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Educação

“Por que na rede particular a criança se alfabetiza e na pública não?”, questiona diretora da APLB

09 de Outubro de 2015 | 09h 18
“Por que na rede particular a criança se alfabetiza e na pública não?”, questiona diretora da APLB
Marlede ressalta que os professores ganham mais na rede pública que na particular

Durante toda a semana, a Tribuna Feirense e o Rotativo News (programa sob o comando de Joilton Freitas, que vai ao ar de segunda a sexta-feira na rádio Sociedade) discutiram a educação pública em Feira de Santana, tanto na rede estadual quanto na municipal.

Um debate nesta sexta-feira (09) com representantes do estado e do município marca o encerramento das discussões, mas o jornal prosseguirá nas próximas semanas tratando do assunto e reproduzindo as entrevistas realizadas.

Começamos pela diretora da APLB em Feira de Santana, Marlede Oliveira. Em campanha para reservar um terço da carga horária para planejamento, a sindicalista admite que salário não é o problema da educação, já que os professores ganham mais no serviço público que na rede particular. Segundo ela, os gestores não cobram. Confira a entrevista ao editor da Tribuna, Glauco Wanderley.

 

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Quando os professores fazem seus movimentos reivindicatórios, suas greves, a gente só ouve falar de salários e outros benefícios para o profissional. Por que não tratam também da melhoria na educação?

Isso não é bem assim. Pode ser que a comunidade e outros setores tenham esse entendimento, mas queremos desfazer isso. Agora mesmo estamos travando uma luta, da lei 11.738, feita desde o presidente Lula, lei do piso. Mas não está embutido somente salário. Tá embutida a questão da reserva da carga horária. Os professores precisam de um tempo para planejar, estudar. O professor que tem 20 horas, é necessário que pela lei, ele trabalhe 13 e reserve 7 horas da sua carga horária, para o planejamento. O professor precisa disso. Precisa estudar, ser orientado. Na rede estadual a lei está sendo aplicada há algum tempo e estamos nessa luta na municipal. É uma preocupação do sindicato. Nossa  bandeira de luta não é só salário. Nossa bandeira de luta passa pela valorização dos profissionais e pela melhoria da educação. Precisa melhorar. Na última sexta-feira eu estava num encontro com a secretaria de Educação do estado, onde se viram os dados do analfabetismo funcional. Os estudantes estão chegando no segundo grau sem saber ler e escrever. Isso é fruto das séries iniciais. Os profissionais das séries iniciais precisam ser valorizados, precisam ter tempo. A bandeira de luta nesse momento do sindicato não tem sido salário. Na rede estadual os professores já têm reserva de carga horária. Então a gente também luta para melhorar. Acho que ninguém aqui no Brasil está satisfeito, nenhum trabalhador, com o salário que tem. Mas não é só salário. Pode até parecer, para a comunidade. Estamos nas ruas porque tem leis que não são cumpridas. Em 2012 mesmo fizemos uma greve de 112 dias devido ao piso, que naquele momento tinha um acordo, e não foi feito. Mas nosso entendimento é de melhorar as escolas. As escolas precisam ser adequadas, ter as condições para que a educação melhore. A bandeira da APLB não é só salário.

 

Não tem o professor que é relapso quando está dando aula na rede pública, falta, não faz o trabalho direito e esse mesmo professor dá aula na rede particular e anda na linha?

O nosso entendimento é que falta administração. Quem dirige a secretaria de educação, quem dirige as escolas, precisa administrar. Então, se tem professores, se tem um trabalhador, que falta, que não cumpre com sua obrigação, é questão administrativa. Um professor de 20 horas, trabalha de segunda a sexta, que horário tem para preparar aula, pra corrigir atividades dos alunos? Então é essa cobrança da qualidade da educação que estamos exigindo agora do município de Feira de Santana. Queremos a implantação imediata, a partir de 2016, da reserva da carga horária, para que esse professor tenha tempo de fazer isso. Precisa preparar aula, se dedicar, estar com as condições de ir para a sala de aula preparado, orientado e com planejamento.

 

Qual a principal providência para melhorar a educação no município?

Primeiro, passa pela valorização dos profissionais. Segundo, dar as condições para que os professores, educadores, coordenadores de escolas, tenham formação, qualificação, incentivo. Tudo não é só salário. Professor da rede particular tem salário menor que das redes estadual e municipal. Eu desafio um professor da rede particular: ele ganha aí um terço do que recebe um professor da rede pública. Então o que está acontecendo na rede pública? Compromisso. Quem governa, precisa buscar essa questão administrativa. Cobrar e dar as condições. O professor tem que ter as condições de se preparar, ter esse planejamento pra depois isso ser investido na hora em que está na sala de aula. Mas se o professor não tem, o que é que nós vemos? É que não tem cobrança. Os governantes fecham os olhos. Professor da rede municipal, da rede estadual, tem salário melhor que da rede particular. Mas por que na rede particular a criança está conseguindo ser alfabetizada e na rede pública não está? Então algo está errado aí. O nosso entendimento é que o que está errado é que aqueles que dirigem, que governam, não estão se preocupando em cobrar.

 

O excesso de estagiários ainda hoje é um problema?

Sim, tanto no município como na rede estadual. Fui numa escola municipal, em que são oito professores. Sete são estagiários e um efetivo. Então algo está errado né? Na rede estadual temos um problema grave agora. O estado tem uma carência de 10 mil professores. O sindicato exige do governo um concurso público. Existe hoje PST e Reda. O governador se comprometeu de que não vai ter mais PST, mas mesmo assim ainda tem. Abriu concurso para Reda e vai abrir até o início do próximo ano, para 7.600 professores concursados, mas ainda vai ficar carência, porque hoje na rede estadual, neste momento, são 10 mil professores faltando. E na rede municipal, não lhe dou os dados porque não temos. Inclusive pedi na semana passada, precisamos destes dados: quantos são efetivos? quantos são estagiários? Não temos esses dados. Mas há um grande número. O estagiário não é pra substituir professor. É aquele que ainda está se preparando. Junto com ele tem que ter um profissional efetivo. Ele não pode ser um profissional autônomo na sala de aula. Mas o que o município tem feito é isso.

 

A escola de tempo integral é uma necessidade?

É a escola que nós queremos. Tem que entrar na escola, ter café da manhã, tem qe ter almoço. A escola não pode ser só o pedagógico. Só a criança ir pra escola para aprender a ler e escrever, a contar. A escola é um espaço em que o indivíduo tem que ter todas as atividades. Tanto as pedagógicas como as recreativas, de música, de lazer e de cultura. A escola tem que oferecer esse espaço. O que nós vemos hoje é que a escola não está sendo atrativa. Às vezes é mais atrativo pra criança ir pra rua brincar com a molecada, bater perna, jogar bola. Então a escola tem que ser esse espaço. Fui nesses últimos dia visitar uma escola da rede municipal e não tinha uma área recreativa pras crianças. Como é que pode? A criança tem que brincar, tem que ter aquele momento recreativo. O nosso entendimento é que a escola integral é tudo isso.



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