Ainda não conheço o Centro de Convenções, inaugurado essa
semana, exceto externamente, mas pelos relatos e imagens reconheço uma obra
monumental. O governador Jerônimo, que
de forma determinada assumiu essa obra e investiu R$56 milhões merece o crédito e os parabéns por essa
necessária intervenção.
Feito o reconhecimento, queremos saber qual será a política
de utilização desse equipamento, visto que será gerido através de uma parceria
público-privada, conforme anunciado. Evidente que partilho da necessidade que
seja administrado dessa forma de modo que possa garantir agilidade comercial e uma
sobrevida independente-até certo ponto- do estado, evitando os resultados pouco
animadores do Centro de Cultura Amélio Amorim.
É necessário, no entanto, que essas diretrizes funcionais
fiquem claras, para que possamos ter a certeza que produtores e artistas feirenses
que nem sempre dispõem de recursos de alto valor para investimento, possam utilizar,
como contrapartida, esse equipamento.
Espero, também, que o estado defina qual será sua política
de intervenção cultural em Feira que seja diferente das ações em eventos
festivos, como no passado. Dessa forma, espero que o secretário Bruno Monteiro- a
exemplo do que aconteceu em Salvador com o secretário municipal Pedro Tourinho-
possa se reunir com o futuro titular da pasta local, para que ambos possam
trabalhar para a implantação de uma política cultural para Feira que seja
inovadora, revolucionária, sustentável e continuada, mudando o paradigma da escassez
cultural que vivemos.
Feira de Santana vai chegando ao fim do ano de forma melancólica, deixando uma impressão ruim do governo. Por um lado, não houve uma programação de iluminação para o Natal e de atrações que pudesse atrair clientes para o comércio local e causar uma sensação de bem estar nas pessoas. Uma pífia iluminação foi instalada ao apagar das luzes- literalmente.
Por outro lado, a falta de pagamento fez a empresa Sustentare suspender a coleta de lixo, levando a cidade a amanhecer com lixo acumulado em todas as portas e nas ruas, exatamente no período de encerramento do ano em que o comércio está mais ativo e o fluxo de pessoas aumenta.
Não é o que a população estava esperando. Um Natal com poucas luzes e muito lixo.
1- Tricampeonato mundial de Rayssa Leal na Liga Mundial de Skate
2- Inauguração, na próxima semana, do Centro de Convenções pelo governo do estado
3- Inauguração do Complexo Educacional da Secretaria de Educação pela PMFS e Secretaria Anacy Paym
4- A derrubada de Assad , o " carniceiro de Damasco", responsável pela morte de mais de 500.000 Sírios.
5-50 anos de Jornalismo de Oydema Ferreira.
6-A movimentação em defesa da Cultura em Feira de Santana
Apesar de derrotado na eleição para Prefeito o deputado
José Neto está surfando em um período de boas notícias com ações do governo
federal e estadual em Feira.
A primeira delas é a sensacional inauguração do Centro de
Convenções, prevista para esse mês, uma obra esperada, demorada e vital à nossa
cidade. É um espaço que tem um potencial significativo de influenciar o setor
cultural e econômico, especialmente se viabilizado a ampliação do Aeroporto. Ainda voltaremos a
comentar sobre esse espaço após a inauguração.
Uma outra promessa urgente e que vinha se arrastando era a
Delegacia da Polícia Federal prometida quando Flávio Dino ainda era ministro da
Justiça. O deputado anunciou, essa semana, que o processo saiu do MJSP para análise do Ministério
da Gestão. A sociedade feirense precisa continuar a cobrar para que haja
agilidade no processo e não morra nas gavetas. O crime, em Feira, não faz
concessões à burocracia governamental.
Ele anunciou também a homologação da empresa CSS Coesa como
responsável pela obra da duplicação da Contorno, uma obra essencial para esse descuidado trajeto da Contorno.
Há, ainda, uma série de construções na UEFS inclusive no prédio do Auditório que esperamos seja concluído.
