Quando Neymar entrou em campo parecia que a Seleção Brasileira havia marcado o quarto gol contra a Escócia. Espocar de fogos, luzes no céu limpo da Feira de Santana, urros exultantes, gritos de alegria. Demorou um pouco para os rumores cessarem e a torcida mergulhar novamente no clima da partida. Querelas políticas à parte, não se pode negar que o atleta do Santos segue como ídolo nacional, mesmo entrando pouco em campo e fazendo menos ainda.
Quem está acompanhando a Copa do Mundo e viu diversos jogos sabe que a Seleção Brasileira, coletivamente, não está no patamar de equipes como França, Espanha e Argentina, para mencionar só três das favoritas ao título. Mesmo assim, novos talentos se firmam, Vinícius Júnior se sobressai entre os maiores destaques e o futuro para o futebol brasileiro parece menos sombrio que no passado recente.
Mas, estranhamente, a torcida parece levar mais fé em Neymar que em Vinícius Júnior. Na década passada o atleta do Santos era o grande craque brasileiro, mas, na Copa do Mundo mesmo, nunca brilhou. Nesta competição, Vinícius Júnior, ainda jovem, é protagonista, candidato à artilharia, tem mais mundiais ainda pela frente e, mesmo assim, está longe da badalação dispensada ao santista. Realmente, vivemos tempos estranhos, de pitoresca nostalgia.
A Copa do Mundo e os festejos juninos dividiram espaço com as novidades da política. O 24 de junho foi fatídico para o senador pela Bahia Jaques Wagner (PT), afastado da liderança do governo no Senado pelo presidente Lula. Indiscutivelmente, esta foi a maior derrota política da trajetória do senador, que dá as cartas na política baiana há quase 20 anos. Surpreendido por uma operação da Polícia Federal, o parlamentar é investigado por suas supostas conexões com a turma do Banco Master.
O Dia de São João também foi aziago para Flávio Bolsonaro (PL), filho do “mito”, pré-candidato à presidência da República. Surpreendido por um vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o senador pelo Rio de Janeiro passou a quinta-feira explicando-se, tentando reduzir os estragos potencialmente causados junto ao eleitorado feminino e aos evangélicos. A briga pelo butim eleitoral do patriarca é quase antropofágica entre os Bolsonaros.
Enfim, dois fatos políticos dignos de nota, faltando pouco mais de 90 dias para o brasileiro se debruçar sobre a urna eletrônica e decidir os destinos do País pelos próximos quatro anos. Nos próximos dias, o noticiário junino desaparece e as eleições ganham tração, sobretudo quando a Copa do Mundo terminar. Sempre foi assim, para desgosto dos conscientes politicamente, que reclamam da alienação do povo.
No estado, um termômetro político relevante está próximo: o 2 de Julho, quando se celebra a Independência da Bahia. Nos bastidores políticos, indaga-se se Lula – após o imbróglio envolvendo Jaques Wagner – virá mesmo à capital baiana para participar de uma série de atividades, além do desfile cívico. Os comentários fervem, a favor e contra, no clima das bolsas de apostas...