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Educação

Para diretor do Helyos aulas têm que ser na internet

06 de Outubro de 2015 | 17h 08
Para diretor do Helyos aulas têm que ser na internet

O professor em sala de aula nas escolas não pode ser um chato. Deve deixar de ser um “expositor”, para se tornar um “explicador”, aplicando exercícios e ajudando os alunos a fixar conceitos que já foram expostos, não por ele, mas em vídeos, assistidos na internet como dever de casa.

Esta fórmula, adotada em um número crescente de escolas ao redor do mundo, é defendida pelo professor Teomar Soledade, que dirige o colégio Helyos, cujos alunos todos os anos obtêm as notas mais altas na Bahia no Enem e algumas vezes já colocaram o colégio entre os 10 melhores do país.

O educador afirma que a escola tem que mudar para capturar a atenção que os jovens hoje dedicam à tecnologia. Teomar Soledade foi entrevistado pelo editor da Tribuna Feirense, Glauco Wanderley, para o programa de debate sobre a educação em Feira de Santana, promovido pelo jornal em parceria com o programa Rotativo News, conduzido por Joilton Freitas, diariamente às 3 da tarde, na Rádio Sociedade.

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Leia abaixo a entrevista com Teomar Soledade:

O Colégio Helyos, em Feira de Santana, Bahia, Nordeste, consegue ser uma das melhores escolas do Brasil. Qual é o segredo?

O segredo é trabalho. Por parte dos alunos, dos professores, funcionários, coordenadores, direção. Um trabalho planejado. O segredo é sempre trabalho. Trabalhamos para sermos os melhores do Brasil. Trabalhamos com objetivos bem definidos, calcados em regime de mérito. Nosso objetivo, desde o início, era levar os nossos alunos às melhores universidades brasileiras. Já fizemos isso. Hoje nossos alunos estão nas melhores escolas do Brasil. Temos uma nova meta e já estamos conseguindo resultados, que é levar agora para as melhores universidades do mundo. E isto vamos conseguir como? Com trabalho. E regime de mérito.

 

O currículo exigido dos alunos nas escolas do Brasil é excessivo?

É. Realmente o currículo para o aluno brasileiro é grande e sem sentido. Porque cada estado estabelece seu currículo. Agora, cerca de uma semana ou duas atrás é que o MEC lançou um documento que é a base curricular nacional, para ser discutido e aprovado. É preciso que o documento aprovado seja enxuto. Precisamos que o aluno brasileiro aprenda muito bem a escrever, a ler, matemática e ciências.

 

Numa escola de elite econômica e social como o Helyos, também existe o problema com a motivação do aluno, ou seja, ele não gosta de assistir aula?

Verdade. Isso vale para qualquer escola. O mundo hoje fora da escola é muito atraente. A tecnologia transformou a vida do jovem de tal forma que ele tem uma multiplicidade enorme de possibilidades de se distrair. Tem a internet, tem os jogos eletrônicos, um mundo de informações, que está acessível. Então se a escola não se dispõe a competir com esse mundo atraente que está fora, passa a ser um estorvo para o aluno.

 

Como competir com esse interesse dos estudantes?

Primeira coisa, mudar a cabeça do professor. Lousa para expor alguma coisa hoje, simplesmente exposição, é coisa do passado. Exposição, de qualquer assunto, está na internet. O aluno tem acesso a tudo isso. Por que ele vai ficar numa sala olhando um professor chato, se ele pode ter isso numa vídeo-aula muito boa? Primeiro, então, mudar a mentalidade do professor. Junto com ele, ao mesmo tempo, a escola também tem que mudar. Não pode ser esse local do século XIX, da simples exposição.

 

Mas qual vai ser então o papel do professor em sala de aula?

É extremamente importante. O professor vai fazer exercícios para fixação do conteúdo. Tirar dúvidas. Ele precisa conhecer a aula que o aluno viu e saber trabalhar em cima dela e ser algo novo pro aluno. Porque também se ele não apresentar algo novo, continua sendo um chato.

 

Ele então não teria mais o papel de explicar o conteúdo em sala de aula?

Ele vai explicar sempre. Porém, ele não é expositor. Em boa parte das aulas que ainda acontecem hoje, ele é um expositor. Vai lá no quadro, enche de fórmulas, de textos. Deve é deixar de ser um expositor, para ser um explicador. Alguém que vai trabalhar com o aluno para fazer a fixação dos conceitos.

 

Em cima de exercícios, mais do que de palestras?

Exatamente. A palestra bem feita já está feita, na internet, por um professor, por gente que conhece bastante o assunto. As plataformas educacionais das universidades americanas são fantásticas. Isso vai acontecer aqui no Brasil também.

 

O aluno não vai questionar? “Como é que vou saber, se o senhor não explicou na sala de aula?”

Ele vai ser informado com antecedência do que ele deve ver. A plataforma é aquela, o acesso é esse, e ele tem que ser informado com antecedência. O dever de casa dele é ver a aula. Fazer exercício é na classe.

 

Falando de escola pública, por que apesar de tanta discussão, de tantos programas, das verbas crescerem, não melhora?

Duas palavras simples: má gestão. A escola pública, aliás, os serviços públicos em geral, não têm boa gestão. Se não tem gestão, boa gestão, pode mudar as cadeiras, pintar a escola, fazer uma porção de maquiagem, que não vai funcionar. Gestão de uma escola passa pelo cuidado com os alunos, pela cobrança no trabalho dos professores, pela necessidade de estabelecer metas. É algo um pouco complexo, porque envolve recursos físicos, humanos, envolve situações difíceis dentro da comunidade, relação com sindicatos e outras coisas.

 

Mesmo que triplique o dinheiro da verba para a escola, para o salário do professor, não vai resolver?

Se você duplicar o salário do professor, não significa que necessariamente a escola vai mudar. Se triplicar, também não. Então essa questão da gestão é que tem que ser encarada.



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