Embora ainda aguardemos a conclusão da eterna obra da Lagoa
Salgada e a finalização das enfermarias do HGCA- ainda insalubres- essas ações anunciadas representam um grande bloco de boas notícias que o deputado anuncia como parte das
ações de seu mandato.
Nascida Santana dos olhos D’água – nome que jamais deveria ter sido trocado – Feira se constituiu na poeira dos tropeiros, boiadas, fartura de lagoas e comércio. A força de Feira como cidade mercado, por ser entroncamento rodoviário, é demonstrada pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 2 bilhões, em 2000, para R$ 17,5 bilhões, em 2024.
Cidade carente de mais autonomia na arquitetura pública, descuidosa,
Feira mostra dificuldade para criar pertencimento, o que só é dado pela beleza –
Dostoiévski dizia que a beleza salvaria o mundo – e memória, esta, atualmente, mais
sob insípidos estacionamentos do que em pé.
Esse vazio é ocupado, hoje, pela marca da violência (justa,
afinal, “tudo que passa, passa por Feira”, como diz Tom Zé) e do mercantilismo (imerecido).
E para mudar esta imagem, Feira deve dar prioridade à cultura, como jamais fez.
Para tanto, a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e
Lazer (Secel) precisa deixar de ser um “puxadinho” de acordos políticos,
gestora de eventos outros, como Micareta e São João, para se tornar um elemento
transformador da realidade.
É preciso verbas para a implantação de um projeto cultural
consistente e continuado, e não apenas sobras ínfimas de festas, o que limita
as ações da pasta. É dever lembrar que cultura gera emprego e renda, tendo
movimentado 5% do PIB brasileiro, em 2024.
Uma cidade que tem um Juraci Dórea – criador de nossa
identidade cultural – mais reconhecido no Sul do país do que em sua cidade, onde ainda reside (vide matéria de página inteira da Folha de São Paulo,
em novembro); e um Antonio Brasileiro – possivelmente, um dos maiores poetas vivos
de Língua Portuguesa – mais estudado na França do que em nossas escolas não
pode dizer que incentiva e respeita seus atores culturais. O Grupo Hera de Poesia,
liderado por eles e pelo poeta Roberval Pereyr, deveria bastar para definir
Feira como cidade poética.
Precisamos de uma política de museus efetiva, não
desrespeitosa e integrada à Educação. Carecemos, ainda, de ocupação permanente
dos diversos equipamentos culturais; de criação de um Fundo Municipal de
Produção Audiovisual; de implantação de uma Escola de Teatro; de ampliação das
Escolas de Música; de um programa de ajuda a Corais e Filarmônicas; de
instalação de Oficinas de Criação Literária e de Artes Visuais; de apoio aos
núcleos culturais de produção artesanal, tradicionais e alternativos; de
festivais de artes; e de tantas outras ações que exigem interlocução e arrojo como
responsabilidade de governo.
Promover a inclusão do ensino das artes, da cultura, do patrimônio
histórico e da preservação da memória, nas escolas, é fundamental. Também é
preciso capacitar agentes culturais, para a formatação de projetos. E uma
política de apoio a publicações e prêmios literários seria muito bem-vinda!
Devemos aproveitar a excelente inauguração do Centro de
Convenções para vencermos o paradigma da rasura e da mesmice que nos tem sido
legado. É necessário que agentes culturais e entidades da sociedade civil
estejam juntos, a fim de vencermos essa imagem de terra sem lei.
É imprescindível construir uma cidade que cative por suas
lagoas preservadas. É urgente consolidar uma cultura que alimente o humano,
porque só ela pode nos defender desse mal-estar do século, povoado de desagregação,
violência emocional e sofrimento.
Para enfrentar esse caos em que nos encontramos, Feira precisa de uma revolução cultural. Isto já não pode mais ser adiado! Tomo a ousadia de convocá-los para essa luta coletiva. Nós podemos ter mais!