De repente as escolas de sambas do Rio de Janeiro- uma espécie de joint-venture entre o crime organizado e o Governo-, foram elevadas de patamar, passando de grandes produtoras de diversão, e de instrumento para amenizar a face dura do jogo do bicho e do tráfico, para geradoras de tratados sociológicos.
Seus enredos se tornaram teses sociais, e seus desfiles peças de resistência ideológicas. O sonho dos intelectuais de araque de criarem Sorbonnes de barracão, tinha se concretizado, descido ao asfalto, e finalmente adquirido o status de redentor nacional.
Pena que ao final do desfile o bicheiro Bidi foi fuzilado com mais de 40 tiros. Era irmão de Maninho, também morto, com seu filho, em outra ocasião e filho de Waldemir Garcia, o Miro, um dos mais famosos bicheiros, e ex-presidente de honra (o termo não é uma ironia), da Salgueiro.
A realidade costuma ser implacável com as fantasias.