Ao que parece a Procuradoria Geral da República anda esticando a corda o que levou a força-tarefa da Lava Jato a reclamar do “caráter inusitado” da ação da subprocuradora geral Lindôra Araújo, braço direito de Augusto Aras e ligada ao clã Bolsonaro, que foi a Curitiba exigindo arquicos, e dados sigilosos das investigações em São Paulo, Rio, DF, e investigações contra governadores, de forma não protocolar botando ainda mais desconfianças nas intenções da PGR. Ela, aliás, após o intempestivo gesto, acaba de retirar sua candidatura ao Conselho Superior da PGR, na esteira do pedido de demissão de 3 procuradores da Lava Jato.
Não foi um bom sinal para a biografia de Aras, que cada vez mais precisará mostrar que não foi tentado pela cadeira do STF, se “surgir uma terceira vaga”.
Não custa lembrar que a delegada da PF Denisse Ribeiro pediu ao Supremo para suspender as investigações sobre blogueiros bolsonaristas e, evitar “risco desnecessário para a estabilidade das instituições”. Nunca antes na história desse país. Soma-se a isso a inédita decisão de um desembargador do Rio que concedeu foro privilegiado a Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas, contrariando o que escreveu em seu próprio livro. Lembrou FHC: esqueçam o que escrevi.
Por último, considerando que Bolsonaro traiu Moro em sua oferta de um Ministério da Justiça de “porteira fechada”, apoio no combate a corrupção, e interviu na Polícia Federal, para ter mais informação e menos instituição, como teria com o ex-juiz, é possível ir captando a idéia que Bolsonaro tem sobre as instituições.
É preciso que fique claro que essas informações e estes órgãos não podem ser usados para perseguir adversários eleitorais - de governadores a Moro- e interferir na República, como desconfiam todos, de cabo a rabo, em Brasília.