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Educação

Devendo segurança e limpeza, Uefs pode fechar

Lana Mattos - 09 de outubro de 2015 | 22h 58

Reitoria espera suplementação ainda este mês para evitar medida extrema

Devendo segurança e limpeza, Uefs pode fechar
Funcionários, em campanha salarial estendem faixa de protesto no prédio da administração

Por falta de dinheiro, a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) não tem condições de renovar o contrato com a empresa terceirizada que faz a coleta de lixo. “Por conta disso, nós temos um grande acúmulo de lixo no campus”, conta o reitor Evandro do Nascimento Silva, que agora busca solução através do serviço de coleta da prefeitura municipal.

A Uefs está em atraso de até 60 dias no pagamento das maiores empresas terceirizadas, como as prestadoras de serviços gerais, de recepcionistas, copa, segurança e transporte de servidores. “A instituição precisa da suplementação para honrar os contratos, sob pena de chegarmos à terceira parcela”, relata o pró-reitor de administração e finanças da Uefs, Carlos Eduardo Cardoso de Oliveira.

São exemplos dos graves problemas gerados pela crise financeira da Uefs, confirmada por meio de nota pública emitida pela instituição na sexta-feira (2), em que a administração admite a possibilidade de suspender as atividades.

Em dois anos os recursos para custeio e investimento foram reduzidos em R$ 6 milhões. O orçamento de R$ 55 milhões em 2013, caiu para R$ 51 milhões em 2014 e R$ 49 milhões em 2015, indo na contramão da inflação. No período, houve aumento nas contas da Embasa, Coelba e Oi, bem como dos contratos das empresas terceirizadas. Resultado: atraso em pagamentos, precarização de serviços e prejuízo às atividades acadêmicas e administrativas.

Só com a empresa de segurança, a maior terceirizada da Uefs, há duas parcelas de reequilíbrio de contrato (determinado sobretudo pela inflação) e duas mensalidades em aberto. A soma se aproxima de R$ 3 milhões.

“No mínimo, a universidade precisa de R$ 9 milhões a mais para funcionar, porque o DEA (Despesas de Exercícios Anteriores) de 2014 para 2015 foi de R$ 6,5 milhões”, esclarece Oliveira. Esse valor se somou às despesas novas, de 2015. “Se nós não tivéssemos tido o cuidado, talvez estivesse batendo agora em R$ 13, 14 milhões”, calcula.

RISCOS

“A gente está assistindo a uma precarização do funcionamento” da instituição e “estamos trabalhando para evitar que a universidade pare”, completa o pró-reitor. Silva avisa que, “se não conseguirmos renovar esses contratos por falta de orçamento, com a paralisação da limpeza e da vigilância, e até de outros serviços, vai ficar muito precário manter a universidade funcionando”.

Sem serviços básicos, “as condições do campus podem não ficar adequadas e, com isso, a gente ter a necessidade de não dar sequência às atividades da universidade”, confirma.

O reitor identifica um prazo para resolução dos problemas. “Temos que conseguir suplementação até o fim desse mês de outubro, para que possamos ter clareza de que vamos ter os serviços continuando”, estima.

Ele diz ter esperança de que as negociações que estão sendo feitas com o governo do estado sejam frutíferas. “Nós acreditamos que possamos mantê-la funcionando sem tanta precarização e mantendo as atividades que são essenciais para o funcionamento das atividades de ensino, pesquisa e extensão”. Por isso, é preciso que a resposta do governo “venha o mais rápido possível”, salienta.

 

Crise já afeta a rotina pedagógica

Os laboratórios e práticas em campo são os mais prejudicados. A instituição parou de fornecer os materiais para as aulas práticas do curso de odontologia, que atende pacientes nas clínicas que prestam serviços gratuitos à população. Com isso, “a turma se junta para comprar os materiais que faltam, porque senão não tem condição nenhuma de atender”, conta John Lennon Rios de Andrade, estudante que já passou por duas greves de alunos do seu curso, em 2012 e 2014, devido justamente à falta de materiais. Um dos aparelhos que serve para esterilização dos instrumentos está funcionando provisoriamente com uma peça emprestada pelo cunhado de uma aluna.

A Biblioteca Central Julieta Carteado é um ambiente quente, onde o ar-condicionado central quebra de duas a quatro vezes por ano. “Já tem um mês quebrado, sem conserto e sem previsão”, reclama uma funcionária do setor, que prefere não se identificar. E faltam também materiais de limpeza, como álcool em gel, papel-higiênico e detergente, segundo ela.

Através da Circular 18, a reitoria comunicou a necessidade de priorizar a manutenção de ações estritamente essenciais ao funcionamento da instituição e garantia do semestre de 2015.1, com a suspensão de gastos, como diárias e passagens para eventos científicos, lançamentos de editais, serviços de transporte em ônibus e refeições para eventos de quaisquer naturezas.

Agripino Gonçalves Cerqueira, suplente da coordenação, atuando na área jurídica do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau do Estado da Bahia (Sintest) afirma que “por enquanto ainda não houve demissão, no entanto, se a crise continuar como está, acreditamos que o mês de novembro será muito difícil para a Uefs, com encerramento de contratos mesmo, por falta de pagamentos”.

Sem qualquer referência à almejada suplementação solicitada pela Uefs, a Secretaria da Educação do Estado, em nota enviada à imprensa, se limitou a reconhecer as dificuldades orçamentárias da instituição e reafirmar sua autonomia para gerir recursos e, “em momentos de dificuldade, também redefinir e estabelecer as prioridades dos seus gastos”.

O governo garante que o orçamento deste ano está mantido e assegura recursos “para a implementação das promoções, progressões e alterações de regime dos professores”, pauta da última greve.



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