1- Democracia: foi uma grande experiência democrática, em que todas as correntes estiveram representadas e se expressando com liberdade, em uma votação tranquila. Ponto para a democracia brasileira
2-Urnas: temos um processo de votação eletrônica ágil, eficaz, seguro, que merece o respeito mundial. Só a síndrome de vira-lata, da qual já falava Nelson Rodrigues, impede de nos orgulharmos dele
3- Vencedores: Lava-jato, Moro, redes-sociais, novas lideranças, a indignação do eleitor com " tudo que está aí", o anti-petismo, e Bolsonaro que teve a habilidade de ajustar as velas na direção do vento
4- Perdedores: velhas lideranças carcomidas, a corrupção, impunidade, prostituição partidária, tempo de TV, Roger Waters, o lulismo ( o anti-petismo foi o grande eleitor de Bolsonaro), velhos partidos
5- Institutos de pesquisa: é tão imoral a tentativa de manipular o eleitor com pesquisas, quanto com whats-app , twiiter, etc. Não poderá continuar como está. Falharam de forma avassaladora em reconhecer o que estava acontecendo no primeiro turno. O exemplo mais simbólico foi DIlma em primeiro, para o Senado, em Minas, em todas as pesquisas e ela terminar em quarto. Ao final, ajustaram seus índices para a verdade.
6- Mídia: a "velha mídia" optou por torcer, ao invés de analisar, e deixaram de oferecer ao eleitor um cenário real. Um fato não deixa de ser um fato porque não gostamos dele ou não queremos que aconteça
7-Patrulhamento: um asqueroso patrulhamento renasceu nas redes sociais de gente que quer impedir o outro de fazer sua escolha, alegando que o faz democraticamente e que ditador é, apenas, o adversário.
8- Discurso de Bolsonaro: fez uma forte defesa da liberdade, da redução do Estado, da garantia do Estado de Direito, do direito a propriedade privada, de governar para todos. Foi um discurso correto. Agora é vigiar seu cumprimento.
9- Discurso Haddad: correto em citar seus 47 milhões de votos como um cacie oposicionista. Errado em insistir no " golpe" e " inocência de Lula", e péssimo em não citar o vencedor, ao menso, já que não ligou pra Bolsonaro. Disse que não ligou porque foi chamado de canalha, embora tenha chamado o outro de " miliciano" e dito que deveria ser " varrido da face da terra" . É praxe haver a ligação.
10- Day after: é hora de baixar a bola, parar de cultivar a erva daninha do ressentimento, a soberba da superioridade moral. E desejar boa sorte ao governo. Como desejaríamos a Haddad, se ele vencesse, porque o prejuízo, em contrário, será sempre pago por nós. E vamos trabalhar para que a agenda que o Brasil precisa comece a ser cumprida.
1- Democracia: foi uma grande experiência democrática, em que todas as correntes estiveram representadas e se expressando com liberdade, em uma votação tranquila. Ponto para a democracia brasileira
2-Urnas: temos um processo de votação eletrônica ágil, eficaz, seguro, que merece o respeito mundial. Só a síndrome de vira-lata, da qual já falava Nelson Rodrigues, impede de nos orgulharmos dele
3- Vencedores: Lava-jato, Moro, redes-sociais, novas lideranças, a indignação do eleitor com " tudo que está aí", o anti-petismo, e Bolsonaro que teve a habilidade de ajustar as velas na direção do vento
4- Perdedores: velhas lideranças carcomidas, a corrupção, impunidade, prostituição partidária, tempo de TV, Roger Waters, o lulismo ( o anti-petismo foi o grande eleitor de Bolsonaro), velhos partidos
5- Institutos de pesquisa: é tão imoral a tentativa de manipular o eleitor com pesquisas, quanto com whats-app , twiiter, etc. Não poderá continuar como está. Falharam de forma avassaladora em reconhecer o que estava acontecendo no primeiro turno. O exemplo mais simbólico foi DIlma em primeiro, para o Senado, em Minas, em todas as pesquisas e ela terminar em quarto. Ao final, ajustaram seus índices para a verdade.
6- Mídia: a "velha mídia" optou por torcer, ao invés de analisar, e deixaram de oferecer ao eleitor um cenário real. Um fato não deixa de ser um fato porque não gostamos dele ou não queremos que aconteça
7-Patrulhamento: um asqueroso patrulhamento renasceu nas redes sociais de gente que quer impedir o outro de fazer sua escolha, alegando que o faz democraticamente e que ditador é, apenas, o adversário.
8- Discurso de Bolsonaro: fez uma forte defesa da liberdade, da redução do Estado, da garantia do Estado de Direito, do direito a propriedade privada, de governar para todos. Foi um discurso correto. Agora é vigiar seu cumprimento.
9- Discurso Haddad: correto em citar seus 47 milhões de votos como um cacie oposicionista. Errado em insistir no " golpe" e " inocência de Lula", e péssimo em não citar o vencedor, ao menso, já que não ligou pra Bolsonaro. Disse que não ligou porque foi chamado de canalha, embora tenha chamado o outro de " miliciano" e dito que deveria ser " varrido da face da terra" . É praxe haver a ligação.
10- Day after: é hora de baixar a bola, parar de cultivar a erva daninha do ressentimento, a soberba da superioridade moral. E desejar boa sorte ao governo. Como desejaríamos a Haddad, se ele vencesse, porque o prejuízo, em contrário, será sempre pago por nós. E vamos trabalhar para que a agenda que o Brasil precisa comece a ser cumprida.
Há algo que está muito claro, como já dissemos, e que precisará ser estudado: a mudança na democracia com essa eleição, pois, ela nunca mais será a mesma. E não estou falando de Bolsonaro, per si, mas como Bolsonaro pode se eleger ( pelo menos é o que indicam as pesquisas).
A revolução digital e expansão da comunicação deu voz a todo cidadão fazendo com que ele fosse um ativista político, sem que sua voz aparecesse via um mediador ( mídia impressa, marqueteiros, rádios, intelectuais) que dominavam os meios de transmissão e a filtravam ao seu modo, desejos e interesses. As redes sociais explodiram esse modelo de campanha e de formação do "líder político", que era construído para ser então apresentado aos eleitores.
Sob certo modo, é como Àgora grega, berço da democracia, em que todos podiam falar. Isso acontece para o bem e para o mal. Como é terra de ninguém - um Oeste ainda sem lei- ela permite que aloprados de todas as matizes verbalizem sua selvageria, rasura, e agressões, protegidos pelo anonimato virtual, ou não. Umberto Eco, um tanto preconceituosamente, um tanto acertadamente, disse que a internet deu voz aos idiotas. Toda generalização, como sabemos, é uma idiotice.
A verdade é que a revolução que estamos vivendo ainda não tem meios e resultados definidos, como toda e instável revolução, por isso, para usar uma frase de autoajuda, o caminho se fará a medida que for sendo andado. Aqui, temos o agravante que o avanço tecnológico não deixa pedra sobre pedra do dia anterior e sua expansão é inevitável e irreversível, assim, quando pensamos ter dominado um aspecto, ele é mudado por uma novidade ainda mais moderna.
A retirada de mediadores, se tem o beneficio da ampliação da voz direta da população - um ideal democrático-, traz solavancos a essa democracia, pois, há demandas muito maiores, virais, às vezes, que colocam uma pressão muito maior sobre as instituições que devem mediar esses conflitos - elas mesmo, como nosso STF e MP, expostos duramente-, fazendo com que elas se fragilizem - o que é ruim-, mas se depurem - o que é bom-, ao serem exibidas de forma transparente. O perigo é perder a medida, pois, é dessa força que dependemos cada vez mais para garantir a democracia no seu sentido mais amplo, diante de líderes populistas e autoritários.
Temos um universo absolutamente novo à frente, sem mapa pronto. Cabe a nós a sabedoria de o fazermos para garantirmos o bem mais essencial da humanidade: a liberdade. A Àgora, também é sua.
Estamos diante de uma encruzilhada e um país dividido. A ausência de autocrítica sobre o maior projeto de corrupção do mundo, negócios e apoio a ditadores, fracasso econômico, e servidão a Lula (que está preso, babaca, segundo o Cid Gomes), mostram que o PT, como na célebre frase de Tayllerand sobre os Bourbon, “não aprenderam nada, nem esqueceram nada".
No outro lado, Bolsonaro usa retórica rasteira e seus filhos&Cia utilizam um discurso que oscila entre o vazio intelectual e a asneira pura e faz apologia da força para a parcela de seu público extremista, incorporando a rejeição ao adversário. Caso eleito, como parece provável, terá de moderar a retórica de intolerância dos que lhe rodeiam, para governar.
Entre os extremos existe mais de 1/3 do eleitorado que elegeu o PT por mais de 14 anos- e eram bons cidadãos-, e que, agora, cansado do ativismo, da retórica de ameaças, e da corrupção, afastam o PT do poder - e são tachados de homofóbicos, machistas, racistas, e coisas piores-, embora sejam os mesmos bons cidadãos de ontem. Aliás, para entender a massa é bom rever Elias Canetti, em Massa e Poder, um livrinho dos anos 60.
Não acredito em ameaça a democracia brasileira- aliás, a liberdade eleitoral e de opinião que vivemos, no global, é majestosa, assim como a votação eletrônica é invejável-, mas precisaremos estar atentos, pois, haverá solavancos no seu exercício cotidiano. Não creio, entretanto, em possibilidade de intervenção das Forças Armadas porque elas, nem o “mercado’, querem”.
A renovação política- não necessariamente por elementos melhores-, já sinalizou a inquietação do povo com a impunidade, a insatisfação com os serviços, a perda do poder de influência de intelectuais e artistas (a vaia a Rogers Waters foi um símbolo), o crepúsculo da velha mídia e de institutos de pesquisa, e o alvorecer das mídias alternativas e da necessidade dos políticos compreenderem os anseios populares de forma verdadeira e não se despersonalizarem sob as ordens de seus marqueteiros. Identidade - e Haddad pagou esse preço, por ser apenas o outro, o preso- é a nova demanda dessa modernidade que tenta parecer cada vez mais amorfa, renegando o humano. Tudo isso precisará ser analisado, avaliado, compreendido, para a eleição seguinte.
O grande esforço que nos resta é o fortalecimento institucional, para que essas instituições estejam sempre com capacidade de exercer a mediação dos conflitos, viabilizando o funcionamento do sistema de freios e contrapesos que garantam a democracia, até porque, Kant, já temia a força corruptora do poder sobre a alma humana. Ao trabalho, senhores...