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Glauco Wanderley

O que há de errado com o BRT?

14 de setembro de 2015 | 09h 43
O que há de errado com o BRT?

O prefeito José Ronaldo é acusado de não ter dialogado com ninguém para implementar uma intervenção drástica no coração da cidade. E não conversou mesmo. Nem precisava.

Só que agora precisa.

A questão é que tudo sempre se fez sem diálogo. Sempre se fez “por decreto”, ou seja, pela vontade e determinação do governante do momento. Tal atitude não é privilégio de Ronaldo nem da direita. Era assim. Não é mais.

No curto intervalo de tempo (um quadriênio tarcizista) que separam os dois primeiros mandatos do terceiro mandato de José Ronaldo, o mundo mudou, o Brasil mudou, Feira mudou. Olhando superficialmente, não mudou nada. Prestando atenção, está mudando, porque embora ainda faltem sinais exteriores, transforma-se a cabeça das pessoas. Mais informadas, mais participativas, menos dispostas a aceitar que devem acatar resignadas decisões de poucos que afetam a vida de muitos.

O Brasil está assistindo à lenta mas inequívoca queda de uma presidente da República sem credibilidade, que perde um pouco do comando a cada dia que passa. E na medida em que Dilma enfraquecer, a sociedade, que a empurra ladeira abaixo, se fortalecerá.

José Ronaldo já era prefeito em 2013, quando enormes manifestações populares tomaram conta do país e se refletiram até em Feira de Santana, onde o prefeito achou por bem reduzir o preço da passagem de ônibus.

Mesmo assim, parece não acreditar na dimensão da mudança que se operou na mentalidade das pessoas. Muita gente no governo, não sei se o prefeito também, só vê no movimento contrário ao BRT aqueles manifestamente opositores políticos. Entretanto, a obra é rejeitada por um contingente de pessoas que vai muito além do Psol, PT e suas organizações satélites.

Assim como poucos dos mais de 90% contrários ao governo Dilma vão às ruas quando convocam-se manifestações, poucos se dispõem a romper a militância virtual contra a chamada obra de mobilidade urbana no Centro da cidade.

Se o BRT não saísse, seria um marco na nossa história, um momento em que o inconformismo da população faria com que pela primeira vez uma obra de grande porte, um investimento milionário, fosse barrado.

Porém o BRT deverá sair, exatamente como o governo planejou. Mas o custo político, que já é alto, vai subir mais.



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