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César Oliveira

Atletas transgêneros no esporte feminino: engenharia social não pode negar a ciência

César Oliveira - 04 de Junho de 2019 | 08h 38
Atletas transgêneros no esporte feminino: engenharia social não pode negar a ciência
Ex-atleta Ana Paula. Ela tem se manifestado contra a presença de atletas transgêneros no esporte feminino

Guadalaraja, México, 1970, o Brasil jogava contra o Uruguai. Vencia por 3x1 quando Tostão recebeu a bola, olhou  Pelé disparar em velocidade e fez o lançamento. Marzurkiewicz, em pânico, sozinho contra o Rei, saiu do gol, para tentar impedir a tragédia. Então, ocorreu um desses instantes que só os gênios são capazes e Pelé deixou a bola correr por um lado do goleiro e saiu pelo outro,  em perfeito drible de corpo. Por ofensas dos deuses ele tocou desequilibrado e a bola saiu pela linha de fundo. Um lance imortal. Pelé tinha 30 anos, fez sua última e brilhante Copa, apesar das dúvidas que foram levantadas se teria condições de participar. Em 2016, no Rio, Michael Phelps, lançou-se a piscina para sua última competição e para se  tornar o maior medalhista olímpico de  todos os tempos. Tinha 31 anos. Ana Paula, do Vôlei, excelente atleta, ganhou sua última medalha no Grand Prix de Hong Kong, em 98, aos 26 anos.  Marta, maior atleta de futebol feminino, joga esse ano, aos 33, sua última Copa.

Todas as segundas-feiras chego a minha clínica junto com o Dr Luciano Vital, urologista, 81 anos, em plena e intensa atividade médica. O tempo de nosso exercício profissional, médio, é de 47 anos. O de um atleta de alta performance entre 10 e 15 anos. É um sopro, breve, em que o recorde ou a vitória depende de uma exaustiva preparação, e, às vezes, de um acaso, seja a direção do vento, ou um boicote Olímpico. Em algumas modalidades as competições levam até quatro anos para ocorrerem, raramente permitindo falhas, ou erros. Não há espaço para recuperar os efeitos desse escorrer do tempo sobre o corpo. Por isso, é inadmissível que escolhas sociais ou de comportamento violem o determinismo biológico e a legitimidade do esporte.

Recordes femininos vem sendo dilapidados por atletas transgênero, que podem competir como mulheres com apenas um ano de supressão de testosterona, como se toda memória biológica e toda variabilidade e composição corporal e hormonal- inclusive o que sequer conhecemos- pudesse ser anulada e equiparada com esse único hormônio. Há uma diferença natural em compleição, músculos, fibras, ossos, capacidade aeróbica( consumo de oxigênio), acúmulo elocalização de gordura, impulsão, altura, joelhos, massa cardíaca,reações enzimáticas e sua degradação, potencial mitocondrial de ativação,  hormônios como cortisol, somatomedina, entre tantos  outros itens. Homens e mulheres divergem por muito mais que a mera dicotomia testosterona e estrógeno.  E olha que sequer estamos falando dos raros casos de intersexualidade com hiperandrogenismo. É ciência e não engenharia social.

Atletas que não tinham destaque ao competir com homens tornam-se vencedoras entre as mulheres e roubam a natural chancede vitória das companheiras, desprotegendo a integridade do esporte feminino, para fazer inclusão de uma minoria. Os dirigentes, para atenderem a uma agenda política, esmagam sem piedade toda preparação, toda oportunidade- curta oportunidade- que o corpo oferece para o alto desempenho, e consagração,  de uma atleta, amputando-a, por vezes, até de sua própria chance de terem uma vida financeira e esportiva  estável.

Em alguns esportes as vantagens são ainda mais escandalosas  e impactantes que em outros. Então, o correto é criar uma categoria própria, ou em algumas raras situações, criar mecanismos muitos mais rigorosos, e comprovados cientificamente, ressalte-se,de compensação.

A única coisa que não é possível é querer tornar o similar, igual, às custas da barbárie de imposições que violamo sagrado do  esporte feminino,  no breve tempo de seu melhor rendimento.



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