Não se chega ao surto de uma doença, sem falha e responsabilidade do Sistema de Saúde. Feira está vivendo um surto de Dengue- é a única cidade baiana em surto-, com 5975 casos suspeitos( acrescente-se aqui os que nem sequer são registrados), 1511 confirmados, com 6 mortes e mais 6 em investigação, o que pode levar ao dobro de vítimas. Nesse ano Feira já concentra 51% dos casos notificados, no Estado. É inaceitável, na segunda cidade da Bahia. A situação é uma emergência e exige um Plano de Ação imediato, eficaz, amplo, por parte do governo para corrigir a situação.
Entre essas ações, que exigem intervenção multisetorial, podemos destacar algumas: retreinamento e capacitação das equipes de Saúde, facilitação da realização dos exames básicos de hemograma, plaqueta- imediatos-, e sorologia, exigência e fiscalização do cumprimento do protocolo de atendimento a casos suspeitos, estabelecimento de Unidade para atendimento de casos graves, contratação de médicos para as vagas que estão descobertas para conferir amplitude a rede, e agilidade ao atendimento, visto que, nesses casos, tempo é sobrevida.
Por outro lado, é preciso investir em campanha maciça de esclarecimento, de alerta a população, pois, seu envolvimento no combate ao mosquito, é fundamental. Além disso, é preciso organizar mutirões de limpeza, ampliar as ações da Vigilância Sanitária, com apoio do MP e Guarda Municipal, ou mesmo Polícia, se precisar acessar áreas difíceis, buscar parceria com o Exército e outras entidades que possam colaborar, ampliar o trabalho dos Agentes de Endemias, nas áreas piores. É preciso monitorizar os índices de infestação, fazer o bloqueio nas áreas infestadas, e combater o vetor com uso do inseticida. Aliás, a essa altura os dados já são mais que evidentes. É imperativo que se amplie a relação com a Secretaria de Saúde do Estado para que ela tenha uma ação muito mais firme e efetiva, pois, o mosquito não escolhe eleitor e a cidade está sofrendo.
Essas são algumas das medidas e outras podem ser sugeridas pelos especialistas. O que não é possível é aceitarmos 12 vidas perdidas – ou uma única-, por uma doença evitável. Evidente que algumas dessas ações estão acontecendo, mas não adianta rebater que os Agentes de Endemias estão atuando, que a ação A ou B, está sendo feita, porque se estamos em surto, se crianças estão perdendo a vida , é porque o tamanho, ou a forma da ação, está inadequada e isso é indiscutível.
O governo precisa responder a Sociedade feirense com presteza e firmeza, sob o risco de morrer engasgado com um mosquito.