Circula a informação de que a Comissão de Transição Municipal
tem encontrado dificuldades em obter dados do governo atual, o que teria
motivado a saída de Fabinho – certamente, com o aval de José Ronaldo – e a
nomeação de Sérgio Carneiro para o lugar.
O fato, se verdadeiro, é estranho, especialmente entre
partidários. Também não faz sentido esconder dados, porque, ao assumir, o novo
prefeito terá acesso a todos eles.
Evidente que essa dificuldade, se verdadeira – e o prefeito atual pode desmentir –, não é o que se espera de um processo democrático e acaba prejudicando o cidadão. E isso não é aceitável.
Escrevi, há bastante tempo, que a politização das Forças
Armadas, estimulada por Bolsonaro, era um ovo de serpente e que ainda nos
custaria caro. Não há, nisso, nenhuma sabedoria, apenas a constatação de
repetições da história.
O discurso beligerante do ex-presidente contra as
instituições – ainda que o STF tenha se tornado um agente político – e a
legitimidade das eleições, de resto, nunca provadas, ajudaram a criar a
instabilidade política atual.
As hediondas revelações de que extremistas militares
planejaram um golpe – há mensagens, gravações, documentos –, inclusive com a
sugestão de execução de algumas autoridades, mostra o quanto parte das Forças
Armadas foram contaminadas.
O impedimento dessa execução se deu porque o Alto Comando não
endossou a barbárie. Segundo uma das gravações, a posição era: “cinco
(generais) não querem, três querem muito e os outros (sete), zona de conforto.
É isso. Infelizmente”.
Se for judicialmente provado, a punição deve ser implacável.
Como já foi revelado, em outra oportunidade, diante da minuta de golpe, o
comandante do Exército chegou a dizer, ao então chefe do Executivo, que “teria
de dar voz de prisão ao presidente”, se fosse levado adiante.
Então, há uma divisão perigosa nas Forças Armadas e é preciso
que seu lado legalista continue prevalecendo, expurgando qualquer extremismo de
suas fileiras.
Também é claro que as revelações e o processo devem seguir as
normas jurídicas, em nada se justificando os atropelamentos que já se tornaram
norma no inventivo direito do STF. Alexandre de Moraes não pode ser vítima,
promotor, juiz, ao mesmo tempo.
O general Mario Fernandes, já preso, precisa revelar o que
sabe. Ele estava na reserva do Exército e na ativa como palaciano. Era o
secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência.
Também é preciso descobrir quem deu a ordem para a missão e
quem deu a ordem para que ela fosse interrompida. Todos devem ser investigados
claramente, de forma transparente, para que os verdadeiros culpados sejam
severamente punidos, pois os fatos mostram que estivemos muito perto da
ruptura.
O último elemento é a apuração para definir se Bolsonaro
sabia do golpe, mas ela não pode ser submetida ao viés político. E se esses
mesmos militares pretendiam dar um golpe dentro do golpe, afastando Bolsonaro e
nomeando interventores militares.
Não é possível se contrapor aos fatos já mostrados, nem usar
a anedótica situação de um capitão que não encontrou um táxi para ir cumprir
sua missão, na tentativa de desmerecer o horror do que foi planejado, mas é
preciso que o Direito seja respeitado. É isso que diferencia uma democracia de
uma ditadura.
Os panetones produzidos pelo Dispensário Santana
O espetacular Centro Educacional onde será instalada a Secretaria de Educação Municipal.
Bailarina Luciana Sagioro , 18 anos, que se tornou a primeira bailarina brasileira a integrar o Balé da Ópera de Paris.
A nova linha de ônibus do Expresso Universitário.
As obras de ampliação da UEFS feitas pelo governo do estado.
As ações do Núcleo de Atenção às Pessoas com Feridas, do HGCA , coordenado por Rosa Rios.
O calçamento de todo acesso do Magalhães até a beira do Rio Jacuípe.
A verdade é que o Centro de Feira é uma desarmonia. As ruas mal sinalizadas, a desordem total na Marechal Deodoro, os pontos de ônibus degradados, as feiras-livres sem regras, o asfalto e calçadas remendados. Feira merecia um banho de asfalto no Centro, a correção dos desníveis nas bocas de lobos, uma sinalizaçao vísivel, bem feita, de faixas e orientações. Além disso, melhorar as feiras-livres, não exterminá-las.
As barracas precisam ser padronizadas- sim, até com subsídio da Prefeitura, certamente um investimento melhor do que os muitos shows de inauguração de obras já feitos- com local de instalação, ação da limpeza pública ao fim da atividade. Os pontos de ônibus- todos- merecem uma intervenção. São extremamente úteis justamente às pessoas que mais precisam. Há inúmeros sem cobertura, bancos, iluminação que garanta segurança. Fazem parte do nosso inventário de vergonhas. Não são projetos gigantescos, desses que atrai o poder público, mas ajudariam enormemente a melhorar o aspecto urbano, a civilidade, atração de clientes, e auto-estima do cidadão.
Nascida Santana dos Olhos D’Água- nome, aliás, que nunca
deveria ter sido mudado- Feira está sobre um lençol freático demonstrando pelas
mais de 60 lagoas de sua origem. A maioria delas está aterrada pela especulação
imobiliária e inércia do poder público,
mas uma parte delas resiste. Todo mundo em Feira é testemunha que
qualquer escavação resulta em drenagem
de água e que em período de chuvas os alagamentos se tornam uma rotina perigosa
e destrutiva na cidade. As inundações urbanas são um problema que ocorre em todo
mundo especialmente pela impermeabilização do solo pela cobertura asfáltica que
impede a drenagem das águas e resultam em perdas materiais e de vida.
Há inúmeras tentativas de enfrentamento para esse problema.
A mais recente vem de um arquiteto chinês chamado Kongjian Yu, que desenvolveu
o modelo que prevê a absorção dos temporais, através do que ficou conhecido
como “cidade-esponja”. As cidades-esponja são áreas urbanas projetadas para
absorver, armazenar e reutilizar a água da chuva de maneira eficiente. Desse
ponto de vista as lagoas remanescentes em Feira devem ser preservadas a
qualquer custo, pois elas são um espaço natural de absorção das águas das
chuvas evitando o sofrimento e caos urbano que são gerados pelas enchentes.
A preservação não pode ficar restrita à lagoa Grande, ainda
que eternamente inconclusa ou a lagoa Salgada que Ronaldo prometeu preservar
com um parque. A demais lagoas precisam fazer parte de um plano de intervenção
continua do poder municipal e estadual e dos órgãos de preservação ambiental
que precisam deixar a passividade e figuração decorativa para agirem de forma
eficiente na preservação desses espaços de segurança ambiental.