos contando a história da cidade, o jornalista Adilson Simas informa sobre
os primórdios do Hotel Caroá, fundado em 8 de outubro de 1973:
"Um dos mais tradicionais e emblemáticos de Feira de
Santana, marcou época na história da hotelaria e da vida social da cidade. Sob
a razão social Olitel Oliveira Turismo e Empreendimentos Limitada, o hotel foi
idealizado pelo influente professor, protético e político Áureo Filho. Durante
a década de 1980, o Caroá figurava no seleto grupo dos cinco grandes hotéis de
Feira de Santana (junto com o Palace, Luxor, Samburá e Flexa). Mais do que uma
hospedagem para viajantes e caixeiros-viajantes, o hotel era um ponto de
encontro da sociedade feirense. O Sapoti, famoso bar do hotel, reunia
executivos, políticos e intelectuais no fim de tarde para um "dedo de
prosa". Suas dependências eram palco de reuniões importantes, como os
encontros do Conselho Deliberativo do Fluminense de Feira. Com as mudanças
econômicas e a chegada de novos modelos de hotelaria, o Caroá encerrou suas
atividades na década de 1990. A estrutura física, composta por dois grandes
prédios e uma ampla área de estacionamento, permaneceu de pé na Avenida Getúlio
Vargas, mas sem a antiga função hoteleira".