É preciso analisar as manifestações sem as vestes do torcedor. Achar que as manifestações foram pífias – estão longe disso! – é tentar adequar a realidade às próprias vontades. Elas foram significativas, democráticas, ordeiras e sem bandeiras partidárias. Também tiveram como pauta medidas de difícil assimilação, como a Reforma da Previdência e o pacote Anticrime, de Moro, o que torna ainda mais importante o fato de terem acontecido, algo inédito. Não houve manifestações mais radicais, como pedido para fechamento do STF e do Congresso. Ocorreram na medida certa e foram úteis a Bolsonaro, para enterrar a ideia do parlamentarismo branco, que já se falava por lá.
Por outro lado, as manifestações estão longe de se constituírem um aval para Bolsonaro achar que pode prescindir do Congresso ou que não tem desgaste no exercício de poder, por suas escolhas. Ao contrário, as manifestações mostraram que a população espera que uma certa pauta seja cumprida. E elas dependem, fortemente, do presidente.
As manifestações, portanto, não foram pífias, nem gloriosas, como querem os torcedores, mas uma expressão legítima da sociedade que enxerga o futuro e exige resultados.