Sou radicalmente contra o prazo que a legislação eleitoral estabelece atualmente para a troca de poder entre prefeitos, governadores e presidente. O tempo de três meses ou 25% do ano para a troca é um absurdo. Caso seja do mesmo partido vencedor o desastre ainda é menor, mas se for adversário é inaceitável. Temos um prefeito que governa, mas não manda; e um que manda, mas não governa. E o país, o estado, a cidade, ficam empatadas nesse jogo de espera sujeito aos mais diversos riscos. A minoria das cidades tem segundo turno e mesmo assim não se justifica. Este tempo não deveria ser superior a 30 dias. Em vários países da Europa a posse é praticamente imediata e nos EUA no máximo dois meses ( a posse sempre é dia 20/1). Na Alemanha os deputados tomam posse em 30 dias. Nos tempos modernos, atuais, ágeis, esse tempo perdido é inconcebível.
Nesta eleição a esquerda viu ser reduzido seu cacife eleitoral e foi praticamente escorraçada de São Paulo ficando apenas com 4 munícipios de seus 625. A principal liderança apoiada por Lula, Boulos, perdeu para um candidato sem carisma ou maiores expressões como Nunes, graças ao apoio do governador. PT e aliados venceram apenas em seis das 11 capitais em que Lula foi o mais votado em 2022.
Do mesmo modo candidatos apoiados por Bolsonaro não tiveram
o desempenho esperado. Lula e Bolsonaro saem menores dessa eleição do que
começaram. O grandes vencedores foram
Tarcísio Freitas( Republicanos) , governador de São Paulo e o PSD( 891
prefeitos), que obteve o maior número de
prefeituras. O Centrão ampliou sua capilaridade e entrou no jogo de vez da
sucessão em 2026.
Os resultados eleitorais do segundo turno confirmam o que já
havia sido desenhado no turno inicial: os eleitores encolheram a esquerda e
fortaleceram o Centrão e a direita. No primeiro turno o grupo de 3.123 cidades
que deu vitória a Lula no 2º turno de 2022 elegeu no domingo (6.out) só 217
prefeitos do PT nas eleições municipais . No Nordeste das noves capitais a direita e centro ficaram com sete. O PT conseguiu vitória, até o momento, no segundo
turno, em Fortaleza, Camaçari, Pelotas,
Mauá. E perdeu em Natal, Porto Alegre,
Anapólis, Diadema, Cuiabá, Sumaré, Caucaia, Olinda, além de São Paulo onde
apoiou fortemente o candidato Boulos( PSOL). Com esse resultado os partidos
ligados ao Centrão e a direita- não necessariamente bolsonarista- saíram como vencedores nessa eleição.
Em uma disputa que foi nacionalizada e teve até a presença de Lula, levou o PT a vencer em Camaçari. O eleitorado se mostrou dividido como no primeiro turno. Caetano teve 50,9% dos votos e Flávio ( União) teve 49,08%. A diferença foi em torno de 3000 votos, mostrando quanto foi acirrada a disputa.
Depois de reveses em algumas grandes cidade Camaçari tornou-se uma questão de honra para o partido com a candidatura de um de seus membros mais emblemáticos, Caetano.
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