O distrito tem um nome bem solene: Governador João Durval Carneiro. Foi rebatizado pela lei estadual 4.224, de 26 de dezembro de 1983, na própria gestão de João Durval, que é natural da localidade. Mas, até hoje, na média, as pessoas costumam chamá-lo de Ipuaçu. Não imagino que nenhuma antipatia ao ex-governador justifique a opção: no fundo, o antigo nome é mais simples e mais poético. Daí a insistência em se utilizá-lo, mesmo tantas décadas depois.
O sul do distrito de Ipuaçu é cercado pelas águas escuras do Rio Jacuípe. Localidades como Cumbe, Mocó, Pedra Funda e Bom Jardim são próximos do rio. O distrito – ao sul da Feira de Santana – contrasta com Bonfim de Feira, Maria Quitéria, Tiquaruçu e Matinha, situados em regiões mais áridas, típicas de Caatinga. Em Ipuaçu há, além do Jacuípe, vegetação típica de Mata Atlântica.
No distrito residem 3.692 pessoas, de acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. A população é, em sua maioria, negra: pretos (1,3 mil) e pardos (2 mil), coexistem com apenas 323 brancos, menos de 10% dos moradores locais.
O distrito possui a segunda maior extensão territorial da Feira de Santana, com 168 quilômetros quadrados, perdendo apenas para Jaguara. A densidade populacional é baixa: 21,9 habitantes por quilômetro quadrado.
As mulheres são maioria por pequena diferença (51,1% a 48,8%) e o analfabetismo é grande entre os moradores de Ipuaçu: 22,57% da população com idade superior a 15 anos é analfabeta.
A exemplo do que ocorre em outros distritos feirenses, a população de Ipuaçu envelhece e há poucas crianças: menos de 10% dos moradores locais tem idade igual ou inferior a 14 anos. Na faixa acima de 60 anos, por outro lado, estão 9,5% das mulheres e 7% dos homens. Cerca de 7,5% de homens e mulheres tem idade entre 30 e 39 anos, a faixa com maior número de pessoas no distrito.
Na média, Ipuaçu não tem aquelas famílias enormes, comuns em comunidades rurais décadas atrás: cada residência abriga, em média, três pessoas. O que se mantém como no passado é a forma de habitação: 100% das residências de Ipuaçu são casas. Não há apartamentos, casas de vila ou condomínio, nem cortiços ou malocas, para usar as categorias empregadas pelo IBGE.
Em Ipuaçu existe a igreja de Santa Luzia, erguida em 1656. Imagina-se que a ocupação, por lá, começou a partir de surgimento dos primitivos núcleos de povoamento nos limites da Baía de Todos os Santos. Por via fluvial, chegou-se a Ipuaçu. Mas isso é só especulação, porque deu preguiça de pesquisar para confirmar a informação